(pt) Anarkismo.net: A Copa do Mundo e o poder de agendamento - 2 by BrunoL (en)

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Domingo, 6 de Julho de 2014 - 10:05:24 CEST


No artigo anterior desta série abordei as relações evidentes entre futebol e política 
eleitoral. Neste texto, observamos o agendamento do evento anunciado superando a 
capacidade da ação de massas e as convocatórias de protestos através dos Comitês Populares 
da Copa e grupos afins. ---- Os brasileiros odeiam a FIFA e compreendem o modus operandi 
de suas articulações globais.  ---- Todo analista deve expor seus pressupostos e não 
confundir os desejos com a sociedade concreta analisada. Assim, reconheço ter tido maior 
expectativa em relação aos atos de rua logo ao fim do verão, prevendo um ápice por meados 
de maio e adentrando no calendário da Copa do Mundo. Tal não aconteceu por algumas razões, 
as quais elenco três. Inicio com o processo de criminalização dos organizadores e 
ativistas, reforçado com o espetáculo de pirotecnia midiática advindo com a morte do 
cinegrafista da TV Bandeirantes no Rio, antes do carnaval.

Como uma parte das forças à esquerda que organizavam os atos tinham (e têm) interesses 
eleitorais, o decréscimo na convocatória veio junto da opção tática de retirar-se da cena 
oportunamente. Após o ato do MPL em São Paulo, já durante o torneio da FIFA, tal escolha 
tornou-se linha nacional e verticalmente vem sendo seguida.

A segunda razão é a ausência de reivindicação concreta e possibilidade de conquistas 
imediatas. Por mais que tenha havido um nefasto intento de "seqüestrar a pauta" ao final 
de junho de 2013, a vitória do não aumento da passagem em algumas capitais de estado e 
conquistas como passe livre metropolitano foi o fruto da massificação da luta pelo direito 
à cidade. Trata-se do modelo brasileiro de fazer política.

O texto legal do Estatuto das Cidades é o acúmulo de duas décadas de movimentos sociais 
urbanos liderados na luta pela moradia e condições de vida. Uma vez posto no papel, os 
direitos materializam-se quase que na marra, forçando a agenda dos dirigentes e diminuindo 
a margem de lucro dos concessionários. Agora, com a bola rolando, as remoções de famílias 
e desmandos da Lei Geral da Copa não foram suficientes para levar multidões às ruas.

A terceira e última é a mais óbvia. Os brasileiros odeiam a FIFA e compreendem o modus 
operandi de suas articulações globais. Mas, a massa ausente dos estádios tem no futebol 
uma parte fundamental de sua cultura popular, atravessando a pirâmide social e forjando a 
identidade nacional. Com a ausência de sentido comum, somada com o abuso do aparato 
repressivo, a maioria dos brasileiros talvez expresse sua capacidade de mobilização para 
depois da Copa e antes do início da campanha eleitoral.

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