(pt) Anarkismo.net: Brazil, A disputa do Estado e a corrida eleitoral by BrunoL (en)

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Domingo, 13 de Julho de 2014 - 19:39:21 CEST


Com o início da campanha eleitoral, a análise política vinculada aos interesses 
majoritários tem de identificar o centro nervoso do manejo dos recursos coletivos. É ali 
que se que se atinge a base da pirâmide social brasileira. ---- No momento em que escrevo, 
a taxa Selic bate 10,9% quando o índice necessário, caso o intuito realmente fosse para 
equalizar com a inflação, seria entre 5% e 6%. ---- Não se trata de maniqueísmo, pois 
seria leviano igualar os governos de FHC com Lula e Dilma. E, seria ainda mais 
irresponsável posicionar à esquerda a proposta do lulismo. Vejamos por que. ---- O modelo 
implantado pela aliança PSDB-PFL (hoje DEM) teve três pilares: privatizações das empresas 
estatais, abertura da economia para o capital financeiro e "flexibilização" das leis 
trabalhistas. Para sua proposta, o tucanato foi bem sucedido.

Já os mandatos de Luiz Inácio e da substituta de José Dirceu na Casa Civil não chegaram a 
reverter o modelo por completo. Se o fizessem, teriam de proibir as terceirizações; abrir 
auditoria e reverter o processo de venda das estatais (como no caso da Vale) e diminuir as 
manobras do mercado de capitais.

A opção foi de centro-direita, através do jogo de "ganha-ganha". Neste, o andar de cima 
fatura com o investimento em níveis razoáveis (média de 18% em comparação aos 25% dos 
mercados emergentes) e - como em todo país capitalista que se leve a sério - sendo 
devidamente financiado pelo banco de fomento (no caso, o BNDES).

A massa fatura por tabela, com o emprego direto e o ingresso no mundo do consumo através 
do crédito.

Não é pouco se comparado aos terríveis anos '90. Mas, a distância entre as maiorias e o 
lócus decisório ainda é enorme.

O Banco Central (e o Conselho de Política Monetária), assim como as pastas da área 
econômica, operam de forma insular. Seguem uma lógica quase autônoma, subordinadas 
diretamente aos grandes operadores do mercado de capitais e banqueiros.

O combustível para acumulação rentista está na taxa Selic. No momento em que escrevo, esta 
bate 10,9% quando o índice necessário, caso o intuito realmente fosse para equalizar com a 
inflação, seria entre 5% e 6%.

O estímulo a ciranda financeira faz da rolagem da dívida o principal fator de acumulação 
para grandes conglomerados econômicos. Estes, por serem detentores de saldos disponíveis, 
aplicam nos títulos públicos.

Já os bancos, além de obterem recursos quase sem custo algum faturam em dobro, ao lucrar 
no rendimento dos papeis e balizar as taxas de juros impostas às micro e pequenas 
empresas. Quem paga a conta? Toda a sociedade.

Se temas como este não entrarem na campanha, não se discute o poder para além da troca do 
governo de turno.

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