(pt) Uniaoan Arquista UNIPA - Causa do Povo nº 70 - O que é o anarquismo? (en)

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Sexta-Feira, 25 de Julho de 2014 - 08:33:49 CEST


Desde o levante popular do último ano, a mídia tem criminalizado às manifestações 
combativas, acusando trabalhadores, estudantes e a juventude de "vandalismo". Dentre essas 
acusações, ampliadas com a aproximação dos megaeventos, a associação entre "baderna" e 
"anarquistas" é bastante difundida, através de afirmações de que os anarquistas somos 
partidários do caos nas manifestações. Esta campanha de difamação é levada adiante 
principalmente pelos grandes jornais e redes de televisão, mas também interessam ao 
Governo Federal, Estadual e os partidos de direita (PSDB, PMDB, e toda a corja restante), 
assim como os ditos de esquerda (PT, PSOL, PSTU, PC do B). Para entender essa postura de 
criminalização é preciso compreender que os ataques não acontecem porque os anarquistas 
realizam atos de violência (a violência está presente nas ações da polícia todos os dias, 
mas nem por isso é criminalizada), mas por apresentarem uma alternativa de luta e 
organização para todo o povo, ameaçando a ordem burguesa, da qual depende a existência de 
todas essas instituições.

Para entender melhor é importante fazer um resgate histórico do surgimento do anarquismo 
enquanto teoria e prática para a revolução social. O anarquismo surgiu em suas primeiras 
definições no século XIX, com o pensador anarquista Pierre-Joseph Proudhon, que apontou 
que "Anarquia é Ordem, Governo é Guerra Civil!", mas teve suas formas mais acabadas 
através da sistematização do revolucionário russo Mikhail Bakunin, que defende: "liberdade 
sem socialismo é privilégio e injustiça; socialismo sem liberdade é escravidão e 
brutalidade". Portanto, o anarquismo luta pelo socialismo, pelo fim das injustiças sociais 
e econômicas, pela possibilidade de auto-organização popular, livre da exploração da 
burguesia e do Estado.

Nesse sentido, os anarquistas aplicaram suas ideias à prática através de organizações de 
defesa dos trabalhadores, nas quais os trabalhadores se unem para reivindicações 
cotidianas; e através de organizações revolucionárias. Através da luta diária contra a 
exploração, reivindicando aumentos salariais, melhores condições de trabalho, direitos 
iguais para homens e mulheres, diminuição das jornadas de trabalho, foi possível construir 
e consolidar entidades de luta dos trabalhadores em várias partes do mundo.

Sendo assim, quais os métodos para transformar essa realidade de exploração? Em primeiro 
lugar, é preciso resgatar a existência de duas classes antagônicas na sociedade: a 
burguesia, possuidora dos meios de produção (máquinas, terras, fábricas, etc); e os 
trabalhadores, que necessitam vender seu trabalho para sobreviver. Compreendendo que os 
interesses das duas classes são opostos, os trabalhadores precisam buscar seus métodos de 
organização para alcançar seus interesses imediatos. Para os anarquistas, essa organização 
se dá através da Ação Direta (que não consiste apenas em destruir ou confrontar), mas que 
é a própria capacidade de organização, criando as condições de lutas em si mesmo, ou seja, 
garantindo que as ações sejam feitas pelos próprios trabalhadores, em vez de esperar que 
sejam feitas por algum líder, Partido ou Governo.

Na defesa de um programa reivindicativo imediato, os anarquistas apontam a necessidade da 
construção da greve geral, ferramenta que demonstra o poder coletivo nacional, parando as 
produções e obrigando os patrões e governos a ceder. A greve geral demonstra a força da 
organização dos trabalhadores, e garante a vitória de reivindicações imediatas. Porém, 
embora seja profundamente importante, a luta por melhorias do dia-a-dia dos trabalhadores 
não pode ser separada da luta pelo fim da exploração do Estado e do Capital através de uma 
Revolução Integral.

A Revolução deve ser construída pelos trabalhadores, com o auxílio da teoria anarquista, e 
não ditada por um grupo destacado que se afasta do conjunto geral da classe trabalhadora 
para pensar a revolução. É necessário construir a revolução, porque todas as conquistas 
dos trabalhadores de hoje permanecerão ameaçadas enquanto existir um regime capitalista e 
enquanto existir uma classe que vive sem trabalho.

Pelo trinfo da classe trabalhadora sobre a burguesia!
Pelo triunfo da liberdade sobre a exploração!

***

Artigo publicado no Causa do Povo nº 70


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