(pt) uniaoan arquista UNIPA - Nacionalismos e a Disputa Imperialista na Ucrânia (en) [traduccion automatica]

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Segunda-Feira, 2 de Junho de 2014 - 10:38:51 CEST


Organizações de extrema-direita e fascistas fazem passeata em Kiev. ---- O conflito na 
Ucrânia está diretamente ligado ao aumento dos conflitos entre os principais Estados do 
Sistema Interestatal Capitalista. Por um lado, temos o contínuo processo russo de retomada 
do seu poderio, no mínimo de área de influência sobre as ex-repúblicas pertencentes a 
União Soviética. Por outro, o papel dos EUA, secundarizado pelas potências da União 
Europeia que desde a queda do Muro de Berlim e do desmantelamento soviético iniciaram uma 
política de "humilhação" da ex-potência, financiando guerras de separação, que dissolveram 
a antiga Iugoslávia e "revoluções" na Sérvia (2000), na Geórgia (2003), da Ucrânia (2004) 
e do Quirguistão (2005) que procuravam colocar no poder líderes político pró-ocidente.

     Todos esses movimentos foram criados e apoiados pelo governo norte-americano através 
de organizações como United States Agency for International Development (USAID), National 
Endowment Democracy (NED), International Republican Institute (IRI), National Democratic 
Institute for Internacional Affairs (NDI), Freedom House (FH), Albert Einstein Institution 
e Open Society Institute (OSI) financiado pelo governo norte-americano, empresas e fundos 
financeiros, como de Geoge Soros, partidos e centrais sindicais, como AFL-CIO, conhecida 
pelo apoio aos golpes na América Latina.

     No cenário interno, a Ucrânia tem a divergência dos líderes políticos e dos oligarcas 
que controlam o Estado e a economia do país, assolados por graves casos de corrupção, e a 
situação colonial histórica de submissão ao poder de Moscou. Neste sentido, as posições 
políticas internas estão diretamente relacionadas ao apoio russo ou ocidental.

A Rescentralização da Autoridade Central na Rússia

Depois do fim da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), em 1991, se 
consolidou o processo de restauração do capitalismo, finalizada por Mikhail Gorbachov, que 
se concentrou nas mãos de novos oligarcas oriundos da ultracentralização soviética. 
Verdadeiras aves de rapina que no processo de privatização formaram fortunas e passaram a 
controlar a economia local formando uma oligarquia. Enquanto isso, os trabalhadores da 
região sofreram com empobrecimento e deterioração das condições de vida. Na Ucrânia este 
processo é ainda mais forte. Somente com a ascensão de Vladimir Putin a presidência da 
Rússia em 2000 que se inicia um processo de retomada da centralização de poder no país 
através de uma forte militarização com um discurso nacionalista russo.

     A partir deste momento a Rússia passa a retomar seu protagonismo político-militar e 
econômico no sistema interestatal capitalista e tenta retomar a influencia nos países do 
Leste Europeu, da Ásia Central e uma nova política internacional de alianças. Isso foi 
feito através da aliança com a China, apesar de algumas disputas de fronteiras, com a 
formação da Organização para Cooperação de Xangai (OCX) e a formação do BRICS. Isso tem 
gerado tensões contra os interesses norte-americanos e europeus (alemães e franceses, 
principalmente).

O Movimento Euro-Maidan

A atual situação da Ucrânia está diretamente ligada: 1) aos rumos da "revolução laranja", 
de 2004; 2) a oligarquia ucraniana que controla o Estado e 3) as disputas imperialistas 
entre Rússia e Estados Unidos.

     A "revolução laranja", na verdade um golpe de Estado com apoio ocidental, impediu a 
chegada ao poder de Vitor Yanukovitch, candidato pró-Rússia. Assim, ascenderam ao poder os 
candidatos pró-ocidente, Viktor Yushchenko, presidente, e Julia Timochenko, 
primeira-ministra, que permaneceram no controle do poder central entre 2005 e 2010. Em 
2008, o governo ucraniano pediu adesão a OTAN, entretanto a ação política dos russos e a 
recusa de França e da Alemanha, com contratos militares e energéticos com Moscou, 
impediram que a Ucrânia aderisse a OTAN.

     Neste cenário, tem ressurgido as tensões entre Rússia e EUA. A tentativa 
norte-americana, com apoio da OTAN e UE, de instalar bases de misseis na Polônia e na 
Turquia tem gerado conflitos diplomáticos. Esses conflitos político-militares somam-se a 
tentativa da Turquia e da UE de instalar um gasoduto da Georgia até a Europa, para 
diminuir a dependência Europeia, principalmente, alemã, do gás russo. Entretanto, as 
condições econômicas do abastecimento de Moscou foram muito melhores, o que inviabilizou o 
projeto turco-europeu. O reestabelecimento da autoridade central de Moscou inviabilizou os 
planos do ocidente de humilhação a ex-potência mundial que busca agora reestabelecer sua 
área de influência. Não por acaso negocia a instalação de bases militares em Cuba, na 
Nicarágua, na Venezuela, no Vietnã e em Cingapura e já possui uma na Síria.

     Soma-se a esses fatores mais recentes, o problema étnico e colonial que 
historicamente marca o país e que agora divide a Ucrânia. O chauvinismo aparece como linha 
político-militar de ambos os lados, e a diplomacia russa passa a defender a intervenção 
militar a partir deste ponto de vista: a defesa dos interesses dos ucranianos de origem russa.

