(pt) Declaração pública do VI Congresso da FAG (en)

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Sexta-Feira, 28 de Fevereiro de 2014 - 07:41:20 CET


Nós militantes anarquistas politicamente organizados na FAG, reunidos no final de 2013 em 
nosso VI Congresso Geral, vimos compartilhar aos nossos simpatizantes e ao conjunto da 
esquerda combativa a presente declaração, composta de análise do período histórico em que 
vivemos; programa mínimo para forjar unidade entre os debaixo e a esquerda combativa, 
dando uma expressão política e noção de conjunto para avançar na correlação de forças e 
enfrentar o modelo dominante caracterizado; e elementos de uma estratégia operativa para a 
presente realidade em que nos inserimos e militamos enquanto anarquistas.
Caracterização do período (texto completo em breve)
A caracterização que realizamos esteve centrada em entender os elementos interdependentes 
que configuram o núcleo duro do sistema de dominação capitalista em sua atual forma, que 
entendemos ser a do capitalismo financeiro. Dessa forma, buscamos marcar em grandes linhas 
esses elementos a nível de América Latina e em menor grau a nível mundial.
Entendemos que o período possui fortes e singulares acontecimentos que condicionam uma 
variação no modelo. De um lado as lutas pela desestabilização dos regimes repressivos no 
mundo árabe, as mudanças vividas pela América Latina em mais de uma década e recentemente 
as massivas mobilizações em dezenas de cidades do país; de outro, o 11 de Setembro, as 
guerras imperialistas no Afeganistão e no Iraque e o golpismo financeiro levado a cabo por 
instituições corporativas e governos. O sistema capitalista volta a atravessar crises, 
conflitos e questionamentos que condicionam ajustes em seus mecanismos de poder. Nada 
indica que estamos às portas de uma mudança revolucionária, mas é verdade que vivemos um 
período mais agitado, em que se está quebrando o silêncio, a resignação e o medo.

Guerra do gás, Bolívia - 2003
Estão em curso grandes lutas e protestos populares pelo mundo, nos quais a juventude tem 
participado com força e os trabalhadores defendido seus direitos, respondendo, em cada 
lugar, a distintas pautas, fatores e inquietudes, todos derivados do mesmo sistema. Ao 
mesmo tempo indicam, por sua ocorrência em várias regiões do globo, descontentamentos - 
uma experiência rica dos povos, uma produção de idéias e representações coletivas que 
podem abrir novas possibilidades.
Na América Latina, Os EUA não encontram o mesmo alinhamento regional à sua política 
imperialista. Não podemos dizer, no entanto, que seu poder esteja questionado. Há sim 
níveis de influência distintos nas suas diferentes esferas de atuação (política, 
econômica, militar e ideológica). No entanto é permanente sua tentativa de manter e 
ampliar seu poder no quadro geopolítico mundial. Acreditamos que também não é possível 
dizer que estaria se formando um Bloco contra hegemônico ao neoliberalismo composto pelos 
países ditos progressistas no continente latino-americano. Apesar das suas 
particularidades internas, todos estão inseridos na lógica da atual etapa de capitalismo 
financeiro. Portanto, não está correta a análise que trata de forma homogênea ou sob o 
signo de uma mesma estratégia os partidos de formação nacionalista-reformista ou de 
centro-esquerda que em mais de uma década tem chegado aos governos da América Latina. Se é 
certo que muitos deles foram alçados por um vivo sentimento popular de rejeição ao modelo 
do neoliberalismo e em um contexto de rebeliões populares que derrubaram governos na 
Bolívia, no Equador e na Argentina e que conquistaram uma forte posição dos movimentos 
sociais na cena política contra as políticas de privatizações, desemprego e corte de 
direitos, também é correto que a trajetória de seus governos em nenhum momento colocou em 
cheque o núcleo duro do sistema.

