(pt) Federação Anarquista Gaúcha - FAG - Pensamento E Batalha nº 02 - Jan. 2014

a-infos-pt ainfos.ca a-infos-pt ainfos.ca
Sexta-Feira, 24 de Janeiro de 2014 - 21:19:34 CET


"Para teorizar com eficácia é imprescindível atuar" ---- Nesta 2ª edição do Pensamento e 
Batalha, veículo de comunicação teórico-ideológico da Federação  Anarquista Gaúcha - FAG, 
trazemos a 1ª parte do texto intitulado "Revolução e Poder Popular" publicado como anexo 
no Documento "Wellington Gallarza e Malvina Tavares",  trabalho conjunto por uma teoria 
política libertária realizado por nós da FAG e pela Federação Anarquista Uruguaia - FAU. 
Editaremos a 2ª parte desse texto em uma próxima edição do PeB. ---- Reflexões em torno da 
Revolução e do Poder Popular ---- A natureza das relações de dominação denunciadas pela 
crítica anarquista e o modelo de sociedade libertária que constitui o central de nossa 
proposta impõe uma problemática evidente.

Por um lado temos observado que cada sistema de organização social, em maior ou menor 
medida, gera as condições necessárias para sua reprodução e conservação, e as margens para 
a mudança são mantidas pelo mesmo sempre dentro do seu marco institucional. Por outra 
parte é evidente que a realização da sociedade libertária só é concebível a partir de uma 
transformação radical das relações de poder ou, o que dá no mesmo, a desestruturação dos 
aparatos de Estado e o desmonte do poder capilar em favor de uma concepção inédita do 
poder político. Esta problemática, então, é a que vincula
dois temas fundamentais: a revolução e o poder popular.

O anarquismo luta por uma ruptura revolucionária porque sem ela é absolutamente impossível 
recorrer o caminho de construção final de uma sociedade socialista e libertária, tal qual 
a concebemos.

   O processo revolucionário,  por sua vez, na mesma medida que favorece a desarticulação 
dos aparatos de dominação é o que abre caminho para a construção do  poder popular, 
concebido no nosso  ponto de vista como o poder revolucionário protagonizado  pelas 
organizações populares.

Poder Popular esse em que o político e o social adquirem uma nova articulação que o 
assegura.Sem sua realização e permanência não pode haver poder popular real.

Ruptura Revolucionária

Assegurar a viabilidade de realização do poder popular, tal qual o temos definido desde 
nossa ótica específica, está relacionado com uma definição determinada da ruptura 
revolucionária. Esta definição constitui um dos núcleos fundamentais do debate estratégico 
da esquerda latino-americana e dela dependem tanto o curso que  possa seguir o processo 
revolucionário como as características concretas que assumam as ações de confronto com os 
órgãos repressivos do Estado. Nesse sentido, como anarquistas concebemos a ruptura 
revolucionária em termos de um desenlace popular (insurreição).A opção por um desenlace 
popular se justifica na medida que implica uma maior, mais ampla e mais decisiva 
participação das organizações populares.

Não restam dúvidas de que as possibilidades de construção socialista se fortificam em 
proporção à participação popular e se debilitam se os eventos revolucionários são 
concebidos exclusivamente de um ponto de vista bélico ou militar, como a simples colisão 
de dois exércitos antagônicos.

A amplitude e delicadeza do tema requerem maior desenvolvimento. Mas para os efeitos do 
que aqui centralmente nos interessa, serve por agora esta definição.

A construção do poder popular

Como já dissemos, nós  propomos uma estratégia de  poder popular. O poder não deve ser 
confundido com o governo. O poder reside no controle sobre os meios de  produção de bens 
(fábricas, campos, minas, etc..), sobre os meios massivos de comunicação (diários, rádios, 
canais de televisão), nos serviços (transporte, energia, obras sanitárias, comunicações, 
etc..), nos mecanismos centralizados de decisão (recursos estatais de condução política), 
nos mecanismos de repressão e coação (Exército, polícia, judiciário, etc...) e, 
finalmente, nas estruturas ideológicas que justificam a dominação de classe. Deve ser 
agregado um poder capilar, disseminado através de toda a sociedade, que pode ter 
capacidade de reproduzir valores e instituições do sistema.

A natureza complexa do  poder obriga a adotar diretrizes estratégicas igualmente 
complexas. Frente a uma estratégia do poder estabelecido destinada a perpetuá-lo, deve se 
opor uma estratégia das classes oprimidas destinada a construir  poder popular. A 
concretização do  poder popular requer a preparação das organizações de classe destinadas 
a assumi-lo e a assunção destas organizações com a tarefa que lhes corresponde 
desempenhar, pois edificar o poder popular não significa que os elementos constitutivos 
sejam conquistados por uma nova classe dominante, supostamente representativa dos 
interesses dos trabalhadores. A experiência histórica estaria desqualificando esta opção 
autoritária. Não se trata de colocar o nome de poder  popular as velhas e conhecidas 
formas de ação política e de representação que excluem o povo de toda instância de decisão 
fundamental. Portanto, não se trata simplesmente de tomar das classes dominantes o atual 
poder político centralizado, e sim de difundi-lo, descentralizá-lo nos organismos 
populares, de transformá-lo em outra coisa.

De transformá-lo em uma nova estrutura político-social.Tomar o poder é tomar o poder nas 
fábricas, nos campos, nas minas, nas oficinas, nas escolas, nos hospitais, nas centrais 
elétricas, nos meios de comunicação, nas universidades. E o poder é dos trabalhadores e do 
povo quando os organismos são por eles controlados; são amplamente democráticos e 
participativos; e quando os assumem apropriando-se das funções tutelares exercidas desde a 
esfera estatal. É por isso que uma estratégia de poder popular deve ter como premissa 
essencial a construção desses organismos e esta é a tarefa política chave que desde já 
está jogando um  papel de primeira ordem na determinação se o futuro revolucionário será 
socialista e libertário ou não será. Por isso que a derrota da ordem capitalista e 
autoritária, por um autêntico poder popular, está se  jogando todos os dias, em relação a 
como se orienta e concretiza o trabalho político e social  permanentemente.

Assim, criar ou recriar, fortalecer e consolidar as organizações operárias e populares e 
defender seu protagonismo é ir fecundando, passo a passo, o único socialismo possível. Um 
socialismo em liberdade, onde todos os avanços que hoje conhecemos sejam postos a serviço 
de um melhor e humano funcionamento social que  beneficie o povo todo.
  (CONTINUA...)


More information about the A-infos-pt mailing list