(pt) UNIPA, VIA combative #3 A Instrução Integral e a crítica bakuninistaa pedagogia libertária

a-infos-pt ainfos.ca a-infos-pt ainfos.ca
Domingo, 13 de Abril de 2014 - 15:40:27 CEST


1. A Instrução Integral ---- A Educação é uma peçachave para a humanidade sair cada vez 
---- mais da sua condição de aanimalidade e rumar para sua liberdade. A educação enquanto 
sistematização do pensamento é um processo que concatenado com o trabalho conforma as 
bases da sociedade socialista futura para Mikhail Bakunin. ---- Esse modelo educacional, 
que conforma o conhecimento teórico e o saber prático do mundo do trabalho foi denominado 
pelo Revolucionário de instrução integral e visa à junção entre o trabalho e a educação. 
Pois para o pensador russo a escola deve abarcar a esfera das ciências propedêuticas e o 
contato com trabalho laboral. Só por meio dessa instrução integral a sociedade conseguirá 
formar homens integrais que possam desenvolver tanto a ciência como trabalhos 
braçais/industriais.
	
  "A instrução deve ser igual
em todos os graus para todos;
por conseguinte, deve ser inte-
gral, quer dizer, deve preparar
as crianças de ambos os sexos
tanto para a vida intelectual
como a vida do trabalho, visan-
do a que todos possam chegar a
ser pessoas completas." (BAKU-
NIN, 2003, p. 78)

A instrução integral seria des-
ta forma, a possibilidade propos-
ta por Bakunin, da formação que
abarcasse a instrução intelectual e
manual. O modelo educacional que
não aumentasse o fosso entre os
que pensam e os que trabalham
na humanidade. Um modelo edu-
cacional que possibilitasse a todos
desde sua tenra infância o contato
equitativo com o saber teórico, e o
trabalho manual, que seria, para o
autor, também um saber prático.

A instrução integral é o con-
  ceito central de Bakunin no que se
  refere à educação. Neste, o autor
  vai defender que a igualdade en-
  tre os homens só pode existir de
  fato quando todos tiverem acesso à
  mesma instrução. A instrução inte-
  gral se constitui pela junção diária
  entre formação manual e formação
  intelectual.

  Assim, para Bakunin, o tra-
balho é um princípio educativo e
a escola deve tê-lo como guia cur-
ricular. O trabalho como elemento
criador/ontológico deve ser a base
dessa educação em consonância
com as bases propedêuticas, ou
seja, a base científica e o conheci-
mento historicamente sistematiza-
  do pela humanidade.

  2. A impossibilidade de uma edu-
cação emancipadora em uma so-
  ciedade de classes

  Entretanto, no capitalismo, a
  partir da divisão social do trabalho
  imposta pela apropriação da força
  de trabalho da burguesia sobre o
  proletariado, ocorre uma fissura
  entre ação e pensamento, entre
  educação e trabalho. Fica impossi-
  bilitado no regime do capital a efeti-
  vação de uma sociedade que tenha
  acesso igualitário ao saber teórico e
  prático, ao que Bakunin denominou
  de Instrução Integral, pois no capi-
  talismo não ocorre a concatenação
  entre trabalho e educação, dado
  que a minoria pequeno-burguesa/
  burguesa estuda e executa funções
  de controle na sociedade enquanto
  a massa proletária executa apenas
  funções laborais. Ao falar sobre o
  abismo entre as classes sociais e
  a ilusão de que a Educação for-
  mal poderia dar elementos para as
  massas superarem sua condição de
  exploração, Bakunin afirmara:

  "É também em vão que alguém
  se esforçaria em se persuadir
  que este abismo poderia ser pre-
  enchido pela simples difusão das
luzes nas massas populares. É
  muito interessante fundar esco-
  las para o povo; mas é preciso se
  perguntar se o homem do povo,
  vivendo o dia-a-dia e alimentan-
  do sua família com o trabalho de
  seus braços, ele próprio privado
  de instrução e lazer, e forçado
  a se deixar abater e embrutecer
  pelo trabalho, para assegurar
  aos seus o pão do dia seguinte,
  é preciso se perguntar se exis-
te pelo menos o pensamento, o
desejo e mesmo a possibilidade
de enviar suas crianças à escola
e de sustentá-las durante todo o
tempo de sua instrução" (BAKU-
NIN, 1988, p.16)

Assim, para Bakunin, a divi-
são entre a minoria burguesa que
estuda e executa as funções de
  controle e poder sobre a grande
  massa proletária que executa ape-
  nas as funções laborais impede a
  efetivação da Instrução Integral, já
  que os burgueses não trabalham e
  até se apropriam indevidamente do
  trabalho do proletário, e o proletá-
  rio não tem acesso ao conhecimen-
to elaborado/sistematizado.