Resistência indígena em Bágua, Peru contra o Plano IIRSA
No lugar comum da realidade regional, os países sul-americanos aderem ao Plano de 
Integração da Estrutura Regional Sul-Americana (Plano IIRSA) e independente da estampa dos 
governos, "progressistas" ou alinhados com o imperialismo, ambos os modelos têm levado a 
cabo os projetos desse plano, com um discurso comum de "desenvolvimento econômico e 
integração dos povos". Contudo, entre os efeitos desses projetos estão: o favorecimento 
das transnacionais a partir da exploração dos bens naturais do continente (água, minérios, 
biodiversidade, hidrocarbonetos); a devastação ambiental e a destruição de comunidades 
tradicionais; a dependência dos países aos organismos financiadores dos ditos projetos de 
desenvolvimento.
Grosso modo, em que pesem as continuidades das estruturas, estratégias e políticas 
econômicas estabelecidas pela mão de governos e instituições que fazem o papel conservador 
dos lacaios de sempre, ou os refluxos e a decepção em relação às fantasias criadas pelo 
mecanismo eleitoral, pode-se reconhecer variantes que têm atualidade e apresentam outros 
desdobramentos. Ao longo de sua história, o capitalismo não tem se apresentado sempre com 
a mesma cara: tem logrado realizar ajustes exigidos pela situação geral para fazer a 
gestão das suas crises; tem feito um jogo criativo com suas estruturas fundamentais para 
dar continuidade a seu domínio, às injustiças, misérias e desigualdades brutais que 
historicamente o acompanham. Esse tempo mais perturbado, mais nervoso e conflitivo, que 
traz problemas urgentes para o controle do poder dominante, definitivamente não vai acabar 
com o sistema pela força das coisas - o sistema não tem tendência para se liquidar assim. 
Considerar os momentos, a correlação de forças de um período, os problemas que debilitam 
uma estrutura de dominação sempre inserta no antagonismo social é uma condição para uma 
atuação política mais decisiva.

Lula e a Burocracia Sindical
No Brasil, visualizamos que dos anos Lula pra cá o sistema variou seu modelo. Sem dúvidas, 
o modelo operativo que está em curso, no quadro de uma inflexão importante em toda região, 
tem características determinadas por uma re-acomodação dos elementos do sistema para sua 
incorporação social mais efetiva. Isso é levado a cabo em um período que traz esperanças, 
confusões, buscas, e apresentam-se em cena meios de mudança, curvas, frustrações. Já 
dissemos: está em jogo um criativo modo de articulação que conserva o núcleo duro do poder 
fora da mira de projetos radicais e trata de sua reprodução por mecanismos mais 
frescos.Chamamos isso de engenharia do pacto social, em que o PT ao alçar o governo o faz 
a partir do compromisso com as estruturas do poder e as classes dominantes, articulado com 
a cooptação burocrática de organizações tradicionais da classe trabalhadora e de esquerda 
pelos aparelhos do Estado. Essa engenharia compromete, sob o argumento da defesa do 
desenvolvimento do país, governo, empresariado e as burocracias dos movimentos sociais. 
Desse modo a administração do PT distingue-se por avançar em pautas que as autoridades 
burguesas de outro momento não puderam fazer: congelamento salarial, reformas da 
previdência, trabalhista e ajustes fiscais no setor público, cortes no investimento 
social, paralisação da reforma agrária, desregulação ambiental e favorecimento de novas 
modalidades privatistas de gestão das coisas públicas.
Junto a isso, a emergência da produção de discursos dominantes no corpo social - com 
efeitos de verdade nas instituições e práticas mundanas - que validam idéias de uma 
solução nacional conciliadora, na qual figuram o Estado pactuador, o crescimento econômico 
e a ascensão social. No marco desses discursos é propagandeado um Brasil de pleno emprego, 
que reduziu a pobreza e a extrema miséria formando um país de classe média. São discursos 
cotidianos, que naturalizam os fundamentos históricos da violência e da exploração da 
formação capitalista brasileira, constituem um sujeito social relativamente integrado 
pelas formas do consumo, das ajudas do governo, etc. e formam uma estrutura 
ideológico-cultural que atua em sentido de promover uma percepção de melhores condições de 
vida, sem, no entanto, haver alteração da violenta estrutura das desigualdades sociais do 
Brasil. É funcional a esse "modelo operativo" uma adesão popular muito expressiva às 
estruturas do poder, aos seus mecanismos de conservação e reprodução e uma técnica de 
assimilação e/ou debelamento dos conflitos com os setores organizados da luta de classes.

