(pt) Anarkismo.net: O Pensamento Político de Errico Malatesta by Felipe Corrêa

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Domingo, 9 de Março de 2014 - 13:53:56 CET


Esse texto divide-se em quatro partes fundamentais para a apresentação do pensamento 
político de Malatesta: a.) breve exposição da vida do autor, do ambiente político em que 
ele esteve inserido e seus principais interlocutores; b.) discussão 
teórico-epistemológica, que distingue ciência de doutrina/ideologia e, assim, métodos de 
análise e teorias sociais do anarquismo, noção que será aplicada à própria exposição do 
pensamento malatestiano; c.) elementos teórico-metodológicos para a análise social; d.) 
concepção de anarquismo e posições estratégicas. ---- “Errico Malatesta continua vivo e 
integralmente presente em nossos espíritos e memórias.” Luigi Fabbri ---- Introdução ---- 
Abordar o pensamento político de Errico Malatesta não constitui uma tarefa simples e 
constitui algo que deve ser levado a cabo com o devido cuidado. Considera-se relevante ter 
em mente três questões fundamentais que atravessam qualquer análise mais criteriosa de sua 
obra: 1.) Ele foi anarquista por mais de 60 anos de sua vida; 2.) Suas obras completas não 
estão disponíveis, sequer em italiano; 3.) Ele nunca foi, e nem pretendeu ser, um grande 
teórico; foi essencialmente propagandista e organizador.

Isso significa que as leituras gerais, como a que agora se pretende realizar, devem 
considerar que não há uma uniformidade em relação às suas posições nesses 60 anos, algumas 
das quais variam significativamente. Devem também considerar que, como parte importante de 
sua obra não é conhecida, não se podem apontar conclusões demasiado definitivas. 
Finalmente, devem considerar que, mesmo que a maior parte de suas obras seja composta por 
escritos de divulgação e vulgarização do anarquismo, e que, mesmo não tendo o autor a 
envergadura de outros pensadores libertários, ele possui contribuições relevantes, que 
serão em seguida brevemente esposadas.

O pensamento político de Malatesta será retomado a seguir, tomando em conta essas 
precauções metodológicas e visando expor continuidades e permanências de seu pensamento 
nesse longo período de produção, que se estende dos anos 1870 aos anos 1930. Para tanto, o 
texto divide-se em quatro partes fundamentais: a.) breve exposição da vida do autor, do 
ambiente político em que ele esteve inserido e seus principais interlocutores; b.) 
discussão teórico-epistemológica, que distingue ciência de doutrina/ideologia e, assim, 
métodos de análise e teorias sociais do anarquismo, noção que será aplicada à própria 
exposição do pensamento malatestiano; c.) elementos teórico-metodológicos para a análise 
social; d.) concepção de anarquismo e posições estratégicas.

Com isso, espera-se dar ao leitor noções relativamente aprofundadas do pensamento político 
do autor; em caso de interesse, podem-se continuar os estudos, a partir da bibliografia ao 
final do texto.


Dados biográficos e ambiente político

Errico Malatesta (1853-1932) foi um importante anarquista italiano, que contribuiu, em 
teoria e prática, com a trajetória do anarquismo em muitos países; militou em distintas 
localidades na Europa, nas Américas e na África. Tomando por base alguns estudos sobre o 
autor (Fabbri, 2010; Nettlau, 2008, 2012; Richards, 2007a), podem-se delinear alguns de 
seus dados biográficos e caracterizar brevemente o ambiente político em que ele viveu.

Filho de uma família de comerciantes com algum recurso, estudou no Liceu de Santa Maria 
Capua Vetere, localidade de seu nascimento, ingressando posteriormente na Faculdade de 
Medicina, da Universidade de Nápoles. Os contratempos, em parte de ordem política, 
fizeram-no abandonar o curso, viver, a partir de então, de biscates, dentre eles os 
ofícios de mecânico e eletricista. Ainda jovem, acreditou por algum tempo no 
republicanismo de Giuseppe Mazzini, mas logo o abandonou, sendo convertido ao anarquismo 
entre 1871 e 1872 – em cujo processo Mikhail Bakunin foi determinante –, doutrina que 
defendeu até sua morte em Roma.

Dos quase 80 anos de vida, mais de 60 deles Malatesta foi anarquista. Acompanhou, por 
isso, um período amplo da trajetória dessa ideologia em distintas localidades, os fluxos e 
refluxos dos movimentos populares e do próprio anarquismo, assim como diferentes ideias e 
práticas hegemônicas que se deram nesse período.

Participou, com Bakunin, da Aliança da Democracia Socialista, em 1872, e de uma tentativa 
de rearticulação dessa organização política em 1877, encabeçada por Piotr Kropotkin; criou 
e animou o Partido Revolucionário Socialista Anarquista, de 1891, o Partido Anarquista de 
Ancona, de 1913 e a União Comunista Anarquista Italiana / União Anarquista Italiana de 
1919/20. Foi membro da seção italiana da Primeira Internacional, a partir de 1871; fundou 
os primeiros sindicatos revolucionários na Argentina, no fim dos anos 1880; participou de 
greves na Bélgica, em 1893 e de protestos contra o aumento do pão na Itália, em 1898; 
contribuiu com a União Sindical Italiana (USI); participou da greve geral e da Semana 
Vermelha de 1914, na Itália; articulou a esquerda antifascista na Aliança do Trabalho, no 
início dos anos 1920. Participou, de armas à mão, das insurreições de Apulia, em 1874, de 
Benevento, em 1877, e foi preso mais de uma dezena de vezes.

Luigi Fabbri, numa biografia sobre Malatesta, enfatiza algumas de suas características 
como anarquista, mostrando sua completude militante:

“Sua vida ativa como anarquista foi um monólito de humanidade: unidade de pensamento e 
ação, balanceamento entre sentimentos e razão, coerência entre pregar e fazer, conexão da 
energia inflexível de luta com a bondade humana, fusão de uma atrativa doçura com a 
firmeza mais rígida de caráter, concordância entre a mais completa fidelidade às suas 
bandeiras e uma celeridade mental que fugia de todo dogmatismo. [...] Ele foi um 
anarquista completo.” (Fabbri, 2010)

Essa qualidade de conciliar características fundamentais para a militância anarquista 
envolveu, também, ainda segundo Fabbri, a permanente busca de conciliação entre meios e 
fins e as saudáveis relações estabelecidas com as massas oprimidas.

“A utilização dos meios necessários à vitória permaneceram, naquilo que ele disse e fez, 
em constante relação com os fins libertadores aos quais se propunha chegar, o entusiasmo e 
a fúria do momento nunca fizeram com que ele perdesse de vista as necessidades futuras, 
paixão e bom-senso, destruição e criação, sempre harmonizados em suas palavras e em seu 
exemplo; essa harmonia, tão indispensável para fertilizar resultados, impossível de ser 
ditada de cima, ele levou a cabo em meio ao povo, confundindo-se com ele, sem se preocupar 
que isso pudesse fazer seu trabalho pessoal desaparecer no vasto e ondulado oceano das 
massas anônimas.” (Fabbri, 2010)

Tais características foram demonstradas no amplo contexto, tanto em termos históricos como 
geográficos, da militância de Malatesta. Foram notadas em suas relações com distintos 
interlocutores, anarquistas ou não, e em seu envolvimento nos mais diferentes debates. 
Parte significativa de seu pensamento político foi formulada em meio a essas interlocuções 
e debates, num contexto marcado por episódios relevantes.

Como em toda a trajetória do anarquismo, um senso comum insistiu em relacionar o 
anarquismo à desordem, à confusão e ao caos, e as disputas ideológico-doutrinárias, em 
especial com as derivações socialdemocratas e bolcheviques do marxismo, terminaram por 
reforçar, por esforço desses adversários políticos e sem qualquer fundamento histórico, 
visões de que o anarquismo seria pequeno-burguês, liberal, idealista, individualista, 
espontaneísta, contrário à organização e ligado essencialmente aos camponeses e artesãos 
do “mundo atrasado” em declínio. (Corrêa e Silva, 2013a; Silva, 2013)

No socialismo em geral, fruto do debate da geração precedente, houve um período de ampla 
aceitação, no que tange aos métodos de análise e teorias sociais, de teorias 
evolucionistas (teleológicas), de determinismos de ordem econômica e/ou estrutural, de 
posições derivadas do positivismo e do cientificismo. Essas concepções, combatidas por 
Malatesta, enfatizavam, dentre outras coisas, que a sociedade caminharia necessariamente 
ao socialismo, que a estrutura da sociedade (principalmente de base econômica) 
determinaria seus aspectos políticos e culturais e que as ciências sociais deveriam ter 
como modelo as ciências naturais. O autor também combateu as posições que visavam fundir 
socialismo e ciência, por meio das noções de “socialismo científico” e mesmo de 
“anarquismo científico”.

Dentre os debates que permearam o campo anarquista, alguns podem ser destacados. 
Primeiramente, os debates historicamente mais relevantes entre os anarquistas sobre 
organização, reformas e violência: necessidade ou não de organização dos anarquistas e, em 
caso positivo, a melhor maneira de se organizar; possibilidade das lutas por reformas 
conduzirem a um processo revolucionário; papel da violência no processo revolucionário. 
(Corrêa, 2012: 159-186) O contexto dos anos 1880 e 1890 na Europa, marcado pelo período 
posterior à Comuna de Paris e de muita repressão, contribuiu com as posições 
insurrecionalistas da chamada “propaganda pelo fato”, preponderantes nesse período no 
continente e corroboradas pelas resoluções do Congresso de 1881, que conformou a pouco 
duradoura Internacional Negra.

