(pt) VIA COMBATIVA nº3 - Revista teórico-política da UNIPA - Sumário + Editorial

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Sexta-Feira, 11 de Abril de 2014 - 20:19:05 CEST


Sumário: ---- A Instrução Integral e a crítica bakuninista a pedagogia libertária ---- Os 
estudantes como categoria ocupacional e a estrutura de classes: Combatendo às raízes 
teóricas do reformismo e oportunismo ---- O Levante dos Marginalizados: análise 
sociológica dos protestos e manifestações populares no Brasil ---- Anarquismo e Questão 
Agrária ---- Entre a tutela estatal e a revolução: algumas considerações sobre a história 
do sindicalismo rural e da luta camponesa ---- Editorial ---- A terceira edição da revista 
Via Combativa (VC) chega às ruas em um período decisivo para a luta dos trabalhadores no 
Brasil. Em 2013 vivenciamos o despertar da ação direta popular e a configuração de um novo 
patamar na luta de classes em nosso país a partir das Jornadas de Junho. A esquerda 
reformista e os revolucionários foram colocados a prova frente à radicalização das 
manifestações populares, a ação do proletariado marginal e a repressão Estatal. Este 
quadro promete se agravar em 2014, ano da Copa do Mundo, trazendo como principal desafio 
para esta edição da Via Combativa a correta compreensão desta realidade e sua contribuição 
teórico-política a consolidação do braço de massas do anarquismo, o sindicalismo 
revolucionário, processo em construção.

Enquanto uma continuidade do segundo numero da VC, esta edição avança na aplicação do 
método bakuninista para a compreensão da ação e formação das frações da classe 
trabalhadora no brasil entre as diferentes categorias ocupacionais e suas camadas étnicas, 
nacionais, de gênero e geração. Ainda que não esgote por completo, esta edição representa 
um avanço concreto na análise da estrutura de classes a partir da teoria anarquista.

Um dos principais desafios colocados pelo levante popular de junho e as lutas deste 
período é a identificação dos sujeitos deste processo e qual o seu papel na luta de 
classes. O marxismo, pensamento guia das principais organizações de esquerda no Brasil, 
não consegue superar o dilema entre o sectarismo e o oportunismo em sua política de 
massas: ora atribuindo centralidade apenas ao operariado (em detrimento das outras frações 
classe trabalhadora), ora ampliando suas alianças a "burguesia nacional", políticas que 
apesar de parecerem opostas derivam do mesmo etapismo economicista. Já o anarquismo 
defendido pela UNIPA traz uma nova interpretação e prática, a partir do materialismo 
sociológico, que compreende a centralidade e o papel das diferentes frações da classe 
trabalhadora (proletariado marginal, de serviços, industrial, campesinato, etc.) e ao 
mesmo tempo em que combate qualquer colaboração de classe.

Neste sentido, o texto "O Levante dos Marginalizados" aponta para o papel chave do 
proletariado marginal nas Jornadas de Junho, produto de duas décadas de reformas 
neoliberais que deterioraram as condições de trabalho e de vida, formando assim um setor 
composto em grande parte pela juventude proletária precarizada e suas subculturas, mas não 
só, que foram marginalizadas do pacto petista entre as burocracias sindicais e partidárias 
com o Governo, fator este que propiciou o caráter não tutelado de sua ação e por isso 
mesmo explosiva e dinâmica em 2013.

O artigo "Os estudantes como categoria ocupacional e a estrutura de classes" aponta que a 
massificação da educação precária nas últimas décadas consolidou a presença da classe 
trabalhadora no movimento estudantil assim como seu peso majoritário nos ambientes 
escolares (entendido em números absolutos), a partir disso o texto desmascara a linha 
oportunista de esquerda que justifica seu reformismo no Movimento Estudantil sob a 
alegação do atraso de uma condição estudantil essencialmente pequeno-burguesa. O 
anarquismo aponta, ao contrário, que os estudantes proletários possuem papel fundamental 
na revolução, mas para isso é necessário organizá-los a partir de um programa classista e 
novos métodos.

Os outros dois textos tratam da perspectiva de classe do anarquismo em relação aos 
trabalhadores rurais, questão fundamental da sociedade brasileira nos dias atuais. Em 
"Anarquismo e Questão Agrária" é feita a crítica a concepção marxista que concebeu o 
campesinato de duas formas principais: a) como um setor a ser combatido; b) como um setor 
a ser utilizado; ambas partindo de uma visão economicista consideraram o campesinato 
enquanto um setor pequeno-burguês fadado ao desaparecimento ou a ação tutelada pelo 
Partido/Estado operário. Já o anarquismo aponta o campesinato (que vive do seu próprio 
trabalho) enquanto um setor da classe trabalhadora e sujeito construtivo fundamental da 
revolução brasileira. No artigo "Entre a tutela estatal e a revolução: algumas 
considerações sobre a história do sindicalismo rural e da luta camponesa", é realizada uma 
análise histórica sobre o papel do sindicalismo de Estado, representado pela CONTAG na 
década de 1960, no desmantelamento das Ligas Camponesas e seus ensinamentos para a atualidade.

O texto "A instrução integral e a crítica bakuninista a pedagogia libertária" demostra 
como o ecletismo anarquista na educação, conhecido como Pedagogia Libertária, se integrou 
no movimento burguês de defesa da educação como principal método de transformação da 
sociedade. Bakunin defendia uma educação socialista que unisse o trabalho manual e 
intelectual, mas que dentro da sociedade capitalista a luta era o principal método de 
aprendizado e destruição da sociedade de classes e do estado condição fundamental de uma 
educação emancipadora.

A revista Via Combativa espera contribuir para a Unidade de todas as frações da classe 
trabalhadora brasileira. Neste ano de 2014, comemoremos o Bicentenário do camarada Mikhail 
Bakunin na aplicação de seus ensinamentos: unir trabalhadores urbanos e rurais, golpeando 
o estado e burguesia através da ação direta e da greve geral.

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Acesse a Via Combativa nº3 em versão PDF CLICANDO 
AQUI.https://uniaoanarquista.files.wordpress.com/2014/02/vc_03.pdf


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