O capitalismo assim estabele-
  ceu um fosso entre os que estudam
  e os que exercem funções laborais.
  No capitalismo, dessa forma, ocor-
re uma fissura que lhe é inerente, a
divisão entre trabalho e educação,
ação e pensamento, que invalida a
uma possibilidade de uma iguali-
zação de funções na sociedade do
capital.

Porém a condição prévia da
instrução integral é a emancipação
econômica das massas trabalhado-
ras, pois a atual divisão social do
trabalho impede que os trabalha-
dores tenham tempo e condição
para estudarem de modo qualita-
tivo.

Para que a instrução integral
vigorasse seria necessária, como
condição, primeiramente, a eman-
cipação econômica das massas
trabalhadoras. Pois dentre outros
motivos a atual divisão social do
trabalho impede a instrução inte-
gral, já que os trabalhadores tem
uma longa jornada de trabalho o
que, por sua vez, impossibilita o
contato pleno destes com universo
científico, da mesma forma que de-
  sinteressa a burguesia que seus fi-
lhos executem funções laborativas
na atual condição de exploração do
trabalho.

"É evidente que a questão tão
importante da instrução e da
educação populares depende
da solução desta outra questão,
bem mais difícil, que é uma re-
forma radical nas condições atu-
ais das classes operárias. Resta-
belecei as condições do trabalho,
devolvei ao trabalho tudo aquilo
que segundo a justiça cabe ao
trabalho, e, em consequência,
dai ao povo a segurança, a faci-
lidade, o lazer, e, então, acredi-
  tai-me, ele se instruirá, ele cria-
  rá uma civilização mais ampla,
  mais sã, mais elevada do que a
  vossa" (BAKUNIN, 1988, p.17).

  Por isso, dentre outros moti-
  vos já expostos, a condição de apli-
  cabilidade da instrução integral é a
  emancipação econômica, que nas
  palavras de Bakunin é a emanci-
  pação primeira no qual deriva to-
  das as outras. Assim uma educa-
  ção equitativa, a instrução integral,
  decorre em primeira instância da
  equidade das condições materiais
  de existência via emancipação eco-
  nômica.

  A educação na sociedade
  de classe, para Mikhail Bakunin,
  constituiu-se como forte elemen-
  to de dominação e manutenção
  da burguesia sobre o conjunto do
  proletariado. Ao passo que divide
  a sociedade entre aqueles que se
  apropriam do conhecimento e exe-
  cutam funções de direção na so-
  ciedade, e aqueles que, ou têm a
  educação negada ou aprendem o
  suficiente para venderem sua força
  de trabalho.

  O pensador russo, defensor
  da emancipação do trabalho e da
  construção do socialismo, entende
  a relação com a educação de ma-
  neira contraditória. Sabendo dife-
  renciar o papel de uma educação
  em uma sociedade de classes, do
  papel da Educação para além do
  mundo da exploração, procura sa-
  lientar que a Educação escolar na
  sociedade de classes garante o po-
  der da burguesia e não é uma saída
  para a emancipação do povo.

  O conhecimento e a ciência
  concentrados nas mãos de poucos,
  no caso a burguesia, serve como
  instrumento de manutenção da di-
  visão de classes e escravização do
  proletariado. Sendo assim, para
  Bakunin, não se poderia defender
  o desenvolvimento da ciência sem
  saber a que fim esta se destina.

  "Aquele que sabe mais domi-
  nará naturalmente aquele que
  sabe menos; e se existir entre
  duas classes apenas esta dife-
  rença de educação e de instru-
  ção, esta diferença produzirá
  em pouco tempo todas as ou-
  tras, o mundo humano voltará
  ao seu estado atual, isto é, será
  dividido de novo numa massa de
  escravos e num pequeno núme-
  ro de dominadores, os primeiros
trabalhando, como hoje, para os
  segundos" (BAKUNIN apud SA-
  DDI, 2009, p.13).

  O monopólio do conhecimen-
to, das ciências e da Educação, é
  para Bakunin um instrumento de
  coerção da burguesia sobre o pro-
  letariado. Ao passo que a burgue-
  sia se instrui, mas ao proletariado
  é restrito o acesso ao conhecimen-
  to, assim maior ainda será a domi-
  nação de classe e o fosso entre os
  que pensam e os que trabalham.

  Bakunin se opôs aos precei-
  tos educacionistas de Lavrov, um
  contemporâneo seu que fazia par-
  te de um setor do Populismo russo
  e que desenvolveu uma campanha
  educacionista que teve grande
  adesão da juventude, contrapondo
  a ideia de que a educação escolar
  no campo seria um meio de liberta-
  ção e de emancipação do povo po-
  bre e analfabeto rumo ao socialis-
  mo no interior da Rússia. Bakunin
  assim demonstra sua divergência
  ironizando Lavrov:

  "É verdade, se a instrução do
  povo fosse a condição prévia de
  sua emancipação, todos os po-
  vos, sem exceção, estariam en-
  tão condenados a uma servidão
  sem saída e sem fim: permane-
  ceriam na ignorância, em razão
  de sua servidão, e nessa servi-
  dão, em razão dessa ignorância"
  (BAKUNIN, 2009, p.71).