Por mais que Malatesta tenha defendido, na maior parte de sua vida, o dualismo 
organizacional, a luta pelas reformas como caminho para a revolução e a violência como 
suporte ao movimento organizado de trabalhadores – as três posições que, de acordo com 
Michael Schmidt e Lucien van der Walt (2009), caracterizam, desde uma perspectiva 
histórica, o “anarquismo de massas” – houve um período, em especial nas duas décadas 
mencionadas, em que ele foi influenciado por posições clássicas do “anarquismo 
insurrecionalista”, em especial ao investir nas insurreições sem base popular 
significativa, como a de Benevento, em 1887, e por acreditar que a violência descolada dos 
movimentos organizados de trabalhadores poderia servir como gatilho de mobilização. 
(Pernicone, 2009) Ainda assim, o autor combateu, durante toda a vida, o 
antiorganizacionismo anarquista – que foi forte na Itália, entre outros motivos, pelas 
posições de Luigi Galleani – e as “influências burguesas no anarquismo”, nos termos de 
Fabbri (2001), provindas do individualismo liberal, com o qual flertaram alguns 
anarquistas, em especial na Europa e nos Estados Unidos.

A participação determinante dos anarquistas no sindicalismo de intenção revolucionária 
(sindicalismo revolucionário e anarco-sindicalismo) também foi presenciada por Malatesta, 
tanto nas Américas quanto na Europa; neste último caso, a fundação da Confédération 
Générale du Travail (CGT), na França, em 1895, terminou constituindo um marco, pois 
assinalou a passagem da hegemonia insurrecionalista para a o anarquismo de massas na 
região. Na maioria dos casos, os anarquistas dissolveram-se dentro das organizações 
sindicais; em muitos casos, defenderam a “neutralidade sindical”, no caso do sindicalismo 
revolucionário; em outros, como na Federación Obrera Regional Argentina (FORA), a partir 
de 1905, e na Confederación Nacional del Trabajo (CNT), a partir de 1919, defenderam o 
anarco-sindicalismo, vinculando programaticamente os sindicatos ao anarquismo e fazendo 
deste sua doutrina oficial. Em ambos os casos, entretanto, esse modelo de sindicalismo 
demonstrou-se classista, combativo, autônomo/independente das classes e instituições 
inimigas, democrático (com organização pela base, autogerida e federada) e revolucionário. 
Malatesta posicionou-se em distintas circunstâncias sobre a relação entre anarquismo e 
sindicalismo, como no Congresso Anarquista de Amsterdã, em 1907, quando polemizou com 
Pierre Monatte.[1]

No contexto da Segunda Internacional (1889-1916) houve, além da expulsão dos anarquistas 
logo no início do processo, um fortalecimento do socialismo parlamentar/eleitoral e 
reformista, que tomou corpo na socialdemocracia e no “possibilismo”, assim como a perda de 
importantes anarquistas do primeiro período para esse campo, como foram os casos de Andrea 
Costa, Paul Brousse e Benoit Malon. O interregno entre a segunda e a terceira 
internacionais foi marcado, em todo o campo socialista, pelos conflitos entre aqueles que 
tomaram um lado na Primeira Guerra e os que se opunham à guerra e entre os anarquistas 
isso não foi diferente. Um grupo restrito de 16 anarquistas – dentre os quais, entretanto, 
se encontravam militantes de renome, como Kropotkin e Jean Grave – terminaram, ao apoiar 
os aliados, distanciando-se da imensa maioria dos anarquistas, que permaneceu contrária à 
guerra, como foi o caso de Malatesta. A Terceira Internacional (1919-1943) foi marcada 
pelo fortalecimento mundial do bolchevismo pós Revolução Russa e do próprio bloco 
soviético que, progressivamente, demonstrou que o “socialismo” de Estado nada mais era do 
que a ditadura de um partido sobre as classes oprimidas por meio do aparelhamento do 
Estado. Essa situação, a partir de 1921, tornou-se clara aos anarquistas do mundo todo, 
por razão das denúncias de repressão e supressão de todas as correntes socialistas e 
revolucionárias dos países do bloco que se recusavam a se submeter aos ditames do Partido 
Comunista. Malatesta possui uma produção crítica significativa acerca dos socialistas e 
comunistas[2] e alguns escritos sobre o apoio desse grupo anarquista aos aliados na 
guerra.[3]

Nos fins de sua vida, o autor ainda presenciou, na Itália, a ascensão do fascismo e a 
retomada da problemática do nacionalismo, com a qual havia em alguma medida convivido, na 
ocasião dos movimentos de Garibaldi e Mazzini. Polemizou, também, com Nestor Makhno e 
Piotr Arshinov, autores de “A Plataforma Organizacional da União Geral dos Anarquistas”, 
sobre a melhor maneira de conceber a organização específica dos anarquistas.[4]


Ciência e doutrina/ideologia

Para a distinção dessas categorias, o ponto de partida de Malatesta é a noção de 
“socialismo/anarquismo científico” que, surgida durante o século XIX, avançou pelo século 
XX, tanto no campo do marxismo como do anarquismo. Ainda que as concepções de “socialismo 
científico” e “anarquismo científico” tenham diferenças substantivas e se apoiem em 
elementos teórico-metodológicos distintos, elas possuem uma similaridade: pretendem dar à 
doutrina político-ideológica do socialismo, mesmo em diferentes correntes, um caráter 
científico. Para Malatesta, esse vínculo socialismo-ciência é equivocado:

“O cientificismo (não digo a ciência) que prevaleceu na segunda metade do século XIX 
produziu a tendência de considerar verdades científicas, ou seja, leis naturais e, 
portanto, necessárias e fatais, o que era somente o conceito, correspondente aos diversos 
interesses e às diversas aspirações, que cada um tinha de justiça, progresso etc., da qual 
nasceu ‘o socialismo científico’ e, também, o ‘anarquismo científico’ que, mesmo 
professados por nossos grandes representantes, sempre me pareceram concepções barrocas, 
que confundiam coisas e conceitos distintos por sua própria natureza.” (Malatesta, 2007a: 
39-40)

As noções de socialismo e anarquismo científico apresentam, segundo ele, uma confusão de 
categorias que são distintas e não podem ser tratadas como se fossem uma só. Em muitos 
casos, argumenta Malatesta (2007a: 39), a noção científica, fundida ao 
socialismo/anarquismo, seria somente “o revestimento científico com o qual alguns gostam 
de encobrir seus desejos e vontades”; a utilização do adjetivo “científico” constituiria, 
na maior parte dos casos, tão somente uma base para tentativas de autolegitimação.

Partindo dessa crítica, o autor defende a necessidade de definir e distinguir duas 
categorias fundamentais que, ainda que se relacionem, não podem ser reduzidas a uma única.

“A ciência é a compilação e a sistematização do que se sabe e do que se acredita saber; 
enuncia o fato e trata de descobrir sua lei, ou seja, as condições nas quais o fato ocorre 
e necessariamente se repete. [...] A missão da ciência é descobrir e formular as condições 
nas quais o fato necessariamente se produz e se repete: ou seja, é dizer o que é e o que 
necessariamente deve ser.
O anarquismo é, distintamente, uma aspiração humana, que não se funda em nenhuma 
necessidade natural verdadeira ou supostamente verdadeira, mas que poderá se realizar 
segundo a vontade humana. Aproveita os meios que a ciência proporciona ao homem na luta 
contra a natureza e contra as vontades contrastantes; pode tirar proveito dos progressos 
do pensamento filosófico quando eles servirem para ensinar aos homens raciocinar melhor e 
distinguir com maior precisão o real do fantástico; mas não se pode confundi-lo, sem cair 
no absurdo, nem com a ciência e nem com qualquer sistema filosófico.” (Malatesta, 2007a: 
41-43)

Quando reflete sobre o anarquismo, Malatesta, na realidade, aborda um elemento que faz 
parte de algo mais amplo, e pode ser definido pelas categorias doutrina e/ou ideologia, 
aqui abordadas por meio de uma categoria-síntese: doutrina/ideologia. Portanto, ao 
discutir ciência e anarquismo, Malatesta distingue mais amplamente as categorias ciência e 
doutrina/ideologia.[5]

A concepção malatestiana de ciência implica uma noção de que seu objeto está no passado e 
no presente; daquilo que foi e/ou que é. Ela toma por base fenômenos que envolvem a vida 
natural e social, desde um ponto de vista teórico e/ou histórico, estrutural e/ou 
conjuntural, e estabelece os marcos para uma explicação desses fenômenos. A capacidade de 
generalização, ou seja, da explicação de um fenômeno ou conjunto de fenômenos, constitui 
um de seus aspectos centrais. A ciência nunca tem por objeto o futuro; ela pode, no 
máximo, realizar predições sobre aquilo que, baseado nas análises do que foi e do que é, 
necessariamente será, como decorrência dessa interpretação passada e presente.

