(pt) Coordenação Anarquista Brasileira - risões e mais criminalização marcam o final da Copa do Mundo no Brasil (fr, en)

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Sexta-Feira, 18 de Julho de 2014 - 10:04:15 CEST


Dezenas de militantes e ativistas são presos e levados para o presídio de Bangu, onde 
estão detidos. Os argumentos para esta absurda ação são profundamente ideológicos, onde os 
governos fazem utilização da violência de Estado, como a velha e conhecida política por 
outros meios. Uma operação que tem como objetivo a privação da liberdade de se manifestar 
e opinar sobre as questões sociais no país. Uma operação policial que mancha com 
resquícios de estado de exceção o momento que vivemos. Não é novidade que as polícias 
apresentam como "provas" contra os manifestantes as opções de classe dos mesmos, com 
apreensões absurdas de materiais políticos como livros, cartilhas, bandeiras (como na 
invasão da sede da FAG e nos atuais processos). Montam a partir desta grande FARSA 
acusações como formação de quadrilha ou mesmo milícia privada para atacar quem se 
manifesta contra as injustiças sociais praticadas cotidianamente contra os setores mais 
oprimidos da sociedade.

Prisões e mais criminalização marcam o final da Copa do Mundo no Brasil

Desde seu início, a Copa do Mundo foi desastrosa para os setores oprimidos do país. Sua 
elaboração já indicava a forte censura que sofreriam todos aqueles e aquelas que estão no 
caminho contrário de suas ações. A Copa, com suas leis e regimentos colocou em situação de 
risco os precários direitos dos povos do Brasil. A lista de situações de opressões é 
gigantesca e o desfecho de sua estadia aqui, deixa um "legado assombroso" em termos de 
criminalização e perseguição política que demonstra a verdadeira face do Estado e do capital.

Sabemos que as críticas que foram feitas a este megaevento surgem com as insatisfações da 
população em geral e certamente estas insatisfações encontram abrigo maior no seio dos 
mais oprimidos. A violência contra a pobreza, que já era prática constante dos governos e 
suas polícias se intensifica neste período e as comunidades padecem nas mãos de uma 
aparato repressivo e assassino, a população de rua se torna muito mais vulnerável à 
agressões daqueles que "defendem a ordem", os ambulantes, os trabalhadores informais são 
atacados e roubados pela "fiscalização Estatal" para que não possam macular as grandes 
patrocinadoras e as grandes marcas, as 250 mil famílias que perderam suas casas por 
contras das obras da Copa também estão sofrendo fortes consequências por parte desta 
política desenvolvimentista.

É importante destacar que quem mais lucrou com a Copa do Mundo no Brasil foram as 
empreiteiras, já milionárias e a própria FIFA. Estima-se que faturaram 26 Milhões de R$ 
somente dos cofres do governo Federal, sendo a Odebrecht participante de quatro estádios. 
Os empresários lucram, e os governos se beneficiam do "caixa 2" sempre utilizado pelos 
partidos da ordem, como por exemplo na obra do Maracanã onde o TCE constatou o 
superfaturamento de 67,3 milhões de reais. Sem falar que tais estádios servem ao 
entretenimento somente a elite branca do país, como demonstrado em pesquisa do Datafolha 
no dia do jogo do Chile: 67% dos que frequentaram o jogo se declararam brancos e 90% 
pertencentes a classe A, contrastando com uma população cuja 49% (9% dos que assistiram o 
jogo) da população faz parte da classe C, e que tem em sua população 56% de negros e 
pardos (autodeclarados). Tais dados não deixam dúvidas sobre, para quem foram feitos tais 
jogos.

Os movimentos populares que desde de 2013, desenham um novo cenário de mobilizações no 
país sofreram uma crescente perseguição brutal que tenta intimidar e levar até as ultimas 
consequências as estratégias de criminalização dos anseios populares. As polícias 
receberam grandes investimentos para melhor agredir a população indignada com as 
injustiças sociais. A marca constante de todos os governos, desde o início de 2014, no 
cenário das mobilizações e greves foi a intensa repressão, fazendo das suas investigações 
e acusações um passo largo para um Estado mais duro no âmbito jurídico e militar. Esse foi 
o caso das prisões realizadas em Goiânia por um processo de investigação da Policia Civil 
e em Fortaleza, assim como as prisões de manifestantes em Joinville (SC), realizadas nas 
manifestações contra o aumento da passagem, onde os detidos (alguns da Coordenação 
Anarquista Brasileira) agora começam a responder judicialmente tendo que comparecer a 
diversas audiências. Todo este sistema repressivo encontra o apoio das grandes mídias, com 
seus monopólios espalhados pelo país, cujos pilares, são importantes instrumentos para 
essa "caça as bruxas". Ferramentas potentes de criminalizar e deturpar as lutas que os 
movimentos sociais fizeram.

