(pt) Anarrkismo.net: Marina e o lulismo que só perde para si ou sua dissidência - 2 by BrunoL (en)

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Quarta-Feira, 27 de Agosto de 2014 - 15:36:36 CEST


Marina Silva, ex-senadora pelo PT do Acre, ex-ministra do Meio Ambiente (MMA) durante o 
governo de Lula e ex-candidata a presidente como um enxerto no Partido Verde no pleito de 
2010, está arrancando nas contestadas pesquisas de intenção de voto da segunda metade de 
agosto de 2014. Restando menos de 45 dias para a apuração de 1º turno, Marina cresce com a 
exposição permanente, sem críticas - em função do velório de Eduardo Campos e a comoção do 
país na sequência -, conseguindo esconder quase totalmente, as fragilidades de seu 
programa de governo. ---- Marina Silva e Neca Setúbal, na velha conciliação de classes 
brasileiras, a dissidência do lulismo opera sob o manto do capital financeiro baseado no 
Brasil. ---- Vale uma observação antes de seguir. Este analista e a publicação Estratégia 
& Análise não necessitam fazer juras de convicção política pela democracia radical, 
substantiva, direta e participativa. Portanto, é desnecessário afirmar que, neste momento 
de tensão política nacional, nos alinhamos mais à esquerda, para além do cenário 
eleitoral. Dito isso, nos resguardamos ao direito da crítica sem parecer que estamos em 
campanha e tampouco confundindo análise com a relevante propaganda das ideias políticas de 
câmbio. Todo este reforço na posição editorial de E&A e de quem aqui escreve resulta 
necessário para as linhas que virão.

Marina conseguiu transparecer na superfície, algumas fragilidades que podem cobrar caro no 
final do 1º turno e na arrancada da segunda volta. Para ajudar nesta análise, reconheço a 
sabedoria política de Gustavo Gindre - disparado o melhor blogueiro do pensamento crítico 
brasileiro contemporâneo. Lendo e relendo suas postagens e comentários, observo o seguinte 
padrão de comportamento político, a partir de um fato singular.

Marina tem como assessor de confiança ao ex-secretário-executivo do MMA na gestão da 
acreana, João Paulo Capobianco. Cruzando a entrevista dada por este operador ao jornal 
Valor Econômico em 26/08/2014 (uma joint venture entre os grupos Globo e Folha), ficou 
nítida a escolha de não confrontar em nada aos interesses constituídos, mesmo aqueles que 
seriam programáticos. Se nada é programático então tudo é possível. Não há problemas em 
apoiar e dar sustentação para atividades econômicas da agricultura de escala, mesmo que 
estes sejam devastadores aos biomas do Centro-Oeste e da Amazônia Legal. Se Marina e seu 
grupo de assessores diretos proclamam que não vão mexer nem naquilo que seria a coluna 
vertebral do programa de governo, então não vai alterar nada que fira interesses diretos 
dos grandes agentes econômicos.

O descolamento - anunciado e já reforçado - da estrutura partidária e a personalização de 
auxiliares diretos implicam em rodear Marina Silva de um seleto grupo de confiança 
pessoal. Sem um programa de governo, a tendência do Executivo é se equilibrar, 
contemplando interesses diversos e tentando fazer uma ampla coalizão. Algo parecido com o 
governo Itamar Franco antes do Plano Real. Na prática, governar sem programa é aplicar um 
programa de terceiros, ou aceitar a imposição da pauta de quem ocupa o andar de cima na 
política e na economia brasileira.

Mais preocupante é a relação simbiótica com Neca Setúbal, sua estrategista de campanha e 
herdeira do Grupo Itaú. Reforça esta preocupação a pendência impositiva quando da fusão do 
banco controlado pela família Moreira Salles (Unibanco) pela instituição financeira da 
família Setúbal. A Receita Federal vai precisar brigar - e muito - para executar esta 
cobrança sob qualquer novo mandato presidencial. Mas, se a presidente for a "melhor amiga" 
da devedora, e operação fica ainda mais difícil. Tais sintomas elencados acima indicam 
que, como operadora da "nova política", Marina Silva segue os passos de outros 
arrependidos dos dias em que militavam pela base e por esquerda.

Seu exemplo vale como produto eleitoral, mas é só. Tem serventia aos excelentes 
publicitários em campanha, aqueles e aquelas atendendo pelo neologismo de "marketeiros", 
magos do isolamento do processo eleitoral, descolando-o do processo político. 
Infelizmente, podemos ter a primeira mulher de origem humilde na Presidência, seguindo o 
padrão do fundador do lulismo. A ex-senadora também opera para acomodar as tensões 
sociais, mas com menor ímpeto distributivo do que Lula e menos capacidade executiva que Dilma.

A louca direita brasileira tem em Dilma sua melhor opção, em Aécio a liquidação de si como 
classe dominante e em Marina uma incógnita.


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