  A educação, para Bakunin,
  não estaria portanto distanciada de
  outras questões sociais, constituin-
  do-se assim a parte dos problemas
  sociológicos que os rodeiam. Não
  bastava apenas, como acreditava
  esse setor do populismo russo, que
  fosse dada ao povo uma educação
  escolar e este se libertaria, pois o
  problema educacional estava in-
  serido em uma totalidade social e
  era preciso resolver as demandas
  econômicas. Assim: "É evidente
  que a questão tão importante da
  instrução e da educação popula-
  res depende da solução desta ou-
  tra questão bem mais difícil, que é
  uma reforma radical nas condições
  econômicas atuais das classes ope-
  rárias." (BAKUNIN, 1988, p.17).

  Para Bakunin, o conhecimento
  livresco/literário não era condição
  prévia do povo para a sua emanci-
  pação. Pois se o fosse o povo nunca
  estaria em condições subjetivas de
  se elevar contra o capital mesmo
  sendo superexplorados, pois não
teriam sequer tempo para terem
acesso à ciência/Educação.

A grande massa, o povo,
  mesmo sendo, em sua maioria, no
  século XIX, na Rússia, semifeudal
  e no restante da Europa iletrados,
tinha o conhecimento material/ob-
jetivo sobre sua própria condição
de explorado/oprimido, possuía as-
sim, um conhecimento que lhe era
próprio por conta de sua condição
material de existência e isso lhe
forneceria uma solidariedade que
poderia dar início para a emprei-
tada pela sua libertação, como nos
adverte Bakunin: "Há no povo bas-
tante força espontânea; esta é in-
comparavelmente maior que a for-
  ça do governo" (BAKUNIN, 2009,
p.67).

  Como podemos observar,
para Bakunin o povo não necessi-
ta de instrução científica para se
emancipar. Pois há no povo uma
força espontânea, força essa ligada
à solidariedade na esfera do mun-
do do trabalho e dos laços sociais
  construídos por vínculos comuni-
tários. Essa solidariedade/força é
um conhecimento adquirido pelos
costumes em comum, pelas tradi-
ções dos povos e por relações cul-
  turais. 	

"Do ponto de vista dos conheci-
  mentos livrescos, o homem do
  povo mais inteligente aparenta-
  rá um simplório comparado ao
  primeiro jovem inexperiente e
  pretensioso recém-saído da uni-
versidade, comparado a qual-
quer imbecil diplomado. Por esse
motivo, aqueles que tomam por
critério da capacidade política
do povo seu grau de instrução,
devem acabar por se conven-
cer que nenhum povo no mundo
ainda está em condição de diri-
gir-se a si mesmo e que cabe às
classes instruídas governá-lo"
(BAKUNIN, 2009, p. 69).

  A instrução e a Educação do
povo estariam submetidas, dentre
outros elementos, como o fim da
divisão social do trabalho, a um
problema muito mais geral como a
necessidade de uma revolução so-
cial e/ou uma reforma econômica
organizadas pelas massas popula-
res.

Dessa forma, mesmo Baku-
  nin sendo um estudioso dos méto-
  dos científicos, confere ao povo um
  conhecimento/sabedoria que lhe é
  próprio. E que o grau de instrução
acadêmica não é um fator determi-
  nante para libertação desse povo,
  pois há no povo um conhecimento
  que lhe é próprio.

  "A vida, a evolução, o progres-
  so do povo, pertencem, de for-
  ma exclusiva, ao próprio povo.
  Este progresso não se realiza, é
  evidente, por meio de estudos
  livrescos, mas sim por um au-
  mento natural da experiência e
  do pensamento; transmitido de
  geração a geração, o progresso
  evolui por necessidade, desen-
  volve sua própria substância."
  (BAKUNIN, 2003, p.245).

  O povo através de seus cos-
  tumes em comum, de suas tradi-
  ções de resistência, solidariedade
  e luta possuem um conhecimento
  que lhe é inerente por sua condição
  de vida, por suas condições mate-
  riais de existência. Uma espécie
  de sabedoria popular fruto de suas
  relações/experiências comunitárias
  e/ou das relações de trabalho. Um
  saber fruto da tradição e dos cos-
  tumes que origina uma consciência
  histórica/comunitária e saberes es-
  pecíficos referentes a um determi-
  nado grupo.

  Assim cada povo possui ca-
  racterísticas próprias referentes
  aos seus traços fisiológicos/étni-
  cos, político-sociais e culturais.
  Cada grupo, por suas característi-
  cas e costumes em comum e por
sua consciência histórica coletiva
  são mais do que a soma de indivi-
  dualidades, são um povo, que por
  esta mesma consciência, a vontade
  popular, possui saberes específicos
  distintos, nem inferior/superior ao
  da ciência moderna. Mas saberes
  específicos próprios que atrelados
  a determinadas consciências histó-
  ricas de resistência podem desen-
  cadear a negação do Estado/Capi-
  tal.