Os inquéritos que foram montados são provas cabais da vocação que a justiça e os governos 
tem para acossar os militantes e seus movimentos políticos. Todas as medidas utilizadas 
pelas polícias com o aval da justiça são infames. Em 2013 a grande repressão que sofreu as 
ruas já deixaria muita gente lesada de suas garantias de manifestações, assim como, 
colocou na cadeia sem prova reais algumas pessoas. Neste ano, com o início da Copa vários 
estados do país são violados com buscas e apreensões e na última semana apresentam uma 
lista gigante de mandados de "prisões temporárias" para o Rio de janeiro.

Dezenas de militantes e ativistas são presos e levados para o presídio de Bangu, onde 
estão detidos. Os argumentos para esta absurda ação são profundamente ideológicos, onde os 
governos fazem utilização da violência de Estado, como a velha e conhecida política por 
outros meios. Uma operação que tem como objetivo a privação da liberdade de se manifestar 
e opinar sobre as questões sociais no país. Uma operação policial que mancha com 
resquícios de estado de exceção o momento que vivemos. Não é novidade que as polícias 
apresentam como "provas" contra os manifestantes as opções de classe dos mesmos, com 
apreensões absurdas de materiais políticos como livros, cartilhas, bandeiras (como na 
invasão da sede da FAG e nos atuais processos). Montam a partir desta grande FARSA 
acusações como formação de quadrilha ou mesmo milícia privada para atacar quem se 
manifesta contra as injustiças sociais praticadas cotidianamente contra os setores mais 
oprimidos da sociedade.

As medidas tomadas pela (in)justiça brasileira que acata e ordena as prisões é vergonhosa 
e sabemos que não podemos esperar nada de diferente vindo destas instituições; nossa 
tarefa é denunciar amplamente o desmanche que esta ocorrendo com os precários direitos dos 
povos deste país. A escalada de violência policial e a criminalização dos pobres atinge 
diversos setores da luta sindical e popular, como a demissão de 41 Metroviários em SP e a 
multa de R$ 355 milhões contra seu Sindicato. Some-se a isso, as recentes 169 demissões 
dos trabalhadores temporários do IBGE, que estavam em greve e os inúmeros mandados de 
prisões emitidos no Rio de Janeiro e São Paulo.

Esses inúmeros casos que não param de crescer, nos exigem muita atenção e uma forte 
campanha de solidariedade entre os setores da classe oprimida. No contexto de prisões e 
perseguição a esquerda combativa e independente de patrões e governos precisa atuar 
conjuntamente em denúncia sobre estas tremendas violações.

Precisamos cercar de solidariedade quem esta tendo sua liberdade privada, abrir fortes 
campanhas para denunciar que hoje, o direito de manifestação e organização que está sendo 
atacado com fortes golpes de cassetes, balas e gás lacrimogêneo. Precisamos continuar 
construir alternativas e uma estratégia de massas nesse momento de ataque das classes 
dominantes. Para isso, é necessário empoderar organismos sindicais de base, movimentos 
populares e movimentos rurais, independentes de patrões, burocracias e governos.

Que as milhares de pessoas agredidas e assassinadas pelo Estado não sejam esquecidas, para 
que os grevistas não se sintam sozinhos, para que todos os manifestantes e militantes não 
sejam mais criminalizados e para que as prisões não fiquem impunes, colocamos nossa 
modesta, mas convicta SOLIDARIEDADE DE CLASSE e nosso compromisso de denunciar ao mundo 
estas aberrações cometidas pelos governantes do Brasil, hoje comandados pelo Partido dos 
Trabalhadores (PT) que acomoda o interesse dos ricos com a forte repressão aos pobres e 
lutadores.

Continuaremos a luta companheiras e companheiros!

Pela liberdade imediata de todos os presos políticos!

Protestar não é crime!

Não Passarão!


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