A doutrina/ideologia, distintamente, oferece um quadro de referência pautado em um 
conjunto de valores e numa noção ética que proporciona um ferramental para a análise da 
realidade passada e presente, estrutural e conjuntural, mas que também permite julgar essa 
realidade, oferecendo elementos para que se pense, a partir daquilo que foi e que é, 
aquilo que deveria ser. Ou seja, a doutrina/ideologia oferece uma base valorativa que 
permite julgar e orientar posições políticas, ideias e ações no sentido de manter ou 
modificar o status-quo, em um sentido normativo.

Malatesta considera o anarquismo uma doutrina/ideologia que, pautada em aspirações 
humanas, afirma aquilo que a sociedade deveria ser, posição ético-valorativa de um devir 
que está para além do campo científico. Capitalismo e Estado devem ser destruídos, dando 
lugar a uma sociedade sem classes, exploração e dominação, não porque, por meio de uma 
análise científica do atual sistema de dominação constata-se que esse é o fim natural da 
evolução da sociedade, rumo a um telos conhecido, mas porque, segundo valores e noções 
éticas e a partir de uma posição normativa, considera-se que a sociedade poderia ser 
melhor e mais justa do que atualmente é, e que a ação humana, mesmo dentro dos limites 
estruturais, deveria ser utilizada para impulsionar uma transformação revolucionária dessa 
sociedade.

Esse objetivo, que se poderia chamar “finalista”, não decorre de uma predição necessária 
daquilo que obrigatoriamente deve ser, e nem constitui uma necessidade verdadeira de uma 
decorrência normal do desenvolvimento do atual sistema de dominação; trata-se de uma 
possibilidade desejada, de algo que se considera melhor e mais justo do que aquilo que 
está dado.

A distinção conceitual do autor entre as categorias ciência e doutrina/ideologia poderia 
subsidiar críticas de que ele defenderia uma cisão entre teoria e prática, a neutralidade 
da ciência e/ou do cientista, entre outras críticas que são frequentemente endereçadas a 
pensadores contrários ao vínculo ciência-doutrina/ideologia. Malatesta foi um homem muito 
mais dedicado à prática política do que à produção teórico-científica. Criou e participou 
de organizações anarquistas, movimentos de massas, insurreições e iniciativas que 
envolveram a propaganda escrita e oral. Preso diversas vezes, passou praticamente 10 anos 
de sua vida nas prisões.

Não se pode dizer que, ao defender essa distinção entre as categorias ciência e 
doutrina/ideologia, Malatesta estivesse pregando qualquer tipo de “cisão entre teoria e 
prática”; suas posições foram elaboradas exatamente no sentido de proporcionar uma 
compreensão mais adequada da realidade para, a partir dela, conceber as melhores maneiras 
de intervir, promovendo o avanço do programa anarquista, rumo aos objetivos por ele 
estabelecidos. Deve-se, ainda, adicionar que o autor também não sustentou a neutralidade 
da ciência ou qualquer posição que permita aproximá-lo do positivismo.[6]

Malatesta possui uma noção clara da relação entre ciência e doutrina/ideologia, e a 
demonstra em suas reflexões acerca do conhecimento científico da realidade social e do 
anarquismo. Para ele, métodos de análise e teorias sociais pertencem ao campo científico: 
buscam subsidiar um conhecimento da realidade assim como ela é; o anarquismo, partindo 
dessas considerações, estabelece seus objetivos finalistas, que o autor chama de 
“anarquia”, preconizando como a realidade deveria ser, e concebendo estratégias e táticas 
para transformar a realidade nesse sentido.

Enfim, pode-se afirmar que a distinção teórico-conceitual proposta por Malatesta é feita, 
em realidade, para potencializar a prática política anarquista; tal é a maneira encontrada 
por ele para conciliar teoria e prática.

Essa distinção será aqui aplicada à exposição do pensamento político do próprio autor; 
apresentar-se-ão em seguida suas noções básicas de teoria social para a análise da 
realidade e, depois, sua concepção de anarquismo e suas posições estratégicas.


Teoria social

Conhecendo as posições científicas vigentes em seu tempo e articulando parte delas com 
elaborações próprias e originais, Malatesta terminou por constituir um ferramental 
relativamente inovador e eficaz para a análise social que parece, ainda hoje, oferecer 
possibilidades.[7]

Malatesta (2008: 101) concebe o processo de socialização, a relação entre indivíduo e 
sociedade, por meio de um vínculo indissociável entre um e outra: “O indivíduo humano não 
é um ser independente da sociedade, mas seu produto.” O indivíduo, dessa maneira, só pode 
ser concebido dentro e como parte da sociedade, não somente sofrendo seus efeitos, mas 
participando ativamente de sua conformação. Para Malatesta (2008: 202), “entre o homem e o 
ambiente social há uma ação recíproca. Os homens fazem a sociedade ser o que é, assim como 
a sociedade faz os homens serem o que são.” Trata-se, assim, de uma relação de 
interdependência entre indivíduo e sociedade, em que as partes se apoiam uma na outra e 
cujas trajetórias estão diretamente imbricadas. A ação humana na sociedade envolve 
indivíduo e sociedade e relaciona, ao mesmo tempo, cada um e todos.

Considera-se que a realidade social pode ser analiticamente dividida em três esferas: 
econômica, política/jurídica/militar e cultural/ideológica. A maneira como Malatesta 
concebe as relações entre essas três esferas pode ser interpretada na chave da Teoria da 
Interdependência das Esferas, que sustenta ser o social uma totalidade constituída a 
partir do resultado da relação interdependente entre essas três esferas. (Rocha, 2009; 
FAU-FAG, 2007) Essa interdependência pode ser notada na obra malatestiana tanto em termos 
crítico-destrutivos quanto propositivo-construtivos, demonstrando coerência entre 
estratégia e análise social.

Ao analisar a sociedade de seu tempo, o autor criticou a dominação nas três esferas. Os 
diferentes tipos de dominação – exploração, dominação político-burocrática, coerção e 
alienação cultural – dão corpo a uma dominação generalizada, de caráter sistêmico, 
reforçando-se uns aos outros. Essa conformação interdependente constitui um sistema de 
dominação em que as partes relacionam-se de maneira dinâmica. Se a dominação articula-se e 
reforça-se dessa maneira, os projetos emancipatórios, defende o autor, devem ser levados a 
cabo, também, de maneira interdependente: “a emancipação moral, a emancipação política e a 
emancipação econômica são indissociáveis”. (Malatesta, 1989b: 141)

Ao não estabelecer de antemão uma determinação obrigatória e necessária entre as três 
esferas, Malatesta relativiza posições de outros socialistas, que sustentam, ainda que em 
bases e níveis diferenciados, uma determinação, mesmo que em última instância, da esfera 
econômica em relação às outras. Para o autor, na dinâmica social, a economia certamente 
tem possibilidade de influenciar as outras esferas, e, em muitos casos, de fato as 
influencia. Entretanto, não se pode considerar esse processo de maneira determinista ou 
mecânica na chave infra e superestrutura; as outras esferas possuem, também, e ao mesmo 
tempo, capacidade de influenciar a economia e, também, em muitos casos, a influenciam. 
Para Malatesta, o social constitui uma totalidade interdependente e assim deve ser 
avaliado. Trata-se de sustentar uma multicausalidade que só pode ser compreendida em sua 
totalidade e segundo a noção de interdependência, sem a adoção a priori de quadros de 
referência monocausais.

Se por um lado Malatesta rompe definitivamente com o idealismo que buscava explicar a 
sociedade sobre bases teológicas e/ou metafísicas, ele rompe, também, de alguma forma, com 
a clássica distinção dos socialistas do século XIX entre materialismo e “idealismo”, 
propondo, conforme colocado, uma conciliação entre a totalidade das três esferas e 
reconhecendo, juntamente com a relevância dos fatos em relação às ideias, a importância 
das ideias em relação aos fatos. Ao criticar as posições extremadas e que priorizam de 
antemão a influência e a determinação de uma esfera em relação às outras, Malatesta enfatiza:

“Há alguns anos, todo mundo era ‘materialista’. Em nome de uma ‘ciência’ que, 
definitivamente, erigia em dogmas os princípios gerais extraídos de conhecimentos 
positivos muito incompletos, tinha-se a pretensão de explicar toda a psicologia humana e 
toda a história atormentada da humanidade por simples necessidades materiais elementares. 
[...] Hoje, a moda mudou. Hoje, todo mundo é ‘idealista’: todos [...] tratam o homem como 
se ele fosse um puro espírito, para quem comer, vestir-se, satisfazer suas necessidades 
fisiológicas fossem coisas negligenciáveis.” (Malatesta, 1989b: 138-139)

Além de colocar em questão as generalizações científicas elaboradas sobre bases restritas, 
Malatesta critica as explicações reducionistas, tanto que deduzem tudo das necessidades 
materiais, quanto que as ignoram completamente. Dever-se-ia, distintamente, tomar em conta 
a relação indissociável entre as três esferas, entre fatos e ideias, e as determinações em 
distintos sentidos, de acordo com os variados contextos, dando corpo a totalidades de 
caráter sistêmico. Esses sistemas, mesmo que possam ser modificados ou transformados, 
possuem esse caráter por relacionar permanente e dinamicamente suas partes e por aquilo 
que ocorre em cada uma de suas partes ter impacto no todo. Assim, a sociedade constitui um 
sistema e as esferas suas partes.