Sérgio Cabral, Eike Batista e Dilma Rousseff
A continuidade do capitalismo brasileiro, sujeito ao controle de mercado dos grupos 
transnacionais e colocando o país em um lugar de destaque no sistema mundial como grande 
produtor e exportador de commodities, possui, contudo, uma variante no modelo econômico, 
que alguns estudos vêm chamando de neodesenvolvimentismo. Entre outros aspectos, em 
virtude da participação do Estado brasileiro no incremento de subsídios e na indução do 
crescimento econômico.
O divisor das jornadas populares de junho

Jornadas de junho, 2013 - SP
O povo fez dias de luta no país que se fizeram irreprimíveis em junho. A luta por um 
transporte público coletivo, que é organizada por militantes de esquerda de um movimento 
social que leva anos, e a indignação com relação aos altos gastos dos Mega Eventos (Copa 
das Confederações, Copa do Mundo, Olimpíadas...) em detrimento de outras áreas como saúde, 
educação, etc. deu vez a um turbilhão de demandas que latejavam na vida neurótica, 
precária e estafante dos setores médios e populares. Esta rebelião popular que reclama 
seus direitos pela força das ruas acusa, sobretudo, o mundo podre dos lucros privados, a 
impunidade das elites e a usurpação dos bens comuns e traz na bagagem a confusão e as 
incertezas gestadas numa nova experiência com a política, com um imaginário nos protestos 
que sacodem o mundo, muito apoiada aos modos de interação e reconhecimento social que 
produzem as novas tecnologias de comunicação. O povo em conceito amplo não opõe classe 
contra classe e joga na cena dos acontecimentos uma disputa de ideias, de valores e 
projeto social para atuar criticamente, com uma concepção classista em dia com a formação 
social brasileira dos tempos que vivemos. Contudo, não temos dúvidas que o movimento que 
vem debaixo é o terreno mais fértil para fazer luta de classes, construir democracia 
direta e desenvolver músculos para uma estratégia de poder popular.
É preciso fazer com que os sindicatos de base, os instrumentos de organização da classe 
trabalhadora e os movimentos sociais do campo e da cidade tomem um lugar nas mobilizações 
e ajudem a construir um programa para lutar e unir a frente dos oprimidos.O governismo, a 
colaboração de classes e as burocracias partidárias e sindicais jogam água no moinho da 
reação. A desmobilização e o burocratismo nas filas da classe trabalhadora, a fragmentação 
do mundo da pobreza e a coalizão dos partidos governistas na vala comum da democracia 
burguesa deu passagem para direita ensejar planos, de fora e de dentro do governo.

Jornadas de Junho, 2013 - Porto Alegre
Na gestação dessa nova correlação de forças a luta contra o aumento das tarifas do 
transporte coletivo é a expressão mais articulada de uma avalanche de sentimentos e 
demandas reprimidas que extrapolam os controles dominantes da sociedade brasileira. Há uma 
saturação do modelo capitalista aprofundado nos últimos 10 anos pela versão 
neo-desenvolvimentista dos governos do PT. Esse modelo prometeu um Brasil grande e moderno 
à custa de uma deterioração brutal do meio ambiente, dos espaços públicos e das condições 
de vida e de trabalho do povo trabalhador e da juventude.
Para nós, o período aberto é, portanto, de resistência com viés combativo. Em nosso 
entendimento trata-se de um padrão do conflito social e das lutas de classes em nosso 
país. Por este conceito, sem referência com velhos esquemas que sugerem um traçado reto e 
linear do processo social-histórico, queremos representar um cenário político para os 
fatores de cambio social e os elementos característicos de uma correlação de forças na 
sociedade.  Aqui consideramos determinadas características do movimento social e popular 
assim como o grau de ocorrência, amplitude e radicalidade das ações e lutas do conjunto 
das classes oprimidas.
Num primeiro momento precisamos considerar que a luta das classes oprimidas e do projeto 
socialista passa uma etapa de refluxo, de reestruturação dos meios organizativos, de ações 
dispersas e fragmentárias que não alcançam formar um conjunto com elementos ideológicos e 
programáticos que façam um antagonismo forte ao sistema. Uma parte importante dos setores 
populares, das organizações e dos sindicatos embarcam nas velhas promessas do crescimento 
econômico e se curvam para as ideias do neo-desenvolvimentismo. Há uma crise de movimento 
social, de organizações de base, de forças acumuladas pela luta que superem atos 
espontâneos e alcancem a ação federada. Estão seriamente ajuizadas pela história recente 
as estratégias de esquerda que buscam mudanças sociais por dentro das instituições 
funcionais as relações do poder dominante. O tempo é de divisão de águas, ajuste de lentes 
para pensar as condições e possibilidades da relação de forças do momento. Exige 
capacidade de inserção de um projeto finalista revolucionário no interior dos problemas e 
conflitos deste presente histórico. Trabalho de base entre as demandas populares que não 
são absorvidas pelos controles do modelo capitalista, na direção de um povo forte, de 
práticas de ruptura que favoreçam a construção histórica de um sujeito antagonista as 
estruturas do capitalismo.

