(pt) Jornal da União Popular Anarquista - UNIPA Causa Do Povo #67 - EM DEFESA DOS BLACK BLOCS:,ampliar as táticas de resistência para toda classe

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Quarta-Feira, 9 de Abril de 2014 - 16:05:02 CEST


O cenário político atual apresenta uma série de elementos que nos servem de aprendizado, o 
povo mais uma vez saiu às ruas para construir seu próprio futuro. A velha burocracia 
partidária, eleitoreira, sindical, que por muito tempo amordaçou as lutas sociais, não 
conseguiu conter os milhares de trabalhadores e estudantes precarizados que foram as ruas 
protestar. Ao contrário do que muitos imaginavam, as jornadas de junho e julho reafirmaram 
uma grande verdade: que o povo brasileiro não é passivo, e que diante de muitos problemas 
sociais segue guerreiro combatendo as injustiças. ---- Dentro desse novo contexto e 
rearranjo social de grande efervescência política, algo que atraiu a atenção de vários 
setores da sociedade foi a tática de protestos urbanos conhecida como "Black Bloc".

Essa tática surge em
meados da década de 1980,
no seio do movimento au-
tonomista da Alemanha oci-
dental, que através da ação
direta ocupavam terrenos
onde seriam construídas usi-
nas nucleares. O movimento
antinuclear ao se opor pro-
fundamente as usinas nucle-
ares foi duramente reprimido
pelas forças policiais. A partir
de então, diante a ofensiva
das forças repressivas do Es-
tado, os militantes se organi-
zaram para defenderem-se e
contra-atacar, e assim resis-
tir em seus espaços de auto-
nomia. Assim, surge a tática
"Black Bloc", como aponta
o sociólogo norte-america-
no George Katsiaficas, em
seu livro: "The Subversion
of Politics - European Auto-
nomous Social Movements
and the Decolonization of
Everyday Life".

  No Brasil não foi diferente,
  a tática Black Bloc manteve
  sua principal característica:
  resistir à ofensiva do Esta-
  do capitalista, e defender as
  manifestações do terrorismo
  de Estado exercido cabal-
  mente pela figura da polí-
  cia. Ao passo que cresciam
  as manifestações em junho,
  o número de encapuzados
  que lutavam ao lado do povo
  para defender as bandeiras
  de uma sociedade igualitária
  também aumentava. Hoje,
  com a diminuição da onda de
  protestos que sacudiu o país,
  alguns Estados, em especial
  o Rio de Janeiro, segue com
  as chamas incendiárias dei-
  xadas pela jornada de junho
  e julho.

No entanto, existe a neces-
sidade de refletirmos sobre
essa tática, justa e necessá-
ria que é o Black Bloc. Não é
novidade nenhuma que a ju-
ventude por trás das másca-
ras, que ousam lutar, carre-
gam consigo uma admirável
disposição para enfrentar as
mazelas que perpassam ge-
rações. Todavia, a ação dire-
ta deve cada vez mais estar
enraizada nas categorias de
base da classe trabalhadora,
para que ganhe em volume e
qualidade. É necessário que
todos militantes revolucioná-
rios, que visam a transfor-
mação radical da sociedade,
nos organizemos por locais
de estudo, moradia e traba-
lho preparando nestes espa-
ços as ações diretas de mas-
sas.

  Precisamos ser capazes
  de organizar os setores que
  ainda estão desorganizados,
  derrubar as burocracias sin-
  dicais que ainda permane-
  cem encasteladas e construir
  oposições que as derrotem,
  dar caráter de massa as gre-
  ves, e assim, combiná-las
  com a ação direta e as fren-
  tes de defesa e resistência
  cujo Black Bloc tem um papel
  fundamental. Somente com
  organização avançaremos,
  de agora em diante é neces-
  sário intensificar a luta, com
  disciplina para que não se-
  jamos engolidos pelo brutal
  aparelho repressivo contra o
  qual lutamos.


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