(pt) Movimento Passe Livre Florianópolis - Santo Juninho, o prefeito milagreiro! (en)

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Segunda-Feira, 7 de Julho de 2014 - 10:03:52 CEST


Nas últimas semanas, a população de Florianópolis tem sido apresentada a uma série de 
inovações no transporte coletivo. Tem projeto de Teleférico no Maciço, Tarifa Social para 
o povo, redução no preço das passagens, Passe Livre pros estudantes pobres e muita 
tecnologia no novíssimo SIM (Sistema Integrado de Mobilidade). Será que a prefeitura 
resolveu finalmente tomar vergonha na cara?! É um milagre?! ---- Sabe de nada, inocente! 
---- Relembrar é viver. Como foi que tudo isso aconteceu? Ano passado, foi lançado o 
edital de licitação do transporte. Este apresentava claras indicações de fraude, limitando 
a concorrência. Isso quer dizer que só as mesmas empresas de sempre - que prestam um 
serviço porco há mais de 80 anos - poderiam concorrer a licitação. Dito e feito: com o 
novo nome de Fênix, essas empresas ficam com o direito de explorar o transporte da cidade 
por mais 20 anos. A lógica estrutural do sistema também permanece intacta: o transporte 
continua sendo visto como mercadoria. A demissão de 350 trabalhadores é a primeira medida 
para aumentar o lucro. Os cortes de linhas e os ônibus cada vez mais lotados fazem parte 
desse sistema que não está nem aí para os usuários. Não foi apresentada nenhuma proposta 
para a integração com a região metropolitana, onde mora quem mais sofre com o preço das 
tarifas e as péssimas condições nos ônibus. A verdade é que o prefeito é mesmo um cagão e 
só fez foi garantir o lucro das empresas. Assim como a pintura nova disfarça os ônibus de 
sempre, o papinho da tecnologia tenta esconder que de novo esse sistema não tem é nada. 
Mas pra não dizer que não falamos das flores do SIM...

A aparição dos 15 centavos.

Para alegria geral do povo, o prefeito resolveu abaixar a tarifa imediatamente! Que 
maravilha! O problema é que, nesse caso, a própria população esta pagando essa redução. 
Epa! Como assim? Quando a tarifa estava custando R$2,90 (dinheiro) e R$2,70 (cartão) o 
subsídio era de 28 centavos por passageiro. Esse valor é pago pela prefeitura aos 
empresários para aumentar ainda mais o lucro das empresas usando como desculpa o custo das 
isenções (idosos, pessoas com deficiência, etc.). Ou seja, o passageiro pagava R$2,90 e a 
prefeitura R$0,28, totalizando um total de R$3,18. Agora com a passagem a dinheiro 
custando R$2,75 o subsídio da prefeitura subiu para 42 centavos, ou seja, R$2,75 + R$0,42 
dá um total de R$3,17. Isso quer dizer que deixamos de pagar diretamente alguns centavos e 
passamos a pagar mais através do subsídio. A redução real da passagem foi de um mísero 
centavinho. Essa redução por aumento do subsídio poderia ter sido feita antes e não é 
resultado de licitação nenhuma. Mas toda redução é válida, né? Só que o edital da 
prefeitura diz que as empresas podem aumentar as tarifas todos os anos.

A sagrada Tarifa Social.

Hoje, a chamada Tarifa Social já é aplicada em linhas que circulam nos locais com maior 
concentração de famílias de baixa renda. Essas linhas são geralmente sucateadas e não 
possibilitam que os moradores paguem o mesmo valor para outras regiões da cidade, 
prendendo as pessoas no trajeto casa - trabalho - casa. A nova Tarifa Social, de R$ 1,75, 
vai valer para quem tem renda familiar de até 3 salários mínimos. Dessa forma espera-se 
que essas pessoas possam circular em todas as linhas (não metropolitanas) pagando esse 
valor. Mas, se realmente existe interesse em se melhorar o acesso à cidade, porque não 
tornar a Tarifa Social um direito? Como benefício, bastará essa gestão acabar para a 
Tarifa Social estar à beira da morte, levando com ela o Passe Livre estudantil para 
estudantes de baixa renda. Além disso, ao instituir a Tarifa Social a prefeitura reconhece 
que o transporte coletivo, na capital, é para os pobres. Com isso, segue a sua mania feia 
de privilegiar as políticas de incentivo ao uso de carros, criando filas cada vez maiores.

Abençoado seja o Passe Livre.

O Passe Livre estudantil foi aprovado na Câmara em 2004, graças às manifestações e muita 
insistência da população de Floripa. Naquele momento, o projeto de lei foi aprovado na 
câmara, porém vetado durante as férias escolares por um desembargador que inventou que a 
medida era inconstitucional. Essa mesma proposta, de Passe Livre estudantil universal e 
irrestrito, para todos os estudantes da cidade, depois foi aprovada no Distrito Federal 
graças à luta popular. O Passe Livre que a prefeitura defende agora, atrelado à Tarifa 
Social, além de excluir outros estudantes que também precisam, não é um direito, mas 
somente um benefício, que poderá ser retirado quando for conveniente. Se o prefeito não 
fosse um covarde, ampliava o passe livre para o povo e o transformava em um direito.

Bendito teleférico nas alturas.