Porto Alegre, 2013
Contudo, têm emergência na cena dos acontecimentos históricos, ventos novos que nos 
provocam uma leitura mais matizada, elementos conflitivos com certo peso ideológico que 
tem abertura para um passo diferente. Assim, buscamos nesse processo uma acumulação de 
forças combativas que até então estava fora de nosso panorama. Por isso uma etapa de 
resistência, embora com um viés combativo.
Um Programa mínimo
Ao longo dos últimos anos, em nossa construção nacional (através do processo de construção 
da Coordenação Anarquista Brasileira - CAB), discutimos e apontamos um programa mínimo 
como panorama para as lutas deste período. Um programa resultante de uma interpretação e 
seleção das grandes pautas que atravessam nossa formação social, de uma mirada para 
construir uma saída por esquerda que logre criar e unir forças sociais para enfrentar o 
modelo dominante que caracterizamos. Intento de demarcar amigos e inimigos ao longo de 
temas centrais que definem as regulações da vida social, o espaço comum onde atua a 
política e as relações de poder. Pois é certo que não temos as forças e a capacidade para 
pelear sozinhos nesta direção, e tampouco temos tamanha pretensão sectária.
Há um conjunto de críticas, propostas e ações que emanam deste período do capitalismo, das 
lutas de classe, de práticas sociais de resistência aos seus governos de turno e toda 
sorte de estruturas de dominação que podem se articular como um programa de soluções 
populares. Nisso devemos estar, favorecendo como uma pequena força de combate um caminho 
próprio, de baixo pra cima, fora dos controles institucionais e do colaboracionismo de classe.
O programa mínimo busca fazer um painel comum entre as lutas de baixo e as organizações 
socialistas para organizar as demandas da frente dos oprimidos e acumular antagonismo 
social para avançar até uma nova correlação de forças, abrir espaço para uma alternativa 
de poder popular. Não é um programa de governo, mas um programa para forjar unidade pelas 
lutas e dar uma expressão política, uma noção de conjunto, uma posição de força na pauta 
nacional que se liga com nossas ideias de criar um povo forte.
(a) Trabalho, salário digno e previdência
Redução da jornada de trabalho sem perdas salariais e trabalho digno com direitos sociais. 
Contra a farsa da meritocracia e o engodo da produtividade. Salário mínimo de acordo com 
as necessidades básicas previstas na constituição e contra o aumento do custo de vida.
Defesa de uma previdência pública com reajuste digno para os aposentados e contra o 
mecanismo da Desvinculação das Receitas da União (DRU), que desvia recursos da Seguridade 
Social para a dívida pública e falseia o déficit da previdência. Contra os mecanismos de 
privatização da previdência e a especulação financeira com os fundos de pensão.
Defesa do fortalecimento e da autonomia política das entidades de base dos trabalhadores e 
pela manutenção do direito a greve. Contra a fragmentação da representação sindical e a 
criminalização dos sindicatos.
Acompanhamento e solidariedade à luta dos trabalhadores da Europa e da América do Norte, 
posicionando-se contra os cortes nos direitos trabalhistas, em especial, as mudanças na 
previdência.

