(pt) Rafael Braga: mais uma vítima do terrorismo de Estado brasileiro by FARJ (en)

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Domingo, 31 de Agosto de 2014 - 10:42:21 CEST


Nós, assim como muitos militantes revolucionários não temos nenhuma ilusão com a justiça 
burguesa. Sabemos que a justiça é racista e classista da ponta dos pés aos fios de cabelo 
e funciona segundo um sistema de dominação. Sabemos que sempre os negros e mais pobres que 
são julgados, condenados e presos, isso quando não são assassinados pela Polícia Militar 
(que é a instituição que aplica a pena de morte para pobres e negros no Brasil). Sabemos 
que a justiça só pode ser pressionada com a luta popular organizada, que ocupa as ruas e 
faz aqueles que estão no poder serem colocados contra a parede. Sabemos que as prisões, 
foram feitas, como diria o anarquista Piotr Kropotkin, para extinguir todas as qualidades 
que torna um ser próprio para a vida social e que o primeiro dever da revolução, "quando 
as relações do capital e do trabalho tenha se alterado radicalmente" será o de "acabar com 
esses monumentos de hipocrisia".

rafael2Mas o fato é que a condenação de Rafael não foi a única (até o momento) à toa. Os 
trabalhadores e a juventude negra sempre foram os mais atingidos pelo genocídio promovido 
pelo Estado brasileiro. E a condenação desse jovem, desempregado, morador de rua e negro 
visa dar um recado para juventude e o povo. É a conta da fatura de junho de 2013, batendo 
a porta e sendo paga da maneira mais dura, pelo setor que mais é atingido pelo capital e 
pelo Estado.

O que se espera nesse momento é que o conjunto da esquerda não esqueça Rafael Braga e 
trabalhe ativamente pela sua libertação. Essa não é uma tarefa de uma única organização ou 
movimento social, mas sim, do conjunto dos lutadores. A vigília, que reuniu apenas algumas 
dezenas de pessoas ao invés de centenas, poderia ter sido muito mais efetiva se parte da 
esquerda, ao invés de apostar as fichas em suas campanhas eleitorais, estivesse reforçando 
a solidariedade de classe. Mas precisamos retratar a realidade de fato como ela é: 
raramente a esquerda eleitoral faz luta durante as eleições. Mesmo com o discurso de que 
"lutam nas urnas e nas ruas" ou de que estão construindo "o poder popular", o que se vê na 
maior parte das vezes nesse período é a militância partidária jogar energia apenas na 
campanha de seus candidatos, esvaziando assim, a luta real. E é essa luta real, justamente 
essa, a de organização e articulação do povo, de ocupação das ruas, praças e avenidas, de 
mobilização e marchas que muda a realidade. A esquerda, sabemos, também tem seus 
corporativismos, seus privilégios, seus "vícios" e raramente quer debatê-los de maneira 
franca. Muitos sindicatos, que poderiam ter encampado e dado peso a essa luta, por 
exemplo, desapareceram. Isso acontece pois determinadas burocracias sindicais estão mais 
preocupadas com suas próprias demandas. As greves de solidariedade, comuns na memória do 
sindicalismo combativo e revolucionário, hoje são apenas uma pálida lembrança do passado.

Entretanto, a autocrítica deve ser mais ampla. O número de pessoas que se mobilizou por 
Rafael Braga, de fato foi muito menor do que em outros momentos da luta, o que levou 
grande decepção aos presentes no TJ dia 26 que esperavam grandes mobilizações. Todos nós 
devemos refletir sobre isso. Como diz o ditado: "estamos juntos, mas não totalmente 
misturados". E os que tem menor visibilidade militante recebem, proporcionalmente, menor 
solidariedade de classe.

Que a solidariedade de classe ultrapasse as diferenças. Que possamos continuar 
pressionando pela libertação de Rafael Braga! Essa derrota também é nossa. Mas a caminhada 
também.

A justiça não é cega nem neutra! Ela é burguesa!
Libertem Rafael Braga!


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