(pt) UNIPA Jornal Causa do Povo - Edição nº 70 (Julho de 2014) Leia nesta edição + Em Defesa da Ação Direta de Massas: por um Programa de Reivindicações Populares (en)

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Quinta-Feira, 24 de Julho de 2014 - 14:56:18 CEST


Leia nesta edição: ---- Copa do Mundo da FIFA:prejuízos para a classe trabalhadora e a 
construção da greve geral  (p. 2)  ---- Estatuto do torcedor, a criminalização das 
torcidas organizadas e a elitização do futebol (p. 3) ---- Em defesa da ação direta de 
massas: por um programa de reivindicações populares (p. 4) ---- O Estado contra os 
trabalhadores (p. 5) ---- O que é anarquismo? (p. 6) ---- Eleição estatal 2014: Não vote! 
Lute! (p. 7) ---- O Imperialismo e a divisão do Iraque (p. 8) ---- Edição completa 
http://uniaoanarquista.files.wordpress.com/2014/07/cdp70.pdf ---- Os protestos e greves 
que hoje acontecem no Brasil possuem métodos e reivindicações muito diferentes dos 
sindicatos e partidos tradicionais, sejam eles governistas (CUT, PT e PCdoB) ou 
paragovernistas (PSTU, Psol e Conlutas). A ação direta foi experimentada por amplas massas 
de trabalhadores, nas ruas e nos locais de trabalho, moradia e estudo.

Mas o que é a Ação Direta? É quando o povo decide não esperar mais que outros resolvam 
seus problemas, sejam eles parlamentares, sindicalistas ou líderes. Um exemplo recente são 
os diversos setores que entraram em greve a despeito dos acordos feitos pelos 
sindicalistas traidores e demonstraram que podem conquistar mais através da luta coletiva 
e do enfrentamento direito. Não esperaram a salvação de ninguém a não ser deles próprios. 
Por isso a ação direta é mais do que ações violentas e "quebra-quebras", ela é 
autodeterminação da classe trabalhadora.

Portanto, só existe verdadeira ação direta com autonomia de partidos e patrões. Os 
partidos buscam a todo momento se apropriar das demandas populares para conseguirem cargos 
no Estado ou para sentarem nas mesas de negociação em nome dos trabalhadores. Fazem isso 
pois não acreditam realmente na mudança social pela mobilização das massas, e sim pelas 
eleições e meios burocráticos. Acreditam demais em si mesmos e não no poder do povo. É por 
esse motivo que tentam canalizar as atuais lutas para um falacioso "plebiscito por uma 
assembleia constituinte", enquanto isso, buscam "pacificar" e desmobilizar as lutas e greves.

Por outro lado, as reivindicações dos protestos romperam um corporativismo defendido a 
anos por partidos e centrais sindicais. O que as massas rejeitaram em alto e bom som foi 
esse modelo sindical, vendido como "pragmático", mas que só beneficia uma pequena parcela 
sindicalizada e integrada da classe trabalhadora e que para a grande maioria não trouxe 
qualquer direito, apenas uma maior marginalização e precarização. Por isso as 
reivindicações por educação, saúde, transporte e moradia foram tão exaltadas e devem ser 
defendidas como reivindicações classistas e coletivistas, ou seja, não corporativas..

No entanto, só existe um meio real de unificar a ação direta com as reivindicações 
coletivistas: a construção da greve geral. Para tal, a classe trabalhadora deve romper os 
grilhões que a prendem ao oportunismo e ao reformismo, que impedem a sua constituição como 
força coletiva independente e oposta a burguesia e ao Estado. Deve romper os métodos que a 
aprisionam numa oposição consentida e inofensiva, que retiram seu poder real de mudança e 
depositam em candidatos e líderes oportunistas. Deve dizer: Chega de Ilusão, É Hora de Ação!

Porém, como aprofundar e prolongar os métodos de ação direta e reivindicações 
coletivistas? Camaradas, de uma coisa temos certeza, não podemos deixar que elas se 
dispersem e se percam, é necessário que elas deságuem em um novo tipo de organização de 
massas, que crie uma nova tradição de lutas em nosso país.

Para tal, é necessário que em cada enfrentamento com os opressores e burocratas (dos 
menores aos maiores conflitos) emerja um grupo autônomo de trabalhadores dispostos a 
prolongar a experiência e resistir aos períodos difíceis da luta. Esses grupos de 
oposição, espalhados pelos quatro cantos do país, em seus locais de trabalho, estudo e 
moradia, devem se interligar em uma organização maior, de caráter Sindicalista 
Revolucionária. Camaradas, essa é a via que nós estamos construindo e depositando nossas 
forças e energias, convidamos todos para o caminho da luta e não o da conciliação.


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