  "Cada povo é um ser coletivo,
  possuindo sem dúvida proprie-
  dades tanto fisiológico-psicológi-
  cas, quanto política-sociais, par-
  ticulares que, distinguindo-o de
  todos os outros povos, o indivi-
  dualizam de uma certa maneira;
  mas não é jamais um indivíduo,
  um ser indivíduo, um ser único e
  indivisível, no sentido real desta
  palavra. Por mais desenvolvida
  que seja sua consciência coleti-
  va e por mais concentrada que
  possa se achar, no momento
  de uma grande crise nacional, a
  paixão, ou o que se chama de
  vontade popular na direção de
  um único objetivo, nunca esta
  concentração alcançaria a de
  um indivíduo real" (BAKUNIN,
  1988, p.50).

  A vontade popular para Baku-
  nin seria a objetivação da consci-
ência coletiva de um determinado
grupo, a objetivação da subjetivi-
dade de uma comunidade especí-
fica a fim de conquistar uma de-
manda comum. A vontade popular
enquanto consciência histórica ob-
jetivada é a síntese dos saberes
populares adquiridos pela tradição/
costume em comum a fim de al-
cançar um objetivo específico.

  Ao analisarmos a questão da
  educação escolar em Bakunin se
  apresenta a questão da divisão so-
  cial do trabalho, que no capitalismo
  impede a universalização escolar.
  Pois a divisão social do trabalho no
  regime do capital impõe aos traba-
  lhadores, longas e cansativas jor-
  nadas de trabalho que os impedem
  de ter o mesmo acesso/permanên-
  cia à educação do que os setores
  burgueses. Ao criticar os socialis-
  tas burgueses que defendiam a
  instrução das massas como condi-
  ção prévia para sua emancipação,
  Bakunin afirmava:

  "Vocês deixam que o povo se
  esgote com o seu trabalho coti-
  diano e em sua pobreza e então
  dizem: 'Instruam-se!' Gosta-
  ríamos de ver como vocês ins-
  truem o povo e seus filhos de-
  pois de 13, 14 ou 16 horas de
  trabalho embrutecedor, com a
  miséria e a incerteza do ama-
  nhã como únicas recompensas.
  Não, senhores. Apesar de nos-
  so grande respeito pela impor-
  tante questão da educação in-
  tegral, declaramos que não é
  isso o mais importante para os
  povos. Em primeiro lugar estão
  a sua emancipação política que
  engendra necessariamente sua
  emancipação econômica e mais
  tarde, sua emancipação intelec-
  tual e moral" (BAKUNIN, 2003,
  p.93).

  A subordinação da emancipa-
  ção econômica à instrução integral/
  formação humana não está vincu-
  lada a uma subordinação da esfera
  cultural à esfera econômica. Mas
  as próprias condições materiais
  de existência que determinariam
  a capacidade de estudo e cognição
das massas trabalhadoras que pos-
suem longas jornadas de trabalho.
Até porque como já vimos, para
Bakunin as massas possuem uma
sabedoria própria fruto da existên-
cia/solidariedade dos seus laços
  comunitários e/ou das suas rela-
ções de trabalho.

  As condições materiais de
  existência dos trabalhadores por
  conta da sua condição da longa
  jornada de trabalho e a condição
  de miséria a qual estava submeti-
  do a estes e à sua família seria um
  elemento fundamental na análise
  de Bakunin para se compreender a
  impossibilidade da universalização
  da educação na sociedade do ca-
  pital. Dessa forma, a emancipação
econômica seria um elemento que
deveria anteceder à emancipação
intelectual e moral.

  "Sim, não há dúvida de que os
operários farão todo o possível
para obterem tanta instrução
quanto possam nas condições
materiais em que atualmente se
encontram. Mas, sem se deixa-
rem dissuadir pelos cantos de
sereia de burgueses e socialis-
tas burgueses, concentrarão
seus esforços, antes de mais
nada, nesta importante questão
de sua emancipação econômica,
  que deve ser matriz de todas as
demais emancipações" (BAKU-
NIN, 2003, p.94).

  E o conhecimento livres-
co, por sua parte, distanciado de
  quaisquer necessidades que o povo
  precise, não é apenas desnecessá-
rio para que esse povo se emanci-
pe, bem como lhe é nocivo quando
o intuito lhes é governar, quando
  se origina das necessidades bur-
guesas. A ciência, portanto, não
deve estar acima do conhecimen-
to e sabedoria criadora do povo. E
a escola enquanto reprodutora da
ciência burguesa não pode ser pro-
pulsora da revolução.

