(pt) Coletivo Anarquista Bandeira Negra - Nota de repúdio à ação policial em Blumenau/SC (en)

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Segunda-Feira, 24 de Março de 2014 - 20:41:33 CET


Os meses de março e abril de 2014 já estão marcados na história do Brasil como um momento 
de reflexão sobre os últimos 50 anos que se passaram, desde quando sofremos com o golpe 
civil-militar instaurado no país. O fortalecimento da cultura política do autoritarismo 
suportada pelo capitalismo, representado pelo golpe de 1º de abril de 1964, ainda produz 
os seus efeitos na luta popular organizada e vemos sua cruel permanência, até os dias de 
hoje, contra quem luta por um mundo de justiça, liberdade, igualdade e autogestão. --- Em 
Santa Catarina, um dos estados mais reacionários do Brasil, não é diferente. Um exemplo 
vergonhoso foi a forte repressão policial desencadeada pela Polícia Militar à manifestação 
popular contra a exploração do transporte coletivo pelo consórcio SIGA, com conivência da 
Prefeitura Municipal de Blumenau, sob administração de Napoleão Bernardes (PSDB). A 
manifestação foi chamada pelo recém formado Coletivo Tarifa Zero, com o objetivo de 
questionar o atual funcionamento do transporte coletivo, assim como o preço abusivo de R$ 
3,00.

No dia 13 de março de 2014, a manifestação chegou ao Terminal Urbano do Forte, contando 
com cerca de 150 trabalhadoras e trabalhadores, pessoas desempregadas e estudantes, que 
gritavam palavras de ordem contra o modelo de transporte, portando faixas e cartazes 
denunciando a relação da classe política dominante e o empresariado local.

A Polícia Militar, presente para conter o ato, não mediu esforços para defender os ricos e 
os políticos. Utilizou de expressiva força repressora para intimidar a legítima 
manifestação popular. Utilizou cães para atacar adolescentes, assim como balas de borracha 
à queima roupa. Aproximadamente 20 pessoas foram encaminhadas para um hospital a serem 
atendidas e cinco pessoas foram presas. Na delegacia, o delegado de plantão ignorou as 
denúncias, agindo de acordo com os interesses dominantes.

O Coletivo Anarquista Bandeira Negra, integrante da Coordenação Anarquista Brasileira, 
repudia a arbitrariedade das ações policiais - denunciando mais uma criminalização por 
parte do governo - e presta total solidariedade e apoio à luta organizada pelo Coletivo 
Tarifa Zero. Afinal, como organização política anarquista, não podemos aceitar que os 
protestos populares sejam tratados como crime. Prestamos solidariedade e nos colocamos 
ombro a ombro com cada vítima do Estado e do Capital. Seguimos juntamente com as 
companheiras e companheiros em luta por cidades e por uma vida sem catracas!
Protesto não é crime!
Lutar, criar, poder popular!
Coletivo Anarquista Bandeira Negra/CAB,
17 de março de 2014


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