(b) Educação
Aumento dos investimentos na escola básica (creches, educação infantil, ensino fundamental 
e médio) e combate aos problemas de falta de estrutura (merenda escolar, bibliotecas 
adequadas e outros recursos) e à precarização do trabalho na educação. Contra o fechamento 
das escolas urbanas e rurais.
Combate às políticas de mercado aplicadas pelo Plano Nacional de Educação (PNE), voltadas 
para a precarização e a privatização da educação pública.
Participação das comunidades na gestão escolar e a ampliação da educação superior, técnica 
e tecnológica, de caráter público, gratuito e sem precarização. Ampliação e implementação 
de políticas efetivas de assistência estudantil que garantam o acesso e a permanência. Fim 
do socorro financeiro com dinheiro público destinado às universidades particulares através 
do Programa Universidade para Todos (PROUNI) e do Fundo de Financiamento Estudantil 
(FIES), e que esses recursos sejam aplicados na ampliação qualitativa das vagas nas 
universidades públicas.
Produção de ciência e tecnologia com controle social. Ampliação de cursos superiores em 
parceria com os movimentos sociais com controle político e pedagógico dos próprios movimentos.
(c) Saúde
Aplicação das verbas obrigatórias na saúde pela União, estados e municípios.
Ampliação do Sistema Único de Saúde (SUS).
Enfrentamento das empresas privadas, fundações e Organizações Sociais (OS) nas áreas da saúde.
6% do PIB à saúde pública sem intermediação privada.
(d) Reforma urbana, direito a cidade e plano de moradia
Contra o regime privatista das Parcerias Público-Privadas e a concessão de créditos do 
BNDES para os grandes capitais, as obras do PAC e os megaeventos como a Copa do Mundo e as 
Olimpíadas, que promovem a segregação do espaço urbano.
Combate à especulação imobiliária e à usurpação privada do direito à cidade. Defesa da 
função social do solo urbano. Desapropriação de prédios e terrenos devolutos para 
programas de moradia popular que atendam os milhões de populares sem moradia própria, com 
planos de construção por sistema de mutirão, cooperativas e autogestão.
Contra os programas de "limpeza social" dos centros urbanos e os despejos realizados por 
razão dos megaempreendimentos e megaeventos esportivos como a Copa do Mundo e as Olimpíadas.
Defesa intransigente de uma política de transporte verdadeiramente público, gratuito e de 
qualidade, que garanta o direito à locomoção dos mais pobres e dos desempregados nas zonas 
urbanas e rurais. Rechaço à mercantilização do transporte, com gestão pública e 
participação popular.
Defesa de uma política que priorize o transporte coletivo em detrimento do individual, com 
incentivo dos meios alternativos.

(e) Reforma agrária e combate ao agronegócio
Reforma agrária contra o latifúndio e as monoculturas extensivas do agronegócio e produção 
sem o uso de agrotóxicos e transgênicos, que envenenam os trabalhadores do campo e demais 
consumidores. Garantia de condições para efetivação da reforma agrária e limite da 
propriedade privada da terra.
Métodos de produção agroecológicos que priorizem a gestão popular da produção agrícola em 
harmonia com o meio ambiente. Controle das sementes pelos trabalhadores do campo: contra a 
propriedade e a patente das sementes por empresas do agronegócio.
Demarcação de territórios indígenas, quilombolas e apoio às comunidades pesqueiras e 
demais comunidades tradicionais.
(f) Reforma tributária e ruptura com os agiotas da dívida pública
Rompimento com o mecanismo perverso da dívida pública, que paga altos juros para os 
agiotas do mercado financeiro e corta políticas públicas e gastos sociais para os pobres. 
Implementação de uma reforma tributária com taxação dos ricos e não dos pobres.
Ruptura com os agiotas da dívida pública, que consome quase metade do orçamento público, 
com maior investimento dessa verba na saúde e na educação.