Bakunin faz uma analogia
emblemática ao falar sobre a cria-
ção artística, que não esperou a ci-
ência criar as leis da criação poéti-
ca para existir, com o poder criativo
  do povo: "Mais os povos que criam
  sua história não são, provavelmen-
  te, menos ricos de instinto, nem
  menos poderosos criadores, nem
  mais dependentes dos Srs. Cien-
  tistas que os artistas!" (BAKUNIN,
  1988). Pois há no povo um poder
  criador que não precisa da certifi-
  cação da ciência para poder existir.

  A emancipação do povo sob o
jugo do capital não passa, portan-
to, pelo conhecimento acadêmico
livresco/escola, pois o próprio povo
pela sua experiência e saber cole-
tivo podem desenvolver aptidão/
vontade para negarem o capital.
Ainda que a libertação/emancipa-
ção completa do povo seja neces-
sária o domínio da ciência, essa não
lhe é necessária para a destruição
do Estado/Capital.

  "Os instrutores, os professores,
  os pais, todos são membros
  desta sociedade e estão mais ou
  menos embrutecidos e desmo-
  ralizados por ela. Como é que
  iriam dar aos alunos aquilo que
  a eles mesmos falta?! Só se pre-
  ga bem a moral com o exemplo,
  e sendo a moral socialista, com-
  pletamente contrária à moral
  atual, os mestres, necessaria-
  mente dominados mais ou me-
  nos pela última, fariam diante
  de seus alunos o contrário do
  que pregariam. Portanto, a edu-
  cação socialista é impossível nas
  atuais escolas e nas atuais fa-
  mílias. Mas a educação integral
  nesta sociedade é igualmente
  impossível: os burgueses não
  compreendem que seus filhos
  se tornem trabalhadores, e os
  trabalhadores estão privados de
  todos os meios para dar a seus
  filhos uma instrução científica."
  (BAKUNIN, 2003, p.92).

3. O Anarco-Comunismo e o revi-
sionismo dos pressupostos mate-
rialistas do Anarquismo

  A morte de Bakunin em 1876,
imposibilitado de plena militância
devido problemas de saúde, ocor-
reu em um contexto de refluxo po-
lítico com o fim da AIT (Associação
Internacional dos Trabalhadores) e
a hegemonia do Império Prussia-
no no continente Europeu. No qual
o massacre pós-Comuna de Paris
ainda amedrontava muitos militan-
tes e muitos outros movimentos
seriam sufocados. Esse contexto
reacionário, que Bakunin já previra
em sua grandiosa obra O Império
Knuto-Germanico e a Revolução
Social, desorganizara todos aque-
les setores que até pouco tempo
atrás se organizavam na maior ex-
periência de organização dos traba-
lhadores na História: A Associação
Internacional dos Trabalhadores.

---------------------------------------------------------
Influenciada pelos desdobramentos políticos e organizativos da AIT, a primeira Revolução 
Proletária e Socialista da história, a Comuna de Paris, decreta a Intrução Integral como 
base da Igualdade Social. Afirmando e aplicando: "Considerando que é importante que a 
Revolução Comunal afirme seu caráter essencialmente socialista por uma reforma do ensino, 
assegurando a todos a verdadeira base da igualdade social, a instrução integral a que cada 
um tem direito e facilitando-lhe a aprendizagem e o exercício da profissão para a qual o 
dirigem seus gostos e aptidões. Considerando, por outro lado, que enquanto se espera que 
um plano completo de ensino integral possa ser formulado e executado, é preciso decretar 
as reformas imediatas que garantam, num futuro próximo, essa transformação radical do 
ensino; A delegação do ensino convida as municipalidades distritais a enviar (.. as 
indicações e as informações sobre os locais e estabelecimentos melhor apropriados à pronta 
instituição de escolas profissionais, onde os alunos, ao mesmo tempo que farão a 
aprendizagem de uma profissão, completarão sua instrução científica e literária." (Decreto 
sobre o Ensino, Comuna de Paris, 17 de maio de 1871.)
------------------------------------------------------
A crise de organização política
  e de massas que abateu os revolu-
  cionários nesse período, atingiu em
  cheio o Anarquismo. Os pressupos-
  tos e as teses de Bakunin, que até
  então guiavam hegemonicamente
  os setores de massa principalmen-
  te dos países latinos europeus se-
  rão revistos e revisados. Ainda que
  se conheça como o primeiro folheto
  que explicita a corrente Anarco-co-
  munista escrito em 1876 por Du-
  martheray (Luizetto, 1984), ano de
  morte de Bakunin, foram Reclus e
  Kropotkin os principais formulado-
  res teóricos e propagandeadores do
  anarco-comunismo. São, portanto,
  os principais revisionistas do anar-
  quismo materialismo Bakuninista.

