(pt) Jornal da União Popular Anarquista - UNIPA Causa Do Povo #67 - O QUE É ANARQUISMO?

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Domingo, 6 de Abril de 2014 - 17:40:38 CEST


Desde junho de 2013 as TV s, Jornais e revistas vêm fazendo uma campanha de difamação. 
Acusam os trabalhadores, estudantes e a juventude de "vandalismo". Taxam os que estão nas 
ruas de criminosos. Mas entre estes um alvo tem sido priorizado: os anarquistas. Desde 
junho a revoluta popular cresce e com ela a perseguição aos anarquistas. ---- Nesta 
campanha estão juntos os grandes jornais e redes de televisão. O Governo Federal, Estadual 
e os Partidos de Direita (PSDB, PMDB e toda a corja restante). Também os ditos de 
"esquerda" (PT, PSOL, PSTU PCdoB). A Revista Veja (órgão de calúnia e difamação oficial a 
serviço dos ricos e poderosos) fala: "Anarquistas: os organizadores do caos nas 
passeatas". O Jornal O GLOBO faz a campanha "PF investiga atuação de grupos anarquistas 
baseados no Rio". O PSTU (partido "de esquerda") abriu uma campanha desde junho contra os 
anarquistas, acusando os anarquistas de "vândalos" e depois atacando de todas as formas os 
"Black Bloc".

  Não é por acaso que todos os partidos
de esquerda e direita, a grande mídia e
o Estado atacam os anarquistas. Mas não
  é porque os anarquistas realizam atos de
  violência. Ninguém é mais violento que
  a polícia, não só nas manifestações, mas
  nas praças, favelas e ruas e campos do
Brasil. Nem porque os anarquistas levam
  o "caos" às ruas (os governantes e em-
  preiteiros já fazem isso).

  Eles combatem o anarquismo porque
  o anarquismo representa uma alternativa
  de luta e organização para todo o povo. O
  que é, então, o anarquismo?

  A luta contra a exploração e dominação: as ideias anarquistas

  "Anarquia é Ordem, Governo é Guerra Ci-
  vil!" Essa ideia foi formulada pelo pensador
  anarquista francês Pierre-Joseph Proudhon.
  O pensador e revolucionário anarquista rus-
  so Mikhail Bakunin defende: "liberdade sem
  socialismo é privilégio e injustiça; socialismo
  sem liberdade é escravidão e brutalidade".
  Essas duas frases expressam as principais
  ideais do anarquismo. O anarquismo luta
  pelo socialismo, ou seja, pela igualdade,
  contra a pobreza e exploração.

  O anarquismo quer acabar com as injus-
   tiças sociais e econômicas. O anarquismo
   também luta pela liberdade dos trabalhado-
   res e dos povos oprimidos pelas ditaduras e
   falsas democracias.

   Os anarquistas levaram suas ideias à prá-
tica através de duas maneiras. Através das
  organizações de defesa dos trabalhadores
  (sociedades de resistência, cooperativas e
  sindicatos) e também através das organiza-
   ções revolucionárias.

   Nesse sentido, a igualdade era praticada
  na luta diária contra a pobreza, a explora-
  ção. Como? Reivindicando maiores salários,
menores jornadas de trabalho e direitos
  iguais para homens e mulheres. Os anar-
  quistas ajudaram a construir os sindicatos e
  organizações de luta dos trabalhadores em
  diversas partes do mundo. Na Europa, nos
  Estados Unidos da América, no Brasil e Amé-
  rica Latina.

Na defesa da justiça e da igualdade os
   anarquistas lutaram contra bancos, empre-
sas, indústrias que sempre exploraram os
   trabalhadores. Os anarquistas também de-
   fenderam a liberdade dos trabalhadores. Os
   ricos e poderosos sempre defenderam sua
   própria liberdade. Mas sempre que o povo
   luta, os ricos e poderosos suprimem a liber-
   dade com autoritarismo e prisões.

   Como hoje no Brasil, especial-
  acontece mente no Rio de Janeiro, a polícia usa e abu-
   sa do poder. Mata à vontade. A liberdade de
   votar é uma piada. As milícias, a PM e as
   prisões e execuções sumárias mostram que
   não existe liberdade para o povo.

