(pt) Anarkismo.net: Os Brics e o novo eixo de expansão capitalista by BrunoL (en)

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Domingo, 27 de Julho de 2014 - 09:01:23 CEST


A 6ª Reunião de Cúpula dos líderes do bloco de países formado por Brasil, Rússia, Índia, 
China e África do Sul (Brics) apontou para uma realização e duas certezas. ---- O fato 
concreto é da ordem da redistribuição geográfica do capitalismo mundial. Fundar os pilares 
de um Novo Banco de Desenvolvimento e um Fundo de Contingência é um importante passo para 
sobrepor a moribunda ordem nascida em Bretton Woods. ---- Mais importante do que disputar 
espaço decisório dentro do Fundo Monetário Internacional (FMI) é compor outro organismo 
multilateral de modo a fortalecer a posição dos emergentes à frente do G-20. ---- Mais 
importante do que disputar espaço decisório dentro do Fundo Monetário Internacional (FMI) 
é compor outro organismo multilateral de modo a fortalecer a posição dos emergentes à 
frente do G-20. Especificamente, a instituição financeira pode fortalecer a posição 
brasileira para consolidar tanto o MERCOSUL como, no médio prazo, a Unasul.

Infelizmente, esta visão não é compartida pelo conjunto das elites políticas nacionais e 
nem sequer dos sócios-clientes do Estado brasileiro, como as maiores empreiteiras ou o 
agronegócio. Se fosse, esta realização - a de criar um Banco de fomento não subordinado a 
superpotência e nem a União Européia (leia-se, Alemanha e seus satélites) - seria 
consensual aqui.

Eis a primeira certeza. A de que os países médios necessitam criar mecanismos próprios, 
porque o desenvolvimento através da integração absoluta ao capitalismo transnacional é 
simplesmente inviável.

Quando os latino-americanos viviam sob tal consenso, nossas sociedades quase se 
desintegraram. O subcontinente ultrapassou os 50% de atividade informal, com o desmonte do 
setor público e os pilares do amparo social (que já eram fracos) dissolvidos. Para evitar 
o retorno a esta catástrofe societária, é positivo o fato do país líder da América Latina 
ser membro dos Brics.

A segunda certeza é inversa. Assim como os vencedores da Guerra Fria não ofereceram nada 
mais do que integração subordinada, os perdedores (Rússia e China) tampouco têm sociedades 
dignas de exemplo.

Não há relativismo que possa tolerar a ausência de liberdade política ou a total violação 
dos direitos fundamentais. A Índia, apesar de ser a maior democracia formal do mundo, é 
uma arcaica sociedade de castas. Portanto, o eixo dos Brics forma, no máximo, uma 
alternativa econômica e não a recriação de possibilidades políticas transformadoras.

A nova geografia do capitalismo mundial é o fruto indesejado da globalização vitoriosa. 
Passa pela incorporação de quase 1 bilhão de novos consumidores e o uso abusivo de mão de 
obra intensiva. Por tabela, possibilita outro ordenamento do eixo de expansão capitalista.


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