Outra novidade santa é o tal do Teleférico que vai ser construído no Maciço do Morro da 
Cruz e que custará uma bagatela de dois milhões de reais por mês em subsídio. O teleférico 
terá somente 3 estações: centro, alto do morro e UFSC. A questão é: quanto será que vai 
custar a passagem? Alguns estudiosos do sistema de mobilidade já indicaram que com o mesmo 
valor seria possível colocar várias linhas novas de ônibus para atender a população do 
Maciço, com a vantagem de ter vários pontos de parada e caber muito mais gente. No Rio de 
Janeiro um projeto muito parecido foi implementado no Morro do Alemão e o resultado é que 
o Teleférico de lá só tem servido para os turistas.

Oremos!

Esse é um debate extenso e cabe a nós, população da Grande Florianópolis, conhecer melhor 
as propostas e participar ativamente das decisões que tocam as nossas cidades. Nós, do 
Movimento Passe Livre, estamos de olho e temos uma boa memória. Ao lado do povo lutamos 
para conseguir um transporte mais digno e uma cidade mais justa. Nós temos memória e não 
nos deixamos enganar com esses sermões fuleiros do prefeito que só quer é garantir o lucro 
das empresas de transporte, já que o grande Deus desses caras é o dinheiro!
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O que é o MPL?
O Movimento Passe Livre é um grupo de pessoas comuns que se juntam há quase uma década 
para discutir e lutar por outro projeto de transporte para a cidade. Estamos presentes em 
várias cidades do Brasil e lutamos pelo democratização efetiva do acesso ao espaço urbano 
e seus serviços a partir da Tarifa Zero!



O MPL:

Não somos ligados a nenhum partido ou instituição. O MPL é um movimento social 
independente e horizontal, o que significa que não temos presidentes, dirigentes, chefes 
ou secretários, todos tema mesma voz e poder de decisão dentro dos nossos espaços. Nós 
acreditamos que não devemos esperar por iniciativas e ações de políticos e empresários, e 
que somente a organização e iniciativa popular pode conquistar modificações realmente 
significativas na sociedade. É o povo, somente ele,que tem o poder e a vontade necessária 
para mudar as coisas e construir um transporte, uma cidade e mesmo um mundo diferente. 
Isso ficou claro em 2004e 2005, quando ocupamos as ruas de Florianópolis por dias, até que 
o aumento absurdo das tarifas fosse cancelado. A mesma ideia se confirmou em 2013, quando 
nos mobilizamos em várias cidades do país e conquistamos algumas melhoras importantes para 
o transporte: como o revogamento das tarifas em várias capitais e a inclusão do transporte 
como direito social básico.

Pensamos na mudança da sociedade através da mudança na lógica da mobilidade urbana com a 
implementação da Tarifa Zero. Não queremos que os ônibus tenham catracas, que impedem 
tanta gente de ir e vir em todas as grandes cidades do Brasil e que hoje excluem 37 
milhões de brasileiros que não podem pagar as tarifas do transporte coletivo . Mas sabemos 
que só isso não basta. Além da exclusão pelo transporte,há desigualdades entre brancos e 
negros, homens e mulheres, ricos e pobres.Temos um mundo inteiro para reconstruir! A 
catraca que o MPL repudia é também simbólica. Existem catracas invisíveis por todas as 
partes, impedindo acesso pleno aos espaços e serviços. Precisamos juntos destruir todas 
elas. Pela luta queremos construir um mundo em que não haja nenhuma catraca!



A Tarifa Zero:

A Tarifa Zero é o meio mais prático e efetivo de assegurar o direito de ir e vir de toda 
população nas cidades.Essa ideia tem como fundamento o entendimentode que o transporte é 
um serviço público essencial, direito fundamental que assegura o acesso das pessoas aos 
demais direitos fundamentais, como asaúde e a educação.

Com o crescimento sem planejamento das cidades, o acesso à saúde, àeducação, ao lazer, ao 
trabalho, entre tantos outros, ficou extremamentecomplicado, custando além de muito 
dinheiro, várias horas do nosso dia. Nas grandes cidades os deslocamentos são uma 
necessidade diária, pois sem eles a vida social ficaria inviabilizada.

Nos locais mais distantes dos grandes centros, o acesso aos direitos fundamentais só pode 
ser concretizado através do transporte coletivo. E para assegurar que o conjunto da 
população possa desfrutar desses direitos,o transporte precisa ser público e gratuito. 
Caso contrário, as pessoas quenão tem dinheiro para pagar a tarifa não poderão chegar aos 
seus destinos e exercer os seus direitos.

A Tarifa Zero será feita através de um Fundo Municipal de Transporte, que utilizará 
recursos arrecadados pelo município, em escala progressiva, ouseja: quem pode mais paga 
mais, quem pode menos paga menos, e quem não pode, não paga. Esses recursos são 
basicamente o IPTU e o ISS. O IPTU de bancos, grandes empreendimentos, mansões, hotéis, 
resorts, shoppings,etc., será aumentado proporcionalmente, para que os setores mais ricos 
da cidade contribuam de maneira adequada, distribuindo renda e garantindo aexistência de 
um sistema de transportes verdadeiramente público, gratuito e de qualidade, acessível a 
toda a população, sem exclusão social.


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