   Ao mesmo tempo, há guerra nas favelas
   contra os pobres, e guerra nos campos. Uma
guerra de extermínio. Dezenas de indígenas
e trabalhadores rurais são assassinados. Mi-
lhares de jovens pobres são executados pela
polícia todos os anos. Existe uma guerra do
Estado contra o povo.

  Os anarquistas querem a Paz, e isso signi-
fica que é preciso Luta. Luta para desarmar
os opressores, para impedir que sua violên-
cia fique impune. Assim os anarquistas luta-
ram e lutam contra Monarquias, Ditaduras
e Governos autoritários, sempre indicando
que os trabalhadores tem a capacidade polí-
tica de governar a sociedade.

  Lutam por paz, justiça e liberdade. E tam-
bém lutaram e lutam pelo fim do capitalis-
mo, construindo uma sociedade igualitária,
sem exploração. Justiça e Liberdade, essas
são as ideias que os anarquistas levam na
prática na sua luta. Mas como os anarquis-
tas agem?

  A política dos anarquistas: ação direta, a greve geral e a revolução popular

Os anarquistas entendem que a socie-
dade é dividida em classes. Uma classe
  controla a riqueza e o poder, econômico e
  político. Essa classe dominante explora e
  oprime os trabalhadores. Essa classe con-
  trola o Estado, os bancos, a polícia, as pri-
sões, o sistema de ensino. O único meio
  que a classe oprimida tem para manter
  seus direitos e interesses é sua luta e or-
  ganização.

  Por isso, os anarquistas entendem que
  essa classe oprimida (composta pelos
trabalhadores do campo e da cidade, pelos
pobres, negros e indígenas) deve lutar para
defender seus direitos, pois nenhum Gover-
no o fará. Essa visão de mundo é sintetizada
no conceito de ação direta.

  Ao contrário do que tem sido divulgado,
e do que muitos pensam, ação direta não
significa apenas "destruir ou confrontar" (é
isso também, mas não só isso). Segundo um
grande sindicalista revolucionário francês "A
ação direta é uma noção de tal clareza, que
é definida e explicada por sua própria decla-
ração. Significa que a classe trabalhadora,
na reação constante contra o meio ambiente
atual, não espera nada de homens, ou pode-
res superiores a sua força, mas ele cria suas
próprias condições de luta em si mesmo e
chama os seus meios de ação (...) A Ação
  Direta implica que a classe trabalhadora in-
  voca noções de liberdade e autonomia, em
  vez de se dobrar ao princípio de autoridade,
  pivô do mundo moderno - e o democratismo
  sua última expressão - por meio do qual
  seres humanos, acorrentados por mil laços,
  tanto morais e materiais, são castrados de
  qualquer possibilidade de vontade e inicia-
  tiva".

  Quer dizer, a ação direta significa que
  os membros da classe dominada tomaram
  consciência que precisam agir; que não de-
  vem esperar sua libertação de líderes, Parti-
  dos ou Governos "salvadores". Não esperam
  nada da farsa eleitoral "democrática". Ação
  direta expressa que os trabalhadores saíram
  do estado de apatia e passaram a ação. E
  isso exige organização e estratégia, objeti-
  vos pelos quais lutar e métodos coletivos.

  Já que não é através de governos, como
conseguiremos as mudanças que queremos?
A política da ação direta dos anarquistas é
guiada por dois objetivos. Os objetivos ime-
  diatos de melhorias parciais das condições
  de vida, aqueles que podem ser conquis-
  tados dentro da sociedade capitalista. E o
  seu objetivo maior, que é a derrubada da
  sociedade capitalista e a construção de uma
  sociedade socialista, que depende de uma
  revolução e da tomada do poder pelo povo.
  É a Liberdade e Igualdade para todos os tra-
  balhadores.

  Quais são os objetivos que lutamos den-
tro da sociedade capitalista? Melhores sa-
lários, direitos iguais, distribuição de terra.
  Hoje defendemos o passe livre e o trans-
  porte coletivo, a educação e saúde pública,
  melhores condições de trabalho nas escolas
  para professores e estudantes. Este progra-
  ma reivindicativo visa orientar a luta e or-
ganização e a criação do poder coletivo da
classe oprimida. Por isso vamos às ruas, por
isso atuamos nas lutas dos sindicatos e nas
greves.

