(pt) Jornal da União Popular Anarquista - UNIPA Causa Do Povo #67 - EM DEFESA DOS BLACK BLOCS: ampliar as táticas de resistência para toda classe

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Terça-Feira, 8 de Abril de 2014 - 17:13:42 CEST


O cenário político atual apresenta uma série de elementos que nos servem de aprendizado, o 
povo mais uma vez saiu às ruas para construir seu próprio futuro. A velha burocracia 
partidária, eleitoreira, sindical, que por muito tempo amordaçou as lutas sociais, não 
conseguiu conter os milhares de trabalhadores e estudantes precarizados que foram as ruas 
protestar. Ao contrário do que muitos imaginavam, as jornadas de junho e julho reafirmaram 
uma grande verdade: que o povo brasileiro não é passivo, e que diante de muitos problemas 
sociais segue guerreiro combatendo as injustiças. ---- Dentro desse novo contexto e 
rearranjo social de grande efervescência política, algo que atraiu a atenção de vários 
setores da sociedade foi a tática de protestos urbanos conhecida como "Black Bloc". Essa 
tática surge em meados da década de 1980, no seio do movimento autonomista da Alemanha 
ocidental, que através da ação direta ocupavam terrenos onde seriam construídas usinas 
nucleares.
O movimento antinuclear ao se opor pro-
fundamente as usinas nucle-
ares foi duramente reprimido
pelas forças policiais. A partir
de então, diante a ofensiva
das forças repressivas do Es-
tado, os militantes se organi-
zaram para defenderem-se e
contra-atacar, e assim resis-
tir em seus espaços de auto-
nomia. Assim, surge a tática
"Black Bloc", como aponta
o sociólogo norte-america-
no George Katsiaficas, em
seu livro: "The Subversion
of Politics - European Auto-
nomous Social Movements
and the Decolonization of
Everyday Life".

  No Brasil não foi diferente,
  a tática Black Bloc manteve
  sua principal característica:
  resistir à ofensiva do Esta-
  do capitalista, e defender as
  manifestações do terrorismo
  de Estado exercido cabal-
  mente pela figura da polí-
  cia. Ao passo que cresciam
  as manifestações em junho,
  o número de encapuzados
  que lutavam ao lado do povo
  para defender as bandeiras
  de uma sociedade igualitária
  também aumentava. Hoje,
  com a diminuição da onda de
  protestos que sacudiu o país,
  alguns Estados, em especial
  o Rio de Janeiro, segue com
  as chamas incendiárias dei-
  xadas pela jornada de junho
  e julho.

No entanto, existe a neces-
sidade de refletirmos sobre
essa tática, justa e necessá-
ria que é o Black Bloc. Não é
novidade nenhuma que a ju-
ventude por trás das másca-
ras, que ousam lutar, carre-
gam consigo uma admirável
disposição para enfrentar as
mazelas que perpassam ge-
rações. Todavia, a ação dire-
ta deve cada vez mais estar
enraizada nas categorias de
base da classe trabalhadora,
para que ganhe em volume e
qualidade. É necessário que
todos militantes revolucioná-
rios, que visam a transfor-
mação radical da sociedade,
nos organizemos por locais
de estudo, moradia e traba-
lho preparando nestes espa-
ços as ações diretas de mas-
sas.

  Precisamos ser capazes
  de organizar os setores que
  ainda estão desorganizados,
  derrubar as burocracias sin-
  dicais que ainda permane-
  cem encasteladas e construir
  oposições que as derrotem,
  dar caráter de massa as gre-
  ves, e assim, combiná-las
  com a ação direta e as fren-
  tes de defesa e resistência
  cujo Black Bloc tem um papel
  fundamental. Somente com
  organização
  avançaremos,
  de agora em diante é neces-
  sário intensificar a luta, com
  disciplina para que não se-
  jamos engolidos pelo brutal
  aparelho repressivo contra o
  qual lutamos.


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