(pt) Anarkismo.net: O medo e a manipulação da participação popular by BrunoL (en)

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Domingo, 15 de Junho de 2014 - 13:21:22 CEST


As semanas antes da Copa vêm sendo marcadas pelo protagonismo popular brasileiro. Temos 
greve de metroviários, rodoviários, professores, movimentos em defesa da moradia e a 
visibilidade dos Comitês Populares da Copa. ---- A proposta do governo, através do decreto 
que materializa a Política Nacional de Participação Social (PNPS), é no mínimo tímida e 
vista como eleitoreira por parte da oposição e da própria base do Planalto. ---- Se a 
exposição em mídia global for um parâmetro, a luta contra os desmandos da FIFA já é 
vitoriosa, sendo esta agenda veiculada em todo o mundo. Mérito de quem iniciou este 
processo contra quase todos no hoje longínquo ano de 2010. ---- Restando pouco para o 
início do evento, o país do futebol debate o calendário pré-eleitoral na tentativa de 
faturar em cima das ações de rua. A oposição tucana-udenista insiste em tentar 
deslegitimar os feitos do governo de coalizão, pautando a agenda econômica através da 
"pressão inflacionária" e o fictício regime de metas como um valor maior do que o emprego 
direto.

Da parte do governo de centro-direita (sendo no máximo keynesiano), dá-se o inverso. A 
inclusão ao mundo do consumo e emprego forma a moeda de troca mais do que suficiente para 
garantir os lucros obtidos pelos campeões nacionais.

Para a inserção do Brasil no centro do capitalismo internacional, foi feito o dever de 
casa. Somos uma potência média, um dos líderes do G-20 e estamos girando o eixo do mundo 
para as relações Sul-Sul. O problema é em casa, particularmente nas ruas.

A proposta do governo, através do decreto que materializa a Política Nacional de 
Participação Social (PNPS), é no mínimo tímida e vista como eleitoreira por parte da 
oposição e da própria base do Planalto. Minhas críticas vão ao sentido inverso daquela 
manifestada em furiosos editoriais lacerdistas e discursos à direita.

Não há problema algum em formalizar Conselhos de Participação Popular, pelo contrário. 
Quando mais instâncias de incidência direta, melhor. Se isto afronta o caduco estatuto da 
representação indireta, é porque as democracias "maduras" em geral aumentam a distância 
entre representantes e representados.

Se há algum dilema nesta proposta, é o fato dela ter vindo em ano eleitoral, para faturar 
na urna o que não foi feito em quatro anos de mandato.

O momento para enfrentar o problema era no segundo semestre de 2013, quando havia uma 
força popular na rua e disposta a avançar na democracia direta. É muito ruim para o 
movimento popular brasileiro ver mais uma reivindicação histórica sendo utilizada de forma 
eleitoreira.
Passado o pleito, a agenda popular terá de acertar contas com o governo de turno, exigindo 
mecanismos de democracia direta e o aprofundamento da PNPS.
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