Para Malatesta (2000a: 8), a sociedade caracteriza-se pelos distintos conflitos que a 
estruturam; a realidade social corresponde sempre a uma determinada posição das diversas 
forças que estão em jogo. Ele considera que “a sociedade atual é o resultado das lutas 
seculares que os homens empreenderam entre si”; essas lutas, esses conflitos, são os 
traços mais determinantes na conformação da sociedade. Por isso, as posições malatestianas 
diferenciam-se sobremaneira daquelas que tendem a minimizar o papel dos conflitos na 
sociedade e não explicam adequadamente a mudança e a transformação social.

Entretanto, para o autor, esses conflitos, que existem permanentemente em qualquer 
sociedade, não são sempre, necessariamente, conflitos de classes.

“Conflitos de interesses e de paixões existem e existirão sempre pois, ainda que se 
conseguisse eliminar aqueles existentes até o ponto de se chegar a um acordo automático 
entre os homens, outros conflitos se apresentariam a cada nova ideia que germinasse em um 
cérebro humano.” (Malatesta, 2008: 102)

Esses conflitos sociais – que podem envolver classes, grupos e indivíduos – são 
protagonizados por forças sociais dinâmicas, que se encontram permanentemente em 
movimento, em relação, em contraposição. Para Malatesta (2008: 72), “a história caminhará, 
como sempre, segundo a resultante das forças”; ou seja, a história é a história dos 
conflitos sociais, das relações entre as diferentes forças sociais em jogo. Cumpre 
ressaltar que força social, nessa acepção, extrapola a noção de força bruta, coerção, 
violência, e abarca elementos das três esferas.

São, portanto, os conflitos dinâmicos entre várias forças sociais que conformam uma 
determinada realidade; desde uma perspectiva histórica, são esses conflitos que 
estabelecem as relações de poder, que conformam relações dominadoras, hierárquicas, 
subservientes entre classes, grupos e indivíduos. Aqueles que possuem a capacidade de 
mobilizar a maior força social nesses conflitos conseguem se impor aos outros; trata-se de 
uma batalha permanente. (Malatesta, 2008: 52)

Compreender a sociedade como esse conjunto dinâmico e conflitivo de diferentes forças 
sociais implica, para Malatesta (2008: 30), um abandono do evolucionismo e do 
teleologismo, também bastante sustentados no século XIX entre os socialistas em geral: 
“Não há lei natural que obrigue a evolução em um sentido progressivo em lugar do 
regressivo: na natureza, há progressos e regressos.” A correlação de forças na sociedade é 
permanentemente dinâmica e, segundo avaliações normativas, pode ser julgada como progresso 
ou regresso. Essa noção também subsidia a posição já comentada de que o capitalismo e o 
Estado não se destroem por si mesmos e que o socialismo não é uma necessidade histórica 
gerada, automática e obrigatoriamente, pelas contradições do próprio sistema 
capitalista/estatista. (Malatesta, 2008: 75)

Sua posição acerca da interdependência das esferas parece também nortear sua concepção 
sobre a relação entre estrutura social e ação/agência humana. Malatesta opõe-se às 
abordagens estruturalistas e mecanicistas, que não concedem espaço à vontade humana e 
segundo as quais

“a vontade – potência criadora cuja natureza e origem não podemos compreender [...] – que 
contribui pouco ou muito com a determinação da conduta dos indivíduos e da sociedade, não 
existe, não é mais que uma ilusão. Tudo aquilo que foi, é e será, desde o curso dos astros 
até o nascimento e a decadência de uma civilização, desde o perfume de uma rosa até o 
sorriso de uma mãe, desde um terremoto até o pensamento de Newton, desde a crueldade de um 
tirano até a bondade de um santo, tudo devia, deve e deverá suceder por uma sequência 
fatal de natureza mecânica, que não deixa qualquer possibilidade de variação.” (Malatesta, 
2007b: 256)

Nessas abordagens, a ação humana seria completamente determinada pela estrutura social; o 
destino da sociedade estaria estabelecido de antemão e qualquer ação voluntária não seria 
mais do que uma ilusão, de acordo com o exemplo de Spinoza citado por Malatesta (2008: 
68), no caso da pedra que “ao cair, tivesse consciência de sua queda e acreditasse que 
está caindo porque quer cair”.

Para o autor, distintamente, a vontade e a ação humana possuem significativo potencial na 
conformação da sociedade: “a história é feita pelos homens”, afirma. E a base da ação 
humana é a vontade; “é necessário admitir uma força criadora, independente do mundo físico 
e das leis mecânicas e esta força se chama vontade”. Elemento fundamental da esfera 
cultural/ideológica, a vontade impulsiona a ação humana e pode subsidiar processos de 
mudança e transformação social. Ela pode ser, e em geral é, influenciada pelas posições 
hegemônicas (econômicas, políticas etc.) vigentes, mas não é completamente determinada por 
elas; há espaço para a consciência e para a ação no sentido da mudança e da transformação 
social. (Malatesta, 2008: 175, 29)

Tais posições fizeram com que Malatesta fosse acusado, diversas vezes, de ser um completo 
voluntarista, um “idealista”, no sentido de defender uma transformação com base na mudança 
de consciências. No entanto, essas posições parecem equivocadas. Ainda que reconheça a 
relevância da esfera cultural/ideológica em geral, tanto nos processos de dominação, 
quanto de emancipação, e ainda que defenda que, nesses processos, a vontade constitui um 
elemento central, Malatesta (2008: 29, 104) reconhece seus limites: “certamente essa 
vontade não é onipotente, visto que está condicionada”. Um processo de transformação não 
depende apenas da vontade, mas dos limites estruturais estabelecidos, não somente nas 
esferas cultural/ideológica e política/jurídica/militar, mas, principalmente, na esfera 
econômica: “Todo anarquista, todo socialista compreende as fatalidades econômicas que hoje 
limitam o homem, e todo bom observador vê que a rebelião individual é impotente contra a 
força preponderante no ambiente social”. Entretanto, ele pontua que “é igualmente certo 
que, sem a rebelião do indivíduo, que se associa com outros rebeldes para resistir ao 
ambiente e tratar de transformá-lo, esse ambiente não mudaria nunca.” A ação humana, 
portanto, explicaria, em grande medida, as mudanças e transformações sociais.

As posições de Malatesta propõem uma conciliação entre ação humana e estrutura social. 
Subsidiam tanto suas análises sociais quanto suas estratégias revolucionárias.[8]

Aplicando essas noções à análise da sociedade moderna, capitalista e estatista, o autor 
nota que o aspecto fundamental dessa sociedade é a dominação nas três esferas. Na esfera 
econômica, Malatesta (2000a: 17) aponta a exploração concretizada pelo trabalho 
assalariado: “A opressão que hoje pesa de uma forma mais direta sobre os trabalhadores 
[...] é a opressão econômica”, ou seja, “a exploração que os patrões e os comerciantes 
exercem sobre o trabalho, graças ao açambarcamento de todos os grandes meios de produção e 
de troca”. Na esfera política/jurídica/militar, Malatesta (2001: 15) nota a dominação 
político-burocrática e a coerção, protagonizadas pelo Estado e que subtraem do povo “a 
gestão de seus próprios negócios, a direção de sua própria conduta, o cuidado de sua 
própria segurança” confiando-as a “alguns indivíduos que, por usurpação ou delegação, se 
encontram investidos do direito de fazer leis sobre tudo e para todos, de coagir o povo a 
se conformar com isso, servindo-se para essa finalidade da força de todos”. Na esfera 
cultural/ideológica, ele critica a alienação cultural conformada pela religião, pela 
educação e sentimentos como o patriotismo, que reforçam e legitimam interesses dominantes. 
Para além da opressão econômica e política, enfatiza ele, pode-se “oprimir os homens 
agindo sobre sua inteligência e seus sentimentos, o que constitui o poder religioso ou 
universitário” (Malatesta, 2001: 23); “o governo e as classes dominantes se servem do 
sentimento patriótico [...] para fazer com que se aceite melhor pelo povo seu poder e para 
arrastar o povo a guerras e iniciativas coloniais realizadas para seu próprio proveito”. 
(Malatesta, 2008: 129)

Conforme apontado anteriormente, esses distintos tipos de dominação possuem relação, 
influenciam-se e sustentam-se mutuamente, fundamentando o sistema de dominação em questão 
na interdependência de suas esferas.

Nessa sociedade, caracterizada por conflitos e forças dinâmicas em jogo, as classes 
sociais, ainda que não expliquem tudo, são muito relevantes. Para Malatesta, não se pode 
considerar, a priori, que, em todos os conflitos sociais que conformam uma sociedade, as 
classes sociais necessariamente constituem a categoria mais importante, ou mesmo a mais 
adequada, para as explicações; no entanto, em muitos casos, elas são. Ou seja, trata-se, 
para ele, de considerar os conflitos sociais os aspectos mais relevantes da sociedade e 
enfatizar que, em muitos casos, as classes sociais constituem agentes de primeira ordem 
nesses conflitos, ainda que os conflitos de classe não devam ser tratados de maneira 
reducionista, esperando que, a partir deles, seja possível deduzir todas as explicações de 
outros conflitos.

