(pt) Israel/Palestina: Os bastidores do presente conflito (en)

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Terça-Feira, 29 de Julho de 2014 - 16:57:24 CEST


O Egipto insiste em dissolver o domínio da ramificação da Irmandade Muçulmana que 
constitui o Hamas na Faixa de Gaza. Israel "só" quer sabotar a cedência / compromisso do 
Hamas junto da Autoridade Palestiniana na Cisjordânia. ---- O contexto político relevante 
para a situação actual começa em Novembro de 2012 com o acordo entre Israel e o Hamas 
promovido pelo Egipto (sob a «chancela» de Hillary Clinton). ---- As negociações de 
Novembro de 2012 trataram de dois assuntos: ---- 1 - um cessar-fogo entre ambas as partes 
e ---- 2 - a abertura de pontos de passagem para o trânsito de mercadorias e pessoas (os 
pontos de passagem oficiais foram "complementados" ao longo dos anos por 1500 túneis 
"ilegais" escavados por baixo da fronteira. Estes têm fornecido tudo o que os pontos de 
passagem oficiais não foram capazes de fornecer, tal como a maior parte das receitas para 
o regime do Hamas vindas de fundos de simpatizantes e impostos).

No geral - de acordo com as autoridades de segurança israelitas - o Hamas cumpriu muito 
bem com a sua parte: não abriu fogo e a maior parte do tempo procurou evitar que outras 
organizações abrissem fogo. O Hamas enviou os seus homens para tomar medidas contra as 
organizações palestinianas que pretendiam abrir fogo contra Israel, algo que muitas 
pessoas não sabem. Em troca, o Hamas esperava um abrandamento significativo do bloqueio.

De facto, isto aconteceu (embora menos do que o que foi prometido e esperado, mas pelo 
menos tolerável), enquanto a Irmandade Muçulmana esteve no poder no Egipto.

Mas, assim que Sisi tomou o poder no Egipto (no Verão de 2013) e aboliu o governo da 
Irmandade Muçulmana, as passagens foram fechadas novamente e, sobretudo, os túneis do 
Egipto - que eram a maior fonte de rendimento para o Hamas - foram gradualmente fechados. 
Ao fecharem gradualmente os túneis por de baixo de uma fronteira igualmente fechada, Sisi 
estrangulou o povo de Gaza e o governo do Hamas.

Progressivamente, a situação do Hamas piorou: por um lado, oferecia uma certa segurança a 
Israel (segurança de que o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, se orgulhava) 
e, por outro lado, o bloqueio foi piorando (chegando ao ponto em que o Hamas já não podia 
pagar salários aos funcionários do governo e aos 43.000 membros das forças militares que o 
Hamas tinha recrutado para controlar a Faixa de Gaza). Assim, o governo do Hamas ficou à 
beira do colapso. Como resultado, o Hamas diminuiu gradualmente o seu controlo sobre as 
outras organizações, o que fez com que o número de tiros de morteiros, mísseis, etc. 
aumentasse. Isto, também explica a razão pela qual reagiu às provocações israelitas com 
toda a sua força.

Foi neste contexto que o Hamas se viu forçado em fazer um acordo com a OLP / Fatah no 
passado mês de Abril. Assim, o Hamas concordou em transferir uma parte do seu poder para 
Abu-Mazen (presidente da Autoridade Palestiniana da Cisjordânia), principalmente a parte 
relativa à responsabilidade pelos salários do governo em Gaza. Há um debate entre ambas as 
partes sobre quais serão os 43 mil que continuarão nas suas posições e qual o papel dos 70 
mil funcionários da Autoridade Palestiniana que foram removidos do poder na Faixa de Gaza 
aquando da tomada do Hamas em 2007. Ao longo destes anos, têm recebido os salários de 
Ramallah para ficar em casa e agora devem voltar ao activo. Mas o ponto mais crítico que 
não está resolvido entre o Hamas e a Autoridade Palestiniana é a dívida dos salários que 
não foram pagos durante vários meses. O estatuto dos 20.000 homens das forças armadas do 
Hamas também não foi resolvido. Abu-Mazen diz que não é da sua responsabilidade e que o 
Hamas terá de o resolver.

Há uma série de problemas e assuntos inacabados neste acordo, mas o mais premente e 
imediato obstáculo é o pagamento dos salários em atraso. A condição mínima para o Hamas 
parar a luta é um retorno ao acordo anterior e reabrir todos os 1.500 ou mais túneis.

O Hamas disse ter encontrado quem iria pagar - o Qatar. Mas Israel e os poderes 
ocidentais, juntamente com os vários bancos envolvidos - cada qual, por várias razões, 
algumas justificadas e outras menos - recusaram-se em transferir o dinheiro.

A ONU ofereceu os seus serviços para resolver o problema, mas Israel decidiu bloquear a 
participação do enviado diplomático das Nações Unidas e, na verdade, vetou este canal. O 
resultado é que: dezenas de milhares de pessoas em Gaza, incluindo a segurança / o braço 
militar do Hamas, não têm recebido os seus salários há vários meses.

Como o Hamas não conseguiu parar os tiroteios das organizações dissidentes, Israel começou 
a escalar o confronto com o Hamas e, mais ainda, após o sequestro dos três jovens colonos, 
utilizando-os como desculpa (embora tenha recente e oficialmente declarado que o Hamas não 
estivera envolvido).

Neste momento, os egípcios - que procuram aniquilar o Hamas - recusam-se em voltar aos 
acordos previamente em vigor antes de Sisi começar a estrangular a Faixa de Gaza, levando 
ao compromisso do Hamas junto da Autoridade Palestiniana (acordos que Israel, por outro 
lado, provavelmente apoiará).

Apavorado pelo "acordo de unidade" que colocava em risco a continuidade das divisões entre 
os palestinianos, Israel começou a guerra com a esperança de forçar o Hamas a encontrar 
outra solução. Israel irá provavelmente apoiar essa solução, e até pode vir a ceder um 
pouco mais na questão da «abertura», uma vez que quer a continuação do governo 
independente do Hamas em Gaza, dando ao público a explicação de que a alternativa seria o 
caos ou um governo de Jihadistas.

Tanto Israel como os egípcios não querem o compromisso entre o Hamas e a Autoridade 
Palestiniana: para o Egipto, porque o compromisso salvaria o Hamas de um colapso total e 
para Israel, porque o compromisso diminuiria a capacidade do Hamas em dividir os 
palestinianos.

De um modo surreal, podemos ver a guerra não como sendo entre Israel e o Hamas, mas uma 
guerra entre Israel e o Egipto. O Egipto quer destruir o Hamas e Israel quer restaurar o 
seu poder.

Anarchists Against the Walls: http://awalls.org

Ahdut (Unity): http://unityispa.wordpress.com

Related Link: http://ilanisagainstwalls.blogspot.com/


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