  Como lutamos? Lutamos através de pro-
  testos, ocupações, passeatas. Mas o mo-
  mento mais importante da política dos
  anarquistas é a greve geral. É quando os
  trabalhadores se lançam numa luta coleti-
va nacional para parar a produção e mostrar
sua força. A greve geral exige um alto grau
  de organização. Ela eleva o nível e consciên-
cia. "A luta educa", por isso a rua é a escola
dos anarquistas.

A greve geral mostra a força da classe
  dominada e dos trabalha-
  dores. Ao mesmo tempo ela
  obriga os patrões e governos
  a ceder. Como aconteceu em
  2013 em que os protestos
  forçaram a redução das pas-
  sagens dos transportes coleti-
  vos com o levante popular. A
  greve geral potencializa ainda
  mais essa força popular.

  A greve geral se opõe a es-
  tratégia de eleger deputados,
  vereadores, presidentes. Ao
  invés dos trabalhadores pre-
  pararem candidatos para elei-
  ções, os anarquistas enten-
  dem que eles devem investir
  suas energias nas greves e
  lutas. Significa que acredita-
  mos que somente pelo poder
popular, que somente apos-
tamos no desenvolvimento
da força coletiva dos oprimi-
dos em luta contra o capita-
lismo e o Estado.

Mas os anarquistas não lu-
  tam apenas por conquistas para hoje. Não
   lutamos apenas por um programa reivindi-
   cativo. Lutamos por uma nova sociedade.
   Por isso entendemos que esse programa
   revolucionário exige o fim do Estado e do
   capitalismo. Nós queremos o autogoverno
   dos trabalhadores e dos oprimidos e o socia-
  lismo. Esse programa máximo defende para
  a sociedade revolucionária:

   1) que todas as terra que hoje são con-
   centradas nãos mãos de empresas, nacio-
   nais e estrangeiras, serão distribuídas justa-
   mente entre os trabalhadores rurais e povos
   tradicionais:

  2) todas as empresas estrangeiras e na-
  cionais privadas (fábricas, bancos, serviços
  financeiros, hotéis) que exploram recursos
  naturais e atividades econômicas serão co-
   letivizadas, não serão mais propriedade in-
   dividual ou de corporações, pertencerão aos
   trabalhadores e não funcionarão só para dar
   lucro, mas para atender aos interesses pú-
  blicos e sociais;

3) todas as instituições políticas e poli-
  ciais (cartórios, bancos, prefeituras, câma-
   ras legislativas serão destruídas e extintas),
  todas as dívidas de trabalhadores e pessoas
  pobres serão canceladas;

  4) as prefeituras, câmaras de vereadores
e o congresso nacional, antros de corrup-
ção, são extintos. O governo deixa de ser
patrimônio dos ricos e poderosos e serão
substituídos por Conselhos Populares, com
representantes eleitos nas organizações po-
pulares para um Congresso do Povo. Os re-
presentantes eleitos deverão seguir as deci-
sões dos conselhos de base; deverão receber
um salário mínimo nacional e não terão pri-
vilégios especiais como acontece hoje.

  5) Tomar todo o sistema educacional,
de saúde, transporte e serviços públicos,
acabando com o domínio do capital priva-
do e garantindo que toda a população tenho
acesso gratuito a esses serviços.

  Esses são os principais pontos de nosso
programa. Essa revolução é possível? Sim.
Temos um longo caminho, mas o primeiro
passo começa com a organização e a luta
  hoje. Os anarquistas acreditam en-
populartão que o povo deve continuar lutando e
aperfeiçoando sua organização.

Quando essa organização alcançar um
nível superior, nacional, geral ele consegue
realizar a revolução e coletivizar as terras,
as indústrias, o sistema financeiro criando
o seu autogoverno. Por isso o Estado, a mí-
dia e os partidos mentem e acusam os anar-
quistas. Porque eles são uma ameaça a seus
privilégios e seus crimes.


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