Deve-se, ainda assim, apontar que, em concordância com a noção de interdependência das 
esferas, as classes sociais, desde uma perspectiva malatestiana, não constituem uma 
categoria exclusivamente econômica:

“Através de uma rede complicada de lutas de todos os tipos, invasões, guerras, rebeliões, 
repressões, concessões feitas e retomadas, associação dos vencidos, unidos para se 
defenderem, e dos vencedores, para atacarem, chegou-se ao estado atual da sociedade, em 
que alguns homens detêm hereditariamente a terra e todas as riquezas sociais, enquanto a 
grande massa, privada de tudo, é frustrada e oprimida por um punhado de proprietários.
Disto depende o estado de miséria em que se encontram geralmente os trabalhadores, e todos 
os males decorrentes: ignorância, crime, prostituição, definhamento físico, abjeção moral, 
morte prematura. Daí a constituição de uma classe especial (o governo) que, provida dos 
meios materiais de repressão, tem por missão legalizar e defender os proprietários contra 
as reivindicações do proletariado. Ele se serve, em seguida, da força que possui para 
arrogar-se privilégios e submeter, se ela pode fazê-lo, à sua própria supremacia, a classe 
dos proprietários. Disso decorre a formação de outra classe especial (o clero), que por 
uma série de fábulas relativas à vontade de Deus, à vida futura, etc., procura conduzir os 
oprimidos a suportarem docilmente o opressor, o governo, os interesses dos proprietários e 
os seus próprios.” (Malatesta, 2000a: 8-9)

Dessa maneira, os critérios utilizados para o estabelecimento das classes sociais incluem 
a propriedade dos meios de produção e a exploração econômica, mas não se resumem a eles; a 
propriedade dos meios de administração, de coerção, de controle e de conhecimento e, 
assim, a dominação político-burocrática, a coerção e a alienação cultural são também 
critérios fundamentais. É por esse motivo que ele insere entre as classes dominantes não 
somente os proprietários (burguesia), mas também o governo e o clero. Entre as classes 
dominadas, ele inclui não somente os trabalhadores assalariados das indústrias urbanas, 
mas também os trabalhadores de outros setores das cidades, os trabalhadores do campo, os 
camponeses e os pobres em geral. Esses dois conjuntos de oprimidos e opressores, classes 
dominantes e classes dominadas, classes opressoras e classes oprimidas, protagonizam a 
permanente luta de classes na sociedade. A luta de classes constitui, de acordo com as 
posições anteriormente colocadas, um dos traços mais relevantes das sociedades 
contemporâneas, ainda que, também conforme apontado, não seja possível reduzir todos os 
conflitos sociais a conflitos entre classes.

Para Malatesta (2008: 120-121), “a totalidade de indivíduos que habitam um território está 
dividida em distintas classes que têm interesses e sentimentos opostos e cujo antagonismo 
cresce à medida que se desenvolve nas classes submetidas a consciência da injustiça da 
qual são vítimas.” Entre os amplos conjuntos das classes dominantes e classes dominadas, 
as quais abarcam todo o conjunto das classes sociais concretas de cada contexto, há 
antagonismo constante e quanto mais se desenvolve a consciência de classe, mais esse 
conflito se evidencia. A consciência de classe é, para Malatesta (2008: 197), um elemento 
fundamental da luta de classes; ela potencializa os processos transformadores: “a luta 
torna-se luta de classes”, diz ele, “quando uma moral superior, um ideal de justiça e uma 
maior compreensão das vantagens que a solidariedade pode proporcionar a cada indivíduo, 
vêm fazer com que fraternizem todos aqueles que se encontram em uma posição análoga”. 
Dessa maneira, os elementos culturais/ideológicos vêm somar-se aos econômicos e políticos, 
abrindo espaço para a luta de classes que se desdobra nas três esferas.

Os processos de mudança e transformação, na perspectiva malatestiana, dependem das forças 
sociais que esses conjuntos conseguirem aplicar aos conflitos, tanto para mudanças, no 
caso das conquistas de reformas, quanto para transformações, no caso da revolução social, 
que chega à socialização das três esferas sociais.


Anarquismo e estratégia

Para Malatesta, o anarquismo constitui uma doutrina/ideologia histórica e não uma 
filosofia ou uma ciência. Segundo sustenta, a dominação capitalista e estatista, 
desdobrada nas três esferas, proporcionou um contexto que permitiu o surgimento do 
anarquismo – não de maneira automática, mas com a ação de um setor considerável dos 
oprimidos –, como parte do movimento socialista, sustentando a necessidade de 
transformação da injustiça, da exploração, da desigualdade, da coerção, da alienação, do 
autoritarismo, num sistema justo, igualitário e libertário, chamado por ele de “anarquia”. 
Assim, o anarquismo surge em um contexto específico, quando as classes oprimidas 
estabelecem relações solidárias entre si, sustentando que as injustiças são sociais, e não 
naturais ou divinas, que é possível modificá-las por meio da ação humana e que as posições 
de outras correntes socialistas são insuficientes ou equivocadas.

“O anarquismo em suas origens, aspirações, em seus métodos de luta, não está 
necessariamente ligado a qualquer sistema filosófico. O anarquismo nasceu da revolta moral 
contra as injustiças sociais. Quando apareceram homens que se sentiram sufocados pelo 
ambiente social em que eram obrigados a viver, que sentiram a dor dos demais como se ela 
fosse a sua própria, e quando estes homens se convenceram de que boa parte do sofrimento 
humano não é consequência inevitável das leis naturais ou sobrenaturais inexoráveis, mas, 
ao contrário, que deriva de realidades sociais dependentes da vontade humana e que podem 
ser eliminados pelo esforço humano, abria-se então o caminho que deveria conduzir ao 
anarquismo.” (Malatesta, 2009a: 4)

Por mais que os anarquistas tenham utilizado, desde uma perspectiva histórica, diferentes 
ferramentas teórico-metodológicas para a compreensão da realidade, pode-se dizer que o 
anarquismo forneceu a um setor das classes oprimidas um quadro de referência para o 
julgamento da sociedade capitalista e estatista, particularmente durante o século XIX, 
para o estabelecimento de objetivos revolucionários, socialistas e libertários, e para a 
concepção de estratégias e táticas capazes de impulsionar uma transformação social nesse 
sentido. É assim que se pode compreender a afirmação de Malatesta (2009a: 4), de que “o 
anarquismo é o método para realizar a anarquia por meio da liberdade”; ou seja, trata-se 
de uma doutrina/ideologia que oferece aos trabalhadores a possibilidade de chegar a uma 
sociedade futura distinta, de bases autogestionárias e federalistas, por meio de um método 
coerente.

O anarquismo é, portanto, um tipo de socialismo; há, por isso, um vínculo parcial entre um 
e outro: “Socialismo e anarquismo não são termos opostos e nem equivalentes, mas termos 
estritamente vinculados entre si, como está o fim com seu meio necessário, e como está a 
substância com a forma, em que se encarna.” (Malatesta, 2007f: 142) O anarquismo, assim 
concebido, é essencialmente social e não possui vínculos com o individualismo, que, 
segundo o autor, possui raízes burguesas, pois, afirmando-se na ideia de liberdade 
individual, promove a mobilidade capitalista; em muitos casos, estimula indivíduos do 
campo oprimido a se tornarem novos dominadores. Segundo o autor, os individualistas “não 
recuam diante da ideia de ser, por sua vez, opressores; são indivíduos que se sentem 
aprisionados na sociedade atual e chegam a desprezar e odiar qualquer tipo de sociedade”. 
Constatando ser “absurdo querer viver fora da coletividade humana, procuram submeter à sua 
própria vontade e à satisfação de suas paixões todos os homens, a sociedade inteira”; 
“querem ‘viver sua vida’; ridicularizam a revolução e qualquer aspiração futura: querem 
gozar sua vida ‘aqui e agora’, a qualquer preço e às custas de quem quer que seja; 
sacrificariam a humanidade inteira por uma única hora de ‘vida intensa’”. Para ele, esses 
individualistas “são rebeldes, mas não anarquistas. Possuem a mentalidade e os sentimentos 
do burguês frustrado e, quando podem, transformam-se efetivamente em burgueses, e não 
menos perigosos.” (Malatesta e Fabbri, 2003: 78) Dessa maneira, o anarquismo nada tem a 
ver com o individualismo, mas constitui a corrente libertária do socialismo.

Esse socialismo anarquista malatestiano, em termos doutrinários/ideológicos e 
estratégicos, pode ser caracterizado por meio de três eixos: crítica da sociedade 
capitalista e estatista, estabelecimento de objetivos revolucionários e socialistas, 
promoção de uma estratégia coerente para substituir a sociedade de dominação pela 
liberdade e pela igualdade.

A crítica da sociedade capitalista e estatista foi abordada, quando o autor apresentou 
criticamente a dominação nas três esferas – exploração, a dominação político-burocrática, 
a coerção, a alienação cultural –, e enfatizou o papel fundamental da dominação de classe. 
Conforme apontado, nessa sociedade autoritária e desigual, classes dominantes e classes 
dominadas protagonizam a luta de classes em detrimento das últimas. Em relação a essa 
crítica, Malatesta enfatiza:

“Somos inimigos do capitalismo, que obriga os trabalhadores, apoiando-se sobre a proteção 
policial-militar, a deixar-se explorar por proprietários dos meios de produção e, 
inclusive, a permanecer ociosos, ou a sofrer de fome, quando os patrões não têm interesse 
em explorá-los. Por isso somos inimigos do Estado, que é a organização coercitiva, ou 
seja, violenta, da sociedade.” (Malatesta, 2008: 51)

Tal sociedade implica uma violência sistêmica de caráter classista contra os 
trabalhadores, que são diariamente violentados; o sistema capitalista/estatista promove 
uma “perpétua violência que mantém a escravidão da grande massa dos homens”. (Malatesta, 
2007g: 55) Por meio do quadro de referência anarquista, pode-se considerar essa sociedade 
ruim e injusta para a maioria das pessoas e que ela poderia ser melhor, desde que 
transformada por meio de uma revolução social que modificasse seus próprios fundamentos. 
Isso implica “abolir de forma radical a dominação e a exploração do homem pelo homem”. 
(Malatesta, 2000a: 26) Conforme sustenta o autor, somente o anarquismo oferece objetivos e 
estratégias adequadas para essa transformação.

Os objetivos revolucionários e socialistas do anarquismo, conforme os concebe Malatesta, 
são atingidos quando há uma transformação das bases mais profundas da sociedade; trata-se 
de um processo protagonizado pelas massas que estabelece, por meio da violência, a 
socialização econômica e política; põe fim ao capitalismo, ao Estado, às classes sociais e 
cria uma nova sociedade, de estruturas autogestionárias e federalistas, igualitárias e 
libertárias, e estabelece novas relações sociais. Isso envolve “modificar o modo de viver 
em sociedade”, “estabelecer relações de amor e solidariedade entre os homens”, “conseguir 
a plenitude de desenvolvimento material, moral e intelectual, não para um indivíduo, nem 
para os membros de uma determinada classe ou partido, mas para todos os seres humanos”. 
(Malatesta, 2008: 93)

Para que ocorra uma revolução social, é necessário derrubar “pela violência, as 
instituições que as mantêm [as massas] em escravidão”; para o autor: “precisamos do 
concurso das massas para constituir uma força material suficiente para alcançar nosso 
objetivo específico, que é a mudança radical do organismo social graças à ação direta das 
massas”. Essa revolução, portanto, não constitui obra de partido, mas de massas; para 
protagonizá-la, as massas devem se auto-organizar, com independência e autonomia de 
instituições e indivíduos que promovem outros objetivos. Sua força acumula-se nas lutas e 
projetos emancipatórios das três esferas sociais: greves sindicais, cooperativas, 
reivindicações comunitárias, insurreições armadas, propaganda escrita e oral, projetos 
educativos etc. Por meio de uma radicalização dessas lutas e do aumento da força dos 
oprimidos, os trabalhadores podem derrotar seus inimigos e promover a “expropriação dos 
detentores do solo e do capital em proveito de todos e abolição do governo”. (Malatesta, 
1989c: 55; 2000a: 26)

Para Malatesta (2007h: 95), “o próprio ato da revolução” deve levar a cabo “a expropriação 
e a socialização de toda a riqueza existente para proceder, sem perda de tempo, à 
organização da distribuição, a reorganização da produção segundo as necessidades e os 
desejos das diversas regiões, das diversas comunas, dos diversos grupos”. Os proprietários 
dos meios de produção devem ser expropriados e a propriedade deve ser socializada, gerida 
coletivamente, em acordo com as necessidades das populações.

“Queríamos que os trabalhadores da terra [...] seguissem e intensificassem o trabalho por 
sua própria conta, estabelecendo relações diretas com os operários das indústrias e dos 
transportes para a troca de seus produtos; que os operários das indústrias [...] tomassem 
posse das fábricas e que continuassem e intensificassem o trabalho por conta própria e da 
coletividade, transformando em seguida todas as fábricas [...] em produtoras de coisas que 
mais urgem para satisfazer as necessidades do público; que os ferroviários continuassem a 
conduzir os trens, mas em serviço da coletividade; que comitês de voluntários ou de 
pessoas eleitas pela população tomassem posse, sob controle direto das massas, de todas as 
instalações disponíveis, para alojar da melhor maneira possível no momento os mais 
necessitados; que outros comitês, sempre sob controle direto das massas, pudessem prover 
aprovisionamento e distribuição dos artigos de consumo.” (Malatesta, 2008: 152)

Discutindo a melhor maneira de solucionar a questão da distribuição dos produtos do 
trabalho, Malatesta (2007k: 101-102) não adota estritamente o coletivismo ou o comunismo, 
mas propõe uma conciliação: “Provavelmente [...] todos os modos de repartição dos produtos 
serão experimentados juntamente [...] e se entrelaçarão e combinarão de diversas maneiras, 
até que a prática ensine qual é a melhor forma ou quais são as melhores formas.” Isso 
significa permitir uma remuneração conforme o trabalho realizado (coletivismo) em algumas 
circunstâncias, talvez no início do processo de socialização ou em relação aos produtos em 
escassez, e uma remuneração em acordo com as necessidades (comunismo), quando o socialismo 
estiver bem estabelecido ou com a abundância na produção. Entretanto, o princípio que não 
se deve transigir “é que todos tenham os instrumentos de produção, para poder trabalhar, 
sem submeter-se à exploração capitalista, grande ou pequena”. Posição semelhante é adotada 
em relação à coletivização das propriedades do campo; desde que não haja propriedade 
privada e exploração, os camponeses devem poder escolher se trabalharão coletivamente ou 
com a gestão da própria família em pequenas terras. “O comunismo forçado”, diz o autor, 
“seria a mais odiosa tirania que uma mente humana poderia conceber”.

Esse processo de socialização, conforme apontado, promove não somente uma transformação de 
bases econômicas, mas também políticas. Malatesta (2007i: 145) prevê que será necessário, 
“durante a própria insurreição”, se opor “à constituição de qualquer governo, de qualquer 
centro autoritário” e, assim, dar fim ao aparelho de dominação política, o Estado. As 
decisões devem ser compartilhadas, tomadas e executadas pelos próprios interessados, que 
se coordenariam em instâncias autogestionárias e se articulariam geograficamente de 
maneira federalista, com controle da base. Isso, diz ele, será

“obra de voluntários, de vários tipos de comitês, de congressos locais, intercomunais, 
regionais, nacionais, que proporcionariam a coordenação da vida social, tomando as 
decisões necessárias, aconselhando e realizando aquilo que pensassem ser útil, mas sem ter 
qualquer direito ou meio para impor sua vontade pela força e confiando, para encontrar 
apoio, somente nos serviços prestados e nas necessidades da situação reconhecidas pelos 
interessados.” (Malatesta, 2007j: 159)

Para substituir o capitalismo estatista pelo socialismo autogestionário/federalista, é 
necessária uma estratégia coerente, pois, conforme apontado, esses objetivos não decorrem 
da sociedade atual; a “anarquia” precisa ser conquistada pela ação de homens e mulheres. A 
estratégia geral malatestiana apoia-se na busca permanente de acúmulo de força popular e 
na coerência entre meios e fins.

Os anarquistas, segundo Malatesta (2008: 94), devem “trabalhar para despertar nos 
oprimidos o desejo vivo de uma transformação social radical e persuadi-los que, unindo-se, 
eles têm a força necessária para vencer”. A força social das classes oprimidas tem 
potencial para enfrentar e vencer as forças inimigas, mas, para tanto, precisa incidir nas 
três esferas. O autor continua, afirmando: “devemos propagar nosso ideal e preparar as 
forças morais e materiais necessárias para vencer as forças inimigas e organizar a nova 
sociedade”. Essa nova sociedade só pode ser construída com a vitória sobre as classes 
dominantes. Entretanto, os anarquistas não acreditam que para a obtenção dessa força e 
dessa vitória vale tudo; seus princípios, que estabelecem limites éticos nesse processo, 
exigem que, dentre outras coisas, os fins determinem os meios, ou seja, uma coerência 
entre uns e outros.

Essa questão é marcante no anarquismo em geral, e em Malatesta em particular. Para ele, 
assim como para teóricos da estratégia, as táticas estão subordinadas à estratégia e esta 
ao objetivo, ou seja, os meios estão subordinados aos fins: “estabelecido o fim que se 
deseja chegar, por vontade ou necessidade, o grande problema da vida consiste em encontrar 
o meio que, segundo as circunstâncias, conduza com maior segurança e de modo mais 
econômico ao fim estabelecido”. Dessa maneira, táticas e estratégias devem buscar a 
aproximação do objetivo da maneira mais eficaz possível. Argumenta o autor nesse sentido: 
“os fins e os meios estão intimamente ligados, sem dúvida nenhuma, se bem que a cada fim 
corresponde, de preferência, tal meio, ao invés de tal outro; assim, também, todo meio 
tende a realizar o fim que lhe é natural, inclusive fora da vontade daqueles que empregam 
este meio, e contra ela.” Ou seja, para ele, fins libertários e igualitários devem se 
apoiar em meios libertários e igualitários. A dominação – mesmo que encarnada em novas 
formas de exploração e de opressão – não constitui um caminho adequado para a revolução 
social e o socialismo libertário, ainda que aqueles que a empregam não concordem com isso. 
(Malatesta, 2007l: 69; 1989d: 6)

A crítica malatestiana à estratégia de tomada do Estado para o estabelecimento de uma nova 
sociedade, anticapitalista e antiestatista, promovida por socialistas reformistas e 
comunistas revolucionários, apoia-se nessa noção. Para o autor, o Estado constitui uma 
instituição dominadora; além de sustentar e promover o capitalismo, a dominação 
político-burocrática (monopólio das decisões) e a coerção (violência física) são elementos 
constitutivos fundamentais. Mesmo que se nacionalizassem os meios de produção, a 
existência de uma minoria no comando do Estado (burocracia) implicaria uma nova dominação 
de classe. O caso soviético, ainda nos anos 1920, contribuiu para que essa noção se 
afirmasse em Malatesta.

