(pt) Jornal da União Popular Anarquista - UNIPA Causa Do Povo #67 - conteúdo + A greve das redes públicas de educação do Rio de Janeiro - 2013

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Sexta-Feira, 4 de Abril de 2014 - 18:28:22 CEST


A greve das redes públicas de educação do Rio de Janeiro (p. 2)---Greve Geral: estratégia 
contra o Estado e o capitalismo (p. 3) ---- O que é o anarquismo? (p. 4 e 5) ---- Em 
defesa dos black blocs: ampliar as táticas de resistência (p. 6) ---- Resgate dos cães 
beagles: uma ação anticapitalista (p. 7) --- Síria: guerra civil intervenção imperialista 
(p.e 8) ---- A greve das redes públicas de educação do Rio de Janeiro - 2013 ---- As 
greves da educação no es tado do Rio de Janeiro em 2013, tanto na rede estadual quanto na 
municipal, representaram um acúmulo de luta e de reflexão para esses trabalhadores quanto 
a necessidade de organização e a relação da base dessa categoria e seu sindicato, o 
Sepe-RJ. ---- 1. A precarização das condições de trabalho nas escolas públicas ---- Se 
utilizando de um discurso de melhorias na rede, através de bônus, auxílios etc., os 
governos camuflam a verdadeira intenção de sua política educacional que é privatizar, 
arrochar os salários e precarizar as escolas. Políticas neoliberais e desenvolvimentistas.

  Os profissionais de educação
  não só sofrem com os baixos sa-
  lários, mas enfrentam altas jor-
  nadas de trabalho, situações de
  periculosidade e insalubridade
  (violência escolar, urbana e fal-
  ta de infraestrutura das escolas).
  Essa precarização das condições
  de vida dos docentes também
  afeta os alunos. Os estudantes
  em sua grande maioria têm uma
  educação precária que os prepa-
  ra para ocupar uma condição de
  trabalhadores precarizados do
  comércio e dos serviços ou de su-
bempregados. Na grande maioria
  dos casos, serão integrantes do
  proletariado marginal urbano.

  Por fim, as escolas vêm sen-
  do geridas de forma autoritária e
  existe um processo de interven-
  ção no trabalho do professor que
  visa reduzi-lo apenas a um exe-
  cutor de tarefas de avaliação, de
  maneira que o espaço de liber-
  dade e autorealização têm sido
  expropriados e mercantilizados.
  A dimensão pedagógica da gre-
  ve explicita a contradição de que
  o capital tenta reduzir o trabalho
  e alienar o professor. Ele impõe
  que os alunos tenham conheci-
  mentos cada vez mais esquemá-
  ticos.

Por isso, as reivindicações
eram reajuste salarial de 20%
para a rede estadual, plano de
cargos e salários da rede munici-
pal e a luta contra a precarização
(redução do número de alunos
por turma, trabalho em uma só
escola, 30 horas de trabalho para
os demais profissionais, fim das
políticas de gratificação e fim do
Saerj).

2. A luta contra a burocracia do sindicato

Os trabalhadores da educação
não enfrentam somente a ação
dos governos e de seus apara-
tos repressivos, enfrentam tam-
bém o peleguismo no interior do
Sepe-RJ, que se expressa dentre
outras práticas pela desconstru-
ção das greves nas redes muni-
cipal e estadual. Todo o trabalho
feito pela direção para descons-
truir qualquer possibilidade de
ato unificado e real combate aos
governos neoliberais do Rio de
Janeiro. As propostas de unifica-
ção do movimento vinham sem-
pre dos comandos de greve e da
base nas assembleias.

Entre elas, a mais grave foi o
caso da caravana a Brasília, para
acompanhar a audiência no Su-
premo Tribunal de Justiça no dia
22 de outubro. Segundo delibe-
ração da assembleia, a direção
do Sepe-RJ deveria disponibilizar
ônibus para que os trabalhadores
da educação pudessem acompa-
nhar a audiência de conciliação.
Foi aprovada também a partici-
pação de representação de base
indicada pelo Comando de Greve
da categoria para acompanhar a
audiência.

A bandeira aprovada para o
ato em Brasília foi: "Em defesa
da educação pública! Contra a
criminalização dos movimentos
Sociais! Pela libertