(pt) União Popular Anarquista (UNIPA) - Copa do Mundo da FIFA: prejuízos para a classe trabalhadora e a construção da greve geral (en)

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Terça-Feira, 22 de Julho de 2014 - 09:31:37 CEST


A Copa do Mundo da FIFA é um grande megaevento patrocinada por grandes multinacionais 
(McDonalds, Coca-Cola, Samsung, Adidas). As estimativas são de que só a FIFA tenha um 
lucro de 10 bilhões de reais. A FIFA é uma máfia, uma família de crime organizado que 
utiliza a cultura popular, o futebol, para conseguir lucros para seus executivos. Para 
isso a FIFA conta com a ajuda dos governos que para se autopromoverem aceitam seus 
pedidos, como isenção fiscal de 12 meses e estádios totalmente disponíveis para entidade. 
A FIFA não colocou nenhum centavo em nenhuma construção e ou instalações para a copa. 
Praticamente todas elas bancadas com dinheiro público. E tudo isso também significa a 
elitização do futebol, com a expulsão dos trabalhadores pobres, principalmente jovens e 
negros, dos estádios de futebol.

     Com os Megaeventos, que se tornaram a Copa da FIFA, só no Rio de Janeiro foram 
removidas quatro mil e setecentos e setenta e duas (4.772) famílias. Nesse processo, 
bairros populares e antes esquecidos pelos governos são modernizados e os trabalhadores 
pobres expulsos. Como o caso da Zona Portuária do RJ e de Cais de Estelita no Recife. 
Empreendimentos de grandes empresas direcionados apenas para ganhar mais lucro com rendas 
imobiliárias. Nesse processo temos o encarecimento do preço dos alugueis e dos imoveis que 
jogam os trabalhadores para mais longe desses bairros. Durante a Copa aumenta os casos de 
exploração sexual, consentida pelo Estado. Além disso, o Estado aumentou a repressão e a 
criminalização das lutas para garantir o lucro dos patrões.

     Contra todas as consequências do megaevento, e não contra o Futebol, que o Levante 
Popular de 2013 ousou enfrentar o Estado e as Grandes Empresas cantando: “Não Vai Ter 
Copa”! Uma vez que a paralisação da Copa do Mundo teria efeitos econômicos e ideológicos, 
pois destruiria o mito da invencibilidade do sistema capitalista além de comprometer os 
investimentos.  E a estratégia que o levante inaugurou foi a ação direta para culminar na 
greve geral. O grito de ordem: "“é barricada, greve geral! Ação direta que derruba o 
capital”" surgiu do levante e continua nas mobilizações de ruas.

Por que defendemos a Greve Geral?

     O Estado e a burguesia, com ajuda das burocracias sindicais (CUT, CTB, Força 
Sindical, UGT, CSP-Conlutas, CGT e Intersindical) tentam controlar os protestos. Os 
governistas (PT-PCdoB) e os patrões saíram a defender o capital nacional e internacional, 
se colocando contra os protestos e a unificação das lutas das categorias. O PT e os 
publicitários criaram a palavra de ordem "Vai Ter Copa". Os para-governistas (PSOL, PSTU) 
criaram a palavra de ordem “ Na Copa Vai Ter Luta” que marca uma oposição consentida. 
Dentro da ordem. Disposta a assumir o controle do governo.

     Os partidos e centrais argumentam que os trabalhadores são a favor da copa da FIFA e 
contra os protestos e que, portanto, não se mobiliza. Os setores ligados ao PSOL e PSTU 
fingem que se mobilizam, numa espécie de luta de telecatch. Os dois partidos fizeram de 
tudo para que a campanha “"Não Vai Ter Copa”" não chegasse a diversos setores, como dos 
servidores públicos. Realizaram um encontro de cúpula para a campanha “Na Copa Vai Ter 
Luta” e impediram todas elas, como nos metroviários de São Paulo.

     Com isso, eles combateram por todos os meios a construção da greve geral. A 
estratégia da Greve Geral assusta todas as centrais e partidos. A primeira manifestação de 
uma greve geral surgida no calor do Levante ganhou os pontos de ônibus, botequins, bares, 
padarias, mercados, as estações de trem e metro do país. Logo todos os partidos e centrais 
se juntaram para impedi-la. A greve geral é estratégia principal da ação direta, de 
unificação da luta de todos os trabalhadores. Os partidos sabotaram a formação de um 
comitê intersindical de greve formado por comitês de greves à partir da base para apostar 
em plenárias de correntes sindicais.

     E nas categorias em que as centrais e partidos têm protagonismo tentaram impedir as 
greves ou fazer com que estas se adéquem ao legalismo, evitando “prejuízos” ao 
funcionamento do sistema durante a Copa (como aconteceu na greve dos rodoviários do Rio de 
Janeiro). Na realidade não é que a palavra de ordem não encontre eco entre os 
trabalhadores. Ao contrário, ela surgiu deles. Não é que seja impossível. O fato é que 
governistas e paragovernistas trabalham sistematicamente contra a greve geral. Eles 
trabalham como bombeiros para evitar que o fogo da rebelião se alastre. Que eles percam o 
controle. E aí não sirvam para mais nada. Eles são parte dos fatores que dificultam esse 
processo. Por isso combater a burocracia sindical é tão importante, por isso não basta 
lutar, é preciso construir o sindicalismo revolucionário como forma de organização de massas.


Confronto entre povos indígenas e forças policiais na esplanada dos ministérios impediu a 
visitação da taça na capital federal.


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