Foi com base nesse argumento que o autor criticou as estratégias socialistas de tomada do 
Estado, tanto por meio das eleições – no modelo reformista, majoritário na Segunda 
Internacional – quanto por meio da revolução – no modelo revolucionário, majoritário na 
Terceira Internacional. Malatesta (1989e: 32) afirma: “Somos firmemente contrários a toda 
participação nas lutas eleitorais e a toda colaboração com a classe dominante; queremos 
aprofundar o abismo que separa o proletariado do patronato e tornar a luta de classes cada 
vez mais aguda.” A disputa política dos trabalhadores, segundo ele a concebe, deve se dar 
fora das instituições do Estado, essencialmente opressoras, e aprofundar a luta de 
classes, priorizando os espaços construídos pelos próprios oprimidos. Atuar no Estado 
seria, para ele, jogar em campo inimigo. Malatesta (1989f: 14) vê no programa e na 
estratégia dos socialistas parlamentares “o germe de uma nova opressão”. “Se algum dia 
triunfassem”, argumenta, “o princípio do governo que conservam destruiria o princípio da 
igualdade social e abriria uma nova era de luta de classes.” Esse argumento poderia, da 
mesma maneira, ser utilizado com os comunistas revolucionários, cuja noção de “ditadura do 
proletariado”, ainda segundo Malatesta (2007f: 139), mascara o fato de que uma “ditadura 
[...] em nome do ‘proletariado’ põe toda a força e toda a vida dos trabalhadores nas mãos 
de criaturas de um partido chamado de comunista, que se perpetuarão no poder e terminarão 
reconstruindo o capitalismo em benefício próprio”.

Desde a perspectiva da necessidade de coerência entre meios e fins, a tomada do Estado 
constitui uma incongruência estratégica, visto que, por meio da dominação, busca promover 
a liberdade e a igualdade; esse caminho, tomado de maneira reformista ou revolucionária, 
desde um ponto de vista estratégico, só pode apontar para o reforço da dominação.

A estratégia coerente para atingir os mencionados objetivos deve apoiar-se no protagonismo 
das massas; os sujeitos revolucionários – que também não estão dados a priori, como uma 
determinação estrutural – precisam ser construídos nos processos de luta das classes 
oprimidas, entre trabalhadores da cidade e do campo, camponeses e pobres em geral. Como a 
revolução deve ser obra das massas que abarcam esse conjunto amplo de sujeitos oprimidos, 
os anarquistas devem se “aproximar delas, aceitá-las como elas são e, como parte das 
massas, fazê-las ir o mais longe possível.” O anarquismo, conforme aponta o autor, 
propõe-se impulsionar processos classistas de transformação social, que garantam o 
protagonismo das massas; isso não significa, portanto, que os anarquistas devem emancipar 
os trabalhadores: “Não queremos emancipar o povo”, afirma, “queremos que o povo se 
emancipe”. (Malatesta, 1989c: 55; 2000b: 40)

Num dos debates mais relevantes entre os anarquistas, sobre a questão da organização, 
Malatesta posiciona-se em favor do dualismo organizacional, ou seja, sustenta a 
necessidade de organização dos anarquistas, concomitantemente, como trabalhadores, em seus 
movimentos populares de massas, e como anarquistas, em suas organizações políticas 
especificamente anarquistas. Além da “organização em geral, como princípio e condição da 
vida social, hoje e na sociedade futura”, Malatesta (2000d: 49) aponta essa necessidade: 
“a organização das forças populares” e a “organização do partido anarquista”.

O autor opõe-se ao antiorganizacionismo, uma posição que, apesar de historicamente 
minoritária entre os anarquistas, teve sua relevância. Para ele, a organização não somente 
fundamenta as bases da sociedade, mas embasa as próprias instâncias capazes de catalisar a 
força social para impulsionar um processo revolucionário.

“Nós já o repetimos: sem organização, livre ou imposta, não pode existir sociedade; sem 
organização consciente e desejada, não pode haver nem liberdade, nem garantia de que os 
interesses daqueles que vivem em sociedade sejam respeitados. E quem não se organiza, quem 
não procura a cooperação dos outros e não oferece a sua, em condições de reciprocidade e 
de solidariedade, põe-se necessariamente em estado de inferioridade e permanece uma 
engrenagem inconsciente no mecanismo social que outros acionam a seu modo, e em sua 
vantagem.” (Malatesta, 2000b: 39)

Malatesta (2000c: 55) sustenta que a organização não somente não é contrária ao 
anarquismo, mas constitui um fundamento básico para o acúmulo de força social; sem ela, 
modificar a sociedade torna-se tarefa inviável: “Permanecer isolado, significa condenar-se 
à fraqueza, desperdiçar sua energia em pequenos atos ineficazes, perder rapidamente a fé 
no objetivo e cair na completa inação.” É relevante, portanto, tomando como base esse 
princípio organizativo, conceber a melhor maneira de articular-se com outros para 
multiplicar as forças individuais e poder levar a cabo um processo coletivo de mudança 
radical da sociedade.

Para tanto, Malatesta (2000b: 41) enfatiza: “Favorecer as organizações populares de todos 
os tipos é a consequência lógica de nossas ideias fundamentais e, assim, deveria fazer 
parte integrante de nosso programa.” Conforme apontado, são essas organizações populares 
de massas que devem ser as protagonistas da revolução social; entretanto, os anarquistas 
não são somente trabalhadores, mas trabalhadores anarquistas. Conforme aponta Malatesta 
(1989g: 87): “nos distinguimos da massa e somos homens de partido”. Os anarquistas possuem 
objetivos em relação às massas: “Queremos agir sobre ela, impeli-la ao caminho que 
acreditamos ser o melhor; mas como nosso objetivo é libertar e não dominar, queremos 
habituá-la à livre iniciativa e à livre ação.” O instrumento dos anarquistas para 
influenciar as massas, sem estabelecimento de qualquer hierarquia ou dominação em relação 
a elas, promovendo meios libertários e igualitários, e buscando com elas uma relação de 
complementaridade, é o “partido anarquista”.[9]

Conforme definido por Malatesta (2000d: 51), o partido anarquista é uma “associação com um 
objetivo determinado e com as formas e os meios necessários para atingir este objetivo”. 
Seu objetivo é associar os anarquistas, pública ou secretamente, promover o programa 
anarquista entre as massas e potencializar sua força nesse processo. O partido anarquista 
reúne membros em torno de alguns critérios, dentre os quais se encontram a construção pela 
base – ou seja, os processos de tomada de decisão compartilhados de baixo para cima, 
autogestionários e federalistas – e a disciplina revolucionária: “a disciplina 
revolucionária é a coerência com as ideias aceitas, a fidelidade aos compromissos 
assumidos, é sentir-se obrigado a partilhar o trabalho e os riscos com os companheiros de 
luta.” (Malatesta, 1989h: 24) Outro critério relevante de união é uma certa unidade de 
posições entre os membros; a associação, portanto, não se pauta tão somente no fato de uma 
pessoa reivindicar-se anarquista, mas na afinidade concreta de posições programáticas, na 
concordância real de posições: “Gostaríamos de poder estar, todos nós, de acordo, e reunir 
em um único feixe poderoso todas as forças do anarquismo. Mas não acreditamos na solidez 
das organizações feitas à força de concessões e de restrições, onde não há entre os 
membros simpatia e concordância real”. A união, portanto, deve se dar em bases sólidas: “É 
melhor estarmos desunidos que mal unidos”. (Malatesta, 2000c: 62)

Dentre as funções do partido anarquista encontram-se as atividades de propaganda e 
educação. Malatesta (2007c: 170-172) afirma, em relação à propaganda: “Fazemos a 
propaganda para elevar o nível moral das massas e induzi-las a conquistar por si mesmas 
sua emancipação”; sobre a educação, enfatiza: “trata-se, em suma, de educar para a 
liberdade, de elevar a consciência de sua própria força e de sua capacidade dos homens que 
estão habituados à obediência e à passividade”. Deve-se notar, entretanto, que essas 
atividades devem ser feitas de maneira organizada, permanente e estratégica: “O terreno é 
demasiadamente ingrato para que sementes lançadas ao vento possam germinar e constituir 
raízes. É necessário um trabalho contínuo, paciente, coordenado, adaptado aos diversos 
ambientes e às diversas circunstâncias.” Elas devem constituir parte de um programa e 
contribuir com seu avanço.

