(pt) Federação Anarquista do Rio de Janeiro - Falecimento do anarquista Manuel Ramos (en)

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Segunda-Feira, 1 de Dezembro de 2014 - 10:58:27 CET


Publicamos a mensagem do companheiro Marcolino Jeremias, membro da Biblioteca Carlo 
Aldegheri sobre o falecimento do anarquista Manuel Ramos. ---- Fiquei sabendo AGORA do 
falecimento do companheiro anarquista Manuel Ramos, no dia 10 de Dezembro de 2013, ou 
seja, quase 1 ano atrás. ---- Manoel Ramos vivia sozinho no Rio de Janeiro (sua 
companheira havia falecido precocemente, pelo que eu fiquei sabendo) e isso, de certa 
forma, explica essa notícia ter demorado tanto em nos chegar. ---- Lembro que da última 
vez que liguei para ele (uns 5 anos atrás ou mais), ele estava com uma voz muito cansada e 
logo pediu para desligar o telefone. Fiquei sem jeito de ligar outras vezes, com medo de 
incomodá-lo. ---- Para quem não sabe quem foi ele, segue uma breve biografia que escrevi 
agora, no calor do momento.

Manuel dos Santos Ramos nasceu em Alentejo (Portugal) em 1928, aos 13 anos mudou-se para 
Lisboa, onde trabalhou como aprendiz de carpinteiro, depois como empregado em mercearia e, 
por fim, como escriturário.

Em 1954, aos 25 anos, mudou-se para o Brasil, onde trabalhou como guarda-livros.
Convidado pelo militante comunista português Vitor Ramos (que na época morava no Brasil), 
foi um dos fundadores do jornal "Portugal Democrático" (que existiu de 1956 à 1975), e 
tinha como principal objetivo denunciar os crimes da ditadura de Salazar (Portugal) no Brasil.

Por volta de 1958, através da distribuição do jornal "Portugal Democrático" conhece o 
militante anarquista português Roberto das Neves, que na época organizava a Editora 
Germinal e também era um ativo militante contra o regime ditatorial de Salazar.
Desde essa época, inicia a sua militância anarquista, colaborando com as atividades do 
Centro de Estudos Professor José Oiticica (C.E.P.J.O.; 1958 - 1969), chegando a fazer 
parte da diretoria do mesmo, juntamente com sua companheira, Victória Ramos.
Juntos vão atuar com militantes anarquistas que viviam no Rio de Janeiro nesse período, 
tais como: Fernando das Neves, Afonso Vieira, Francisco Viotti, Seraphim Porto, Diamantino 
Augusto, Edgar Rodrigues, Esther Redes, Ideal Peres, Manoel Mattos, Enio Cardoso, Raul 
Vital, Germinal Bottino, entre outros...

O Centro de Estudos Professor José Oiticica teve uma atuação anarquista durante doze anos 
consecutivos (cinco deles sob a repressão da ditadura militar brasileira, 1964-1985), até 
ser invadido, assaltado e fechado pelas forças armadas. Militantes anarquistas foram 
presos, acusados e denunciados.

O processo durou até 30 de novembro de 1971 e Manuel Ramos foi um desses anarquistas 
processados.

Em 1977, Manuel Ramos e Victória Ramos, fizeram parte do grupo libertário que ajudou na 
reativação da Editora Mundo Livre, iniciando esse trabalho com o lançamento do livro 
"Trabalho & Conflito: As Greves Operárias (1900 - 1935)" de autoria de Edgar Rodrigues.
Nesse mesmo período, ainda durante a ditadura militar, Manoel Ramos distribuía o jornal 
anarquista "O Inimigo do Rei" (1977-1988), em cerca de 30 bancas de jornal no bairro do 
Botafogo, no Rio de Janeiro.

Conheci pessoalmente o companheiro Manoel Ramos, quando ele já tinha mais de 70 anos. 
Cheguei a trocar algumas cartas e livros com ele.

Ele participou do lançamento do livro "Rebeldias - Volume 3", em 2005, no Centro de 
Cultural Social de São Paulo. E nesse mesmo ano pude fazer uma entrevista com ele no Rio 
de Janeiro, em sua casa. Além de outros encontros que tivemos.
Manuel Ramos deixa um grande vazio no movimento libertário & um belo exemplo a ser seguido !!!

* Organização Integrante da Coordenação Anarquista Brasileira

https://anarquismorj.wordpress.com/2014/11/27/manuel-ramos/


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