     A independência da Crimeia com aval Russo teve como ponto principal a manutenção da 
base naval de Sebastopol, base da marinha russa desde 1783. Além disso, a região da 
Crimeia, palco de disputo entre o império czarista, turco-otomando e austro-hungaro no 
século XIX, foi oficialmente anexada ao território ucraniano pela ex-presidente da URSS, 
Nikita Krushev, em 1953, que fez sua carreira política no país.

Os Protestos da Praça Maidan

O movimento na Praça Maidan surgiu no fim de novembro de 2013, em reação à suspensão pelo 
então presidente Viktor Yanukovich - pró-Rússia - das negociações sobre um acordo de 
livre-comércio com Bruxelas. Este acordo tende a transformar a Ucrânia numa "nova Grécia". 
O movimento na Praça Maidan se metamorfoseou. Juntando inicialmente alguns milhares de 
partidários pró-europeus, a praça se tornou, ao longo da repressão, o símbolo da revolta 
dos ucranianos de todos os tipos contra um sistema político altamente corrupto e 
oligárquico, não se diferenciando de outras revoltas que vem acontecendo no mundo. A 
própria Revista The Economist classifica o sistema ucraniano como o mais corruptos dos 
sistemas políticas surgidos da destruição da URSS. A Revolta se iniciou contra Yanukovich 
e atingiu os partidos de oposição.

     No entanto, no segundo momento os partidos de direita e de extrema direita passaram a 
ser as principais forças políticas organizativas no movimento da Euromaidan. São eles: a 
União Pan-ucraniana (Batkivshina) partido liberal pró-europeu, membro observador do 
Partido Popular Europeu (PPE) que reúne os principais partidos da direita europeia, entre 
eles a CDU (União Cristã-Democrata Alemã) da chanceler Angela Merkel; Aliança Ucraniana 
Democrática para a Reforma (UDAR), também liberal e pró-europeu, conta com apoio de 
instituições ligados aos republicanos norte-americanos e a CDU da Chanceler Alemã; o 
Svoboda, um partido da extrema-direita ultranacionalista. O Svoboda tem ligações com a 
Frente Nacional francesa, de Marine Le Pen, além de controlar uma organização paramilitar, 
os Patriotas da Ucrânia e por fim, o Pravy Sektor (Sector da Direita) uma federação de 
pequenos grupos da extrema-direita radical e fascista (Tridente, Patriotas da Ucrânia, a 
Assembleia Nacional Ucraniana - Autodefesa Nacional Ucraniana, Martelo Branco e a ala 
radical do Svoboda) que considera o Svoboda muito liberal.

     Por sua vez, o Batkivtchina, UDAR e Svoboda fizeram uma aliança primeiro 
materilializada no Grupo de Ação para a Resistência Nacional que ajudou na queda do 
governo Yanukovich e agora no parlamento com a formação da coligação "Opção Europeia", que 
reúne cerca de 250 deputados, e na formação do poder executivo, onde o Svoboda tem três 
ministros.

     Tanto do lado ocidental, como do lado Russo existem forças ultranacionalistas, que se 
utilizam do chauvinismo, característico da política de Putin na retomada da centralização 
da autoridade de Moscou. Se confrontam assim um nacionalismo ucraniano pró-europeu e outra 
o nacionalismo russo defendido pela Rússia. Assim, se colocaram na defesa da intervenção 
político-militar, como no caso da Crimeia, onde existe ainda uma minoria Tártara, e na 
defesa de todos os russos presentes na Ucrânia.

     Neste sentido, as forças ocidentais depois das contínuas intervenções militares, 
recentemente a Líbia, o Egito e a Síria, tentam se contrapor a política russa sobre a 
acusação hipócrita de sua ação política militar. Sem o aval sino-russo não há 
possibilidade, pelo menos legal, de apoio a uma operação militar da OTAN nos moldes do que 
aconteceu na Líbia. A situação europeia é ainda mais delicada, uma vez que Alemanha 
depende do gás russo, a França fechou um acordo militar e a Inglaterra tem bilhões de 
dólares em investimento financeiros na City, oriunda dos oligarcas russos que povoam Londres.

     O presidente Vitor Yanukovitch - pró-Rússia - que venceu as eleições em fevereiro de 
2010 se refugiu na Rússia. Os protestos da Euro-Maidan fizeram com que Viktor Yushchenko e 
Julia Timochenko, presa em 2011, por corrupção, fossem alçados ao posto de principais 
lideranças do país. Ou seja, uma troca da oligarquia, agora com base parlamentar de 
direita e extrema-direita apoiada por Bruxelas e Washington. Enquanto isso, os grupos 
nacionalistas pró-russos procuraram a autonomia de suas regiões sob a tutela de Moscou. A 
posição do Partido Comunista Ucraniano, que defendia o governo deposto, foi da defesa da 
legalidade e do sistema político vigente apontando positivamente para aliança com Moscou. 
Neste sentido, adotou uma linha de criação de autodefesa em torno do atual sistema e das 
estátuas e monumentos levantados pela URSS que foram sistematicamente atacados pelas 
forças políticas conservadoras.

     Aos trabalhadores não cabe a defesa de Putin ou Obama, dos nacionalistas russos ou 
ucranianos, mas a construção do autogoverno dos trabalhadores que passa pelo resgaste do 
internacionalismo, tal qual fizeram os communards, no confronto entre o Estado Alemão e 
Francês, e os trabalhadores na Revolução Russa quando adotaram a linha de destruição do 
estado czarista e do governo provisório pela Revolução Socialista.


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