Ainda assim, a propaganda e a educação não são suficientes: “Enganaríamos ao pensar que a 
propaganda é suficiente para elevá-los [os homens] ao patamar do desenvolvimento 
intelectual e moral necessário à realização de nosso ideal”; além disso, a proposição dos 
“educacionistas”, segundo termo do próprio autor, também apresenta essa insuficiência, 
visto que ao “propagarem a instrução”, “defenderem o livre pensamento, a ciência 
positiva”, “fundarem universidades populares e escolas modernas”, não conseguem 
transformar a sociedade, visto que, conforme visto, isso não pode ser feito tão somente 
por meio de uma mudança das consciências. (Malatesta, 2000a: 14; 2008: 193)

É necessário, segundo coloca o autor, juntamente com esse trabalho de propaganda e 
educação, investir no trabalho de base e organizativo:

“É preciso, portanto, em tempos normais, realizar o trabalho amplo e paciente de 
preparação e organização popular e não cair na ilusão da revolução em curto prazo, 
factível somente pela iniciativa de poucos, sem participação suficiente das massas. A essa 
preparação, contanto que ela possa ser realizada em um ambiente adverso, há, entre outras 
coisas, a propaganda, a agitação e a organização das massas, que nunca devem ser 
descuidadas.” (Malatesta, 2008: 31)

É importante notar que, para o autor, não se trata de idolatrar as massas ou de segui-las 
a qualquer custo. Mesmo o movimento operário e o sindicalismo, ainda que tenham 
potencialidades para o projeto anarquista, oferecem riscos, que devem ser devidamente 
ponderados. Malatesta (2011) aponta que, atuando nas “organizações fundadas para a defesa 
de seus interesses, os trabalhadores adquirem a consciência da opressão em que se 
encontram e do antagonismo que os divide de seus patrões, começam a aspirar uma vida 
melhor, habituam-se à luta coletiva e à solidariedade”. As classes oprimidas, por meio de 
sua participação no movimento operário e no sindicalismo, elevam sua consciência de classe 
e habituam-se às lutas de caráter classista, podendo mesmo conquistar melhorias 
importantes em seu dia-a-dia.

Ainda assim, as organizações populares, em especial os sindicatos, “têm uma certa 
propensão para transformar os meios em fins e para considerar as partes como sendo o 
todo”, ou seja, tendem a considerar a lutas setoriais por conquistas e mesmo as melhorias 
do capitalismo como fins em si e não como caminhos possíveis para uma emancipação 
generalizada. O reformismo e o corporativismo são riscos constantes que ameaçam as 
organizações operárias em geral e os sindicatos em particular. Tais riscos não significam 
que os anarquistas devem abandoná-los; é necessário, pois, chegar a um meio termo: 
participar desses movimentos – criando-os e fortalecendo-os – e promover, como 
anarquistas, determinados critérios e elementos programáticos que contraponham essa 
tendência e impulsionem os objetivos anarquistas. Afirma o autor: “Lamentei, no passado, 
que os camaradas se isolassem do movimento operário. Lamento hoje que, caindo no extremo 
oposto, muitos entre nós se deixem tragar pelo movimento”. Se, por um lado, o afastamento 
dos anarquistas em relação aos movimentos populares parece um equívoco, dissolver-se 
nesses movimentos também não parece acertado. “Dentro dos sindicatos”, continua, “é 
preciso que permaneçamos anarquistas”; para ele, “a organização da classe operária, a 
greve, a ação direta, o boicote, a sabotagem e a própria insurreição armada são apenas 
meios; a anarquia é o fim”. Deve-se, dessa maneira, considerar que os movimentos populares 
e suas ações constituem não os fins do anarquismo, mas meios possíveis para que os 
anarquistas promovam seus objetivos. (Malatesta, 1998: 208, 212)

Ao criar e fortalecer os movimentos de massas, segundo Malatesta, os anarquistas devem 
sustentar um conjunto de posições.

Dentre elas encontra-se a ideia de que os movimentos populares não podem estar 
programaticamente vinculados a qualquer doutrina/ideologia, mesmo que seja o anarquismo. 
Pode-se dizer que, em sua estratégia para o nível de massas, Malatesta (2011) defende 
posições que se aproximam mais do “sindicalismo revolucionário” do que do 
“anarco-sindicalismo”.[10] Por esse motivo, ele critica os casos das organizações 
anarco-sindicalistas como CNT espanhola e a FORA argentina, que terminaram, por meio de 
suas resoluções, adotando o anarquismo como sua doutrina/ideologia oficial: “Existem 
muitos companheiros que gostariam de unificar o movimento operário e o movimento 
anarquista, pois, dessa forma, seria possível dar às organizações operárias um programa 
claramente anarquista, como acontece na Espanha e na Argentina.” Tal posição é inadequada, 
segundo o autor, pois esse vínculo sindicalismo-anarquismo cinde a organização das classes 
oprimidas e enfraquece o movimento popular. Malatesta (1998: 208) enfatiza, corroborando 
essa tese: “Não estou exigindo sindicatos anarquistas, o que resultaria imediatamente no 
aparecimento de sindicatos social-democratas, republicanos, monarquistas e muitos outros, 
e acabaria por lançar, mais do que nunca, a classe operária contra si mesma.” As 
organizações populares devem, portanto, ter como fundamento a associação em torno de 
bandeiras concretas de luta, independente das posições doutrinárias e ideológicas, ou 
mesmo religiosas, daqueles que as compõem.

Além da necessidade dessa unidade nas lutas das classes oprimidas, o autor recomenda 
outras posições que devem ser sustentadas pelos anarquistas nos movimentos dos quais 
participam:

“Os anarquistas nos sindicatos deveriam lutar para que eles permanecessem abertos a todos 
os trabalhadores, qualquer que seja sua opinião e seu partido, com a única condição de 
forjar a solidariedade na luta contra os patrões; deveriam opor-se ao espírito corporativo 
e a qualquer pretensão de monopólio da organização e do trabalho. Deveriam impedir que os 
sindicatos servissem de instrumento de politicagem para fins eleitorais ou para outros 
propósitos autoritários, e praticar e defender a ação direta, a descentralização, a 
autonomia, a livre iniciativa; deveriam esforçar-se para que os organizados aprendam a 
participar diretamente da vida da organização e a não criar a necessidade de chefes e de 
funcionários permanentes.” (Malatesta, 2011)

Nessas afirmações, aponta-se a necessidade de superação do setorialismo/corporativismo das 
lutas; de atuação com independência e autonomia em relação às classes dominantes, ao 
Estado, aos interesses político-partidários e eleitorais; de promoção da prática política 
fora do Estado e mesmo contra ele; de construção do movimento pela base com participação 
igualitária e horizontal de seus membros, dando corpo a formas autogestionárias de luta. 
Malatesta sustenta ainda ser fundamental a combatividade desses movimentos, nas lutas 
pelas reformas e pela revolução.

Mesmo defendendo a necessidade das lutas de curto prazo, por reformas, Malatesta não 
deixa, por isso, de ser um revolucionário. Considera serem necessárias, para que os 
objetivos anarquistas sejam atingidos, a conquista de reformas e a pedagogia dessas lutas. 
Ele afirma, em defesa das lutas combativas por reformas: “Tomaremos ou conquistaremos as 
eventuais reformas no mesmo espírito daquele que arranca pouco a pouco do inimigo o 
terreno que ele ocupa, para avançar cada vez mais.” (Malatesta, 1989i: 146) Para ele, “uma 
pequena melhoria, arrancada com a própria força, vale mais por seus efeitos morais, e mais 
amplamente, inclusive por seus efeitos materiais, que uma grande reforma concedida pelo 
governo ou pelos capitalistas com fins astutos, ou ainda pura e simplesmente como 
benevolência.” (Malatesta, 2008: 78) Ou seja, as reformas, sendo arrancadas de patrões e 
governos, podem contribuir, dependendo da maneira como forem conquistadas, com o 
fortalecimento do projeto revolucionário das classes oprimidas. Entretanto, as lutas por 
reformas não caminham obrigatoriamente às lutas revolucionárias; os anarquistas devem 
realizar suas intervenções no sentido de fortalecer esse processo. No caso da luta 
sindical, Malatesta (1998: 210) recomenda: “O papel dos anarquistas é despertar os 
sindicatos para esse ideal, orientando-os gradualmente para a revolução social, mesmo que, 
ao fazê-lo, corram o risco de prejudicar as ‘vantagens imediatas’ que tanto parecem 
agradá-los.”


Notas:
1. Cf. Malatesta, 1998.
2. Cf., por exemplo, Malatesta, 1989a.
3. Cf. Malatesta, 2007d, 2007e.
4. Cf. Malatesta, 2004a, 2004b.
5. Para um aprofundamento da conceituação/distinção entre ciência e doutrina/ideologia em 
Malatesta, cf. Corrêa, 2013b.
6. Para um aprofundamento das noções epistemológicas de Malatesta, cf. Corrêa, 2014.
7. Para um aprofundamento do método de análise e da teoria social de Malatesta, cf. 
Corrêa, 2014.
8. Cf. Malatesta, 2008: 75, 193; 2007c: 170-171; 2000a: 14.
9. A discussão sobre o “partido anarquista” em Malatesta, ou seja, a questão da 
organização política anarquista, não apresenta uniformidade durante a vida do autor. 
Conforme apontamos em outro momento (Corrêa e Silva, 2013b), se em alguns momentos 
Malatesta defende um modelo mais programático de organização, que se aproxima em alguma 
medida das posições da “Plataforma Organizacional da União Geral dos Anarquistas”, em 
outros momentos, Malatesta defende posições mais flexíveis, que se aproximam do modelo da 
“Síntese Anarquista”, elaborada por Volin e Sébastién Faure. Neste texto, priorizar-se-ão 
as posições de Malatesta mais programáticas.
10. Para saber mais sobre essa diferenciação, cf. Corrêa, 2011, 2012.


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** Texto produzido como contribuição ao curso de extensão “Teoria Política Anarquista e 
Libertária”, realizado em 2014, na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e 
promovido pelo Observatório do Trabalho na America Latina.
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