  A reformulação no termo Co-
  munista em oposição ao Coletivis-
  mo de Bakunin, deve-se a critica
  sobre papel da categoria trabalho
na sociedade. Conceito esse cen-
tral para Bakunin e pelos os Cole-
tivistas os quais acreditavam que
  os bens produzidos pela sociedade
  deveriam ser repartidos de acordo
  com o trabalho de cada um. O lema
  coletivista é: "A cada um confor-
  me o seu trabalho". Dessa for-
  ma, o trabalho dispendido seria
  uma categoria que permitiria me-
  dir/aferir os frutos de cada um so-
  bre o processo produtivo, mas con-
  cebendo a todos os instrumentos e
  os meios do trabalho.

  A crítica de Kropotkin ao Cole-
  tivismo de Bakunin, o qual desem-
  bocará em diversas outras, dar-se
  no seu principal livro "A Conquista
  do Pão" que até hoje é o livro mais
  conhecido na bibliografia anarquis-
  ta. O centro dessa critica é a cen-
  tralidade do trabalho no processo
  social que os coletivistas propunha
  e que Kropotkin propôs superar, vejamos:

"'À cada um segundo suas
obras', dizem os coletivistas, ou
seja, segundo sua parte de ser-
viços prestados à sociedade. E
tal princípio se recomenda para
pôr-se em prática quando a re-
volução tenha posto em comum
os instrumentos de trabalho e
tudo o necessário para a pro-
dução! Pois bem; se a revolu-
ção social tivesse a desgraça de
proclamar este princípio, seria
impedir o desenvolvimento da
humanidade; seria abandonar,
sem resolvê-lo, o imenso pro-
blema social que nos legaram
os séculos anteriores. Efetiva-
mente, numa sociedade como a
nossa, onde vemos que quanto
mais trabalha o homem menos
se lhe retribui, este princípio
  pode parecer ao cedo como uma
  aspiração para a justiça. Mas
  no fundo, nada mais é do que
  a consagração das injustiças do
  passado. Por esse princípio co-
  meçou o assalariamento, para
  vir parar às odiosas desigualda-
  des e abominações da sociedade
  atual." (KROPOTKIN, 2012 p.68)

  Kropotkin que tinha por base
  uma teoria darwinista social, no
  qual a humanidade chegaria natu-
  ralmente ao socialismo através do
  apoio mutuo, não conseguiu com-
  preender a duplicidade da catego-
  ria trabalho que ao mesmo tempo
  no capitalismo domina e uma outra
  sociedade pode libertar. Essa limi-
  tação está relacionada na negação
  de Kropotkin também ao Materia-
  lismo e a Dialética (presentes em
Bakunin).

  O lema Anarco-Comunista
  de: "Cada um conforme suas
  possibilidades a cada um con-
  forme suas necessidades" re-
  formulou o principio central de
  aferimento social do coletivismo, o
  trabalho, substituindo pelo termo
  pressuposto "necessidade". Como
  já vimos, o trabalho, para Bakunin,
  é uma categoria que funda o mun-
  do do homem enquanto homem e
  permite sua formação em socieda-
  de. Quebrar o estabelecimento do
  pressuposto da categoria traba-
  lho no processo produtivo huma-
  no, pelo termo vazio de conteúdo
  e desconexo, como "necessidade",
  foi o primeiro importante passo de
  levar o Anarquismo para o campo
  idealista e afastado da luta de clas-
  ses.

  O argumento anarco-comu-
  nista relatava que a centralidade
  do trabalho no processo produtivo
  iria supostamente criar, depois da
  revolução socialista, um regime de
  assalariamento. Os anarco-comu-
  nistas esquecem que a propriedade
  privada e a produção de mercado-
  rias (inclusive o dinheiro) teriam
  sido destruídas. Mas a crítica a
  centralidade do trabalho é rebatida
  com o critério da "necessidade", de
  forma que essa regulação da ne-
  cessidade não é clara. Podemos,
  então, indagar como seria estabe-
  lecido o quantum "necessário" a
  cada um, da mesma forma como
  seria aferido essa "possibilidade".

  "E se apressam a atemperas
  seu princípio, dizendo: 'Sim;
  a sociedade criará e educará a
seus filhos! Sim!; assistirá aos
velhos e inválidos! Se, as ne-
cessidades serão a medida dos
gastos que a sociedade se impo-
  rá para atemperar o princípio
  das obras!' De maneira que,
depois de ter negado o comu-
nismo e ter-se burlado a suas
largas da fórmula: 'A cada um
  segundo suas necessidades',
saímos também com que aos
grandes economistas se lhes
esqueceram - pouca coisa - as
necessidades dos produtores. E
se apressam a reconhecê-las.
Só que ao Estado lhe incumbi-
rá apreciá-las, comprovar se as
necessidades são desproporcio-
nadas com as obras. O Esta-
  do dará esmola" (KROPOTKIN,
2012, p. 69; p.70)

Esses pressupostos levaram
  o anarquismo a cair em um abs-
  tracionismo idealista que pode ser
  comprovado pelos grandes eventos
  Históricos. Na Revolução Russa de
  1917, os anarco-comunistas limita-
  vam-se a ocupar casarões burgue-
  ses e oferecer sopão ao povo em
  tempo de guerra, sem nenhuma
  perspectiva de tomar a produção
burguesa e de gerir os meios de
produção, mas apenas valendo do
que era "necessário" a cada um.