(g) Direitos humanos
Abertura efetiva dos arquivos da ditadura e condenação dos torturadores e mandatários dos 
crimes de Estado nesse período.
Contra a criminalização da pobreza e do protesto e pelo fim do extermínio de pobres. Pelo 
reconhecimento da dívida social com os povos negros e indígenas.
Fim da opressão nos presídios: contra a violência e tortura aos presidiários e contra a 
revista vexatória dos visitantes. Fim dos manicômios e do encarceramento de pessoas com 
transtornos mentais.
Fim da violência contra as mulheres e direito a elas para o atendimento público e ético no 
Sistema Único de Saúde (SUS) para o aborto. Combate ao machismo, à homofobia e defesa da 
livre orientação sexual e dos direitos da criança e do adolescente.
(h) Democratização da comunicação e combate aos monopólios
Controle popular sobre o sistema de comunicação e fim dos monopólios da comunicação.
Comunicação popular e liberdade de expressão, incluindo direito à livre transmissão das 
rádios e TVs comunitárias. Contra a criminalização imposta pela ANATEL e a burocratização 
das outorgas.
Contra o cerceamento de liberdade e o controle de informações na internet.
(i) Participação e protagonismo popular
Direito de convocação popular de plebiscitos e referendos deliberativos para as decisões 
estratégicas do país, efetivando-se diretamente, em questões como dívida pública, limite 
da propriedade e livre comércio.
Contra a repressão institucionalizada e a criminalização dos movimentos sociais e do 
protesto popular.
Fortalecimento da ação direta, da construção pela base e da ampla participação popular nos 
movimentos sociais.
(j) Meio ambiente, petróleo e bens naturais a serviço do povo
Fim dos leilões da Petrobrás e anulação das privatizações. Modelo público para as reservas 
de petróleo do pré-sal, sem partilha com os capitais privados e com investimento das 
receitas em políticas públicas de trabalho, direitos sociais e moradia.
Decisão e controle popular das fontes e reservas energéticas. Contra políticas 
desenvolvimentistas que investem na construção de hidrelétricas implantadas de maneira 
autoritária e com conseqüências funestas para as populações e com graves impactos 
ambientais e sociais. Por um modelo energético a serviço do povo.
Contra o plano IIRSA e o saque aplicados por empreendimentos como os megaeventos, os 
megaportos e as hidrelétricas, em detrimento dos anseios populares.
Contra a privatização da água, do petróleo e dos bens naturais.
(l) Anti-imperialismo e direito de autodeterminação dos povos
Retirada imediata das forças de ocupação brasileiras no Haiti.
Alerta permanente contra os golpes das oligarquias e do imperialismo sobre os países da 
América Latina, dando apoio resoluto aos processos de mudanças de bases populares que são 
experimentados ao longo do continente, independente da política de seus governos.
Denúncia contundente da militarização do continente, sobretudo a partir das bases 
militares na Colômbia e das políticas que criminalizam o protesto popular e as comunidades 
tradicionais.
Defesa do direito de resistência dos povos.
Uma estratégia operativa para a presente realidade

Contudo, não acreditamos que apenas a análise do período e um conjunto de pautas 
programáticas possibilitem mudar a atual correlação de forças. Necessitamos de definições 
que assinalem um caminho estratégico que permita uma maior aproximação ao nosso objetivo 
finalista que é o da transformação social por meio de uma revolução social. Nesse sentido, 
nosso VI Congresso entende necessário e decisivo a médio/longo prazo a construção de uma 
estrutura catalizadora do movimento dos trabalhadores e os setores populares; uma 
federação das lutas assentada em organizações de base que possa conduzir com vocação 
classista pelas lutas de massa a defesa de um programa mínimo. No entanto, essa estrutura 
não pode ser forjada por decreto ou desde cima. Trata-se de um processo de acúmulo de 
forças e de organicidade em que seremos um dos protagonistas. De nossa parte, proposta 
militante para ligar o espectro das lutas sociais que confrontam com o modelo dominante do 
capitalismo brasileiro com um programa mínimo de soluções populares, ajudando na forja de 
unidade de baixo pra cima para criar um povo forte que imponha na cena nacional uma nova 
correlação de forças pra aplicar um projeto de transformação social. Uma linha de trabalho 
que favoreça, concorra e apoie a gestação de uma nova estrutura de massas, catalizadora do 
poder social das classes oprimidas, articulada pelas bases, que não se integre nas vias 
burocráticas dos controles institucionais burgueses.
Assim, acreditamos que a atual conjuntura necessita de um espaço comum compartilhado por 
aqueles que lutam. Sua construção e consolidação será, assim, nossa modesta contribuição 
nesse primeiro momento. Um espaço que tenha a capacidade de ser uma construção coletiva e 
programática que reúna setores combativos com base em movimentos sociais, coletivos e 
formações urbanas e rurais, sindicatos e oposições, organizações estudantis, grupos de 
cultura e mídia independente, que vá superando as debilidades próprias do processo popular 
dos últimos meses, como o fato das mobilizações de rua se valer de mecanismos de rede 
social e associações virtuais e efêmeras que não enraizaram as lutas em organizações de 
base com pautas construtivas no cotidiano.
Essa é a nossa aposta e o nosso esforço. E esse é o convite que fazemos aos setores 
combativos que querem construir uma saída desde baixo e à esquerda.

VI Congresso Geral da Federação Anarquista Gaúcha - FAG
Dezembro de 2013
Retirado de: http://www.federacaoanarquistagaucha.org/?p=290


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