(pt) Jornal da União Popular Anarquista - UNIPA Causa Do Povo #67 - RESGATE DOS CÃES BEAGLES:uma ação anticapitalista

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Quinta-Feira, 10 de Abril de 2014 - 13:17:07 CEST


No dia 18 de outubro um grupo de ativistas entrou no Instituto Royal, em São Roque, região 
de Sorocaba/SP, para libertar uma centena de cães da raça beagle usados em testes de 
medicamentos. Esta ação foi classificada pela empresa como ato de "terrorismo" e pela 
polícia como "furto e invasão". ---- Tal ação pode ser compreendida como uma política que 
tenta impedir que o sistema industrial capitalista tente transformar os animais em meras 
mercadorias. ---- Os maus-tratos ocorrem em Laboratórios, mas também em empresas de 
produção de alimento (aves e porcos e gado). Os animais são frequentemente torturados e 
estraçalhados vivos, além de não terem uma vida natural. São transformados e tratados como 
meros objetos e mercadorias. ---- A ação de resgate dos beagles em São Paulo contou com a 
simpatia da população. E isso é fundamental. Isso porque esta ação pode ser parte de uma 
estratégia anticapitalista.

De um lado, impedindo as empre-
sas, laboratórios de torturar
e massacrar os animais. Ao
impedir isso, impedimos o
funcionamento de uma par-
te da economia capitalista.
De outro lado, essas empre-
sas normalmente produzem
alimentos e medicamentos
e produtos estéticos que
prejudicam a saúde huma-
na. Não somente a dor dos
animais e sua vida estão em
risco pelo capitalismo, mas a
própria sociedade.

Nesse sentido, o anarquis-
ta Bakunin nos dizia: "Esta
ideia de irresponsabilidade
moral dos animais é admiti-
da por todos. Mas não con-
diz em todos os seus pontos
com a verdade. Podemos
nos assegurar disto através
da experiência de todos os
dias, em nossas relações
com os animais domestica-
dos e adestrados. Nós os
criamos não em vista de
sua utilidade e de sua mo-
ralidade próprias, mas con-
forme aos nossos interesses
e às nossas finalidades; nós
os habituamos a dominar, a
conter seus instintos, seus
desejos, quer dizer, desen-
volvemos neles uma força
interior que não é outra coi-
sa que a vontade. E quan-
do agem contrariando aos
hábitos que lhes queríamos
dar, nós os castigamos; por-
tanto, os consideramos, os
tratamos como seres res-
ponsáveis, capazes de com-
preender que infringiram a
lei que lhes impusemos, e os
submetemos a uma espé-
cie de jurisdição doméstica.

  Nós os tratamos,
  em uma palavra,
  como o Bom Deus
  dos cristãos trata
  os homens - com
  esta diferença: que
  o fazemos para
  nossa utilidade e
  ele para sua glória;
  nós, para satisfa-
  zer nosso egoísmo,
  ele para contentar
  e alimentar sua in-
  finita vaidade".

A ação de res-
gate dos beagles,
particularmente,
e a noção da rela-
ção humana com
animais de outras
espécies, do ponto
de vista anarquis-
ta está associada a
duas questões. De
um lado, o comba-
te ao capitalismo.
De outro, a huma-
nização do próprio homem
que deve ver os animais
não como mercadorias, mas
como seres que sentem e
pensam em determinado
nível e vivem também em
sociedade. Por isso é funda-
mental apoiar formas de luta
contra os maus tratos aos
animais!


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