A negação da centralidade
do trabalho e da dialética que são,
ao nosso ver, indissociáveis ao so-
cialismo revolucionário anarquista,
teve como consequência prática
uma defesa de Kropotkin de que a
humanidade poderia chegar "natu-
ralmente" ao socialismo e de que
a Educação (esclarecimento) seria
peça-chave nesse processo.

É assim que em 1898 os prin-
cipais nomes do Anarco-Comu-
nismo (Kropotkin, Reclus dentre
  outros) criaram um comitê de ini-
ciativa para a Instrução Integral no
qual tinha por base a ideia de que a
educação (inclusive a formal) seria
a mola propulsora para a supera-
ção do capitalismo. Como podemos
ver na carta de tal comitê:

  "O ensino pode ser o mais impor-
tante motor do progresso pela
diferença direta que ele exerce
sobre a eclosão das ideias e sua
direção ulterior. Pode tornar-se
a alavanca que erguerá o mun-
  do e destruirá para o sempre o
erro, a mentira e a injustiça. Seu
alcance pode ser imenso, sua
  missão é nobre e elevada, pois
  ela deve ter por fim a emanci-
  pação da humanidade" (Sáfon,
  2003, p.52)

  Como vimos, os revisionistas
do Anarquismo utilizaram o concei-
to de Instrução Integral de Bakunin,
no qual seria a base da construção
socialista da sociedade futura, e se
apropriaram do termo renovando
e deturpando de suas bases origi-
nais, afim de perseguir seus inte-
resses educacionistas-reformistas
na sociedade do capital. Educacio-
nismo esse, como demonstramos,
Bakunin combateu com veemência
como vimos em sua polêmica com
Lavrov.

4. Conclusão	

  Bakunin, coerente com sua
proposta, propõe os princípios de
uma educação escolar na transição
para a sociedade socialista. Com a
instrução integral sendo o alicerce
desse modelo educativo, e por sua
vez a escola como um dos pilares
da nova sociedade, ela cumpriria o
papel de efetivar a sociedade so-
cialista.

  "A instrução gratuita e obrigató-
  ria (para todos), depois as esco-
  las primárias até as mais altas
  instituições de aperfeiçoamento,
  teórico e prático, nas ciências,
  nas letras, nas artes e nas in-
  dústrias - Sem outra reserva
  que a incapacidade absoluta
  qualquer estudante, e sem que
  a necessidade (e o direito) para
  cada um de escolher, depois do
  ensinamento geral, uma espe-
  cialidade qualquer" (BAKUNIN,
  2000, Sociedade Internacional
  Secreta da Revolução, Oeuvres
  Complètes, tradução nossa)
.
  Para Bakunin, a escola inte-
gral na construção da sociedade
socialista deve comportar as bases
propedêuticas com o ensino das le-
tras, ciências e artes e também o
saber prático com o conhecimento
industrial. Essa parte prática confi-
gurando ainda como parte do ensi-
no e não como parte do trabalho,
para que só atingindo a maior ida-
de o jovem possa escolher e dedi-
car-se a uma profissão específica.

  Como já observamos, Baku-
nin defendia um modelo educacio-
nal para todo o povo que pudesse
integrar o trabalho intelectual e o
trabalho manual, conhecimento te-
órico e trabalhos prático-manuais
  e/ou fabris. O homem, enquanto
  ser genérico, só exerceria sua hu-
  manidade se tivesse uma formação
  integral que abarcasse essas duas
  áreas complementares da forma-
  ção humana.

  "Quando o homem de ciência
  trabalhar e o homem de traba-
  lho pensar, o trabalho inteligen-
  te e livre será considerado como
  o mais belo título da glória para
  o homem, como a base de sua
  dignidade, de seu direito, como
  a manifestação de seu poder hu-
  mano sobre a terra; - e a huma-
  nidade será constituída" (BAKU-
  NIN, 2009, p.53).

  Dessa forma, para Bakunin
o caminho da humanização passa
pela construção do trabalho livre
e inteligente, fruto da Instrução
Integral. A instrução integral do
homem, com todos desenvolvendo
trabalhos teóricos e práticos, seria
a construção da humanidade e o
fim da escravidão. Pressupõe, as-
sim, que a humanidade tenha su-
perado a divisão entre classes, um
trabalho futuro a se realizar após a
emancipação econômica das mas-
sas trabalhadoras e fim da divisão
social do trabalho capitalista. Mas
ao mesmo tempo, e contraditoria-
mente, a Instrução Integral é uma
condição para a efetivação do so-
cialismo.

Como a citação explicita, é
justa a reivindicação dos traba-
  lhadores em obterem mais instru-
  ções nas condições materiais que
  se encontram, de longas jornadas
  de trabalho e pobreza extrema.
  Mas para aplicar a instrução inte-
  gral necessitam aprioristicamente
  se emanciparem economicamente.
  A emancipação econômica é assim
  a base da emancipação intelectual.

  A instrução integral seria,
  portanto, um devir-ser da edu-
  cação, uma meta a ser defendida
  dentro do capitalismo, uma bandei-
  ra a ser empunhada, ainda que não
  possa ser aplicada nessa socieda-
  de, mas construída efetivamente
  na sociedade que já realizou sua
  emancipação econômica. Um mo-
  delo não apenas complementar a
  emancipação das massas, mas ne-
  cessário para a emancipação com-
  pleta de todo o povo, na garantia
  da equidade de condições materiais
  e de aprendizado a todos, após o
  processo revolucionário.

  A instrução integral é condi-
ção sine qua non da liberdade hu-
mana, pois só com esta que finda-
rá a divisão entre os que pensam
e ocupam postos de comando na
sociedade e entre os que apenas
executam funções laborais. Para
  Bakunin era necessário criar condi-
ções para que todos os homens pu-
dessem executar essas duas fun-
ções na sociedade. Assim muda-se
concretamente a divisão social do
trabalho.

As extensas jornadas de tra-
balho impedem o trabalhador de
ter condições plenas de estudo. O
burguês por sua parte, não quer
se sujeitar à ação laboral. Há de
se obrigar, portanto, que o homem
  das ciências trabalhe e possibili-
  tar que o trabalhador laboral estu-
  de. Essa dupla ação resultaria na
  própria dissolução do burguês en-
  quanto sujeito/conceito como tal,
  ao passo que sua condição de bur-
  guês resulta no comando das ativi-
  dades laborais e não em sua exe-
cução prática.

  A superação da atual divisão
  social do trabalho capitalista, no
  qual uns poucos exercem apenas
  funções de comando intelectual e
  uma grande massa exerce funções
  laborais/braçais, só irá ser possível
quando os trabalhadores braçais
puderem ter acesso ao saber ela-
borado e os intelectuais realizarem
atividades braçais, de modo tal que
permita o fim desse grande fosso
entre os que comandam e os que
trabalham.

O proletariado também se
  dissolveria enquanto tal, posto que
  teria/obteria/trabalharia para ter
  consciência/reflexão do trabalho
  que executaria, e dos frutos que
  obtivera em sua produção, supe-
  rando o trabalho que lhe é indife-
  rente/estranhado. Obtendo, assim,
  consciência de todo o processo de
  produção, da elaboração, da exe-
  cução e do resultado de seu pro-
  duto, refletindo sobre esse. Seria
  o fim do trabalho estranhado e do
  estranhamento social. O encontro
  entre produto e produtor.

  A condição de existência des-
  sa educação que pressupõe o fim
  da divisão social do trabalho tal
  como se entende hoje é simulta-
  neamente resultado/resultante
  da superação da divisão entre as
  classes. A emancipação econômi-
  ca seria sua condição primeira de
  existência. Mas para oferecer as
  oportunidades equitativas, mesmo
  que mantendo o princípio da alteri-
  dade, para superar definitivamente
  o abismo entre as capacidades de
  acesso ao conhecimento que sepa-
  ra hoje a humanidade, faz-se ne-
  cessário a instrução integral como
  resultado/resultante, fruto/árvore
  do socialismo e da liberdade entre
  os povos.

  "Com tal educação, igual para
todos, com o culto do trabalho
como única fonte de direitos e
dignidade pessoal, e com a aju-
da da potência da opinião pú-
blica esclarecida e purificada,
os crimes serão uma rara ex-
ceção, uma doença, e você não
precisará mais de prisões, nem
de policiais, nem de carrascos
(BAKUNIN, 2000, Oeuvres Com-
plètes, tradução nossa).

  A emancipação econômica
  aliada à emancipação intelectual
  decorrente do processo da instru-
  ção integral seria a base da cons-
  trução de uma nova sociedade, o
  fim da divisão entre os que apenas
  comandam/pensam e aqueles que
  apenas executam/trabalham, do
  fim dessa divisão e o início da ins-
  trução das massas decorre, para
  Bakunin, uma série de questões
  como a diminuição do crime, a
  construção criativa da humanidade
  etc.

  O socialismo assim, que tem
  como condição prévia a Revolução
  Social e a emancipação econômica
  que essa provocaria, teria que, para
  permanecer e para se desenvolver
  e se efetivar de fato, acabar com a
  separação não apenas material que
  divide as classes, mas moral e cul-
  tural, consolidando e construindo
  a instrução integral como condição
  de efetivação da sociedade socia-
  lista futura.


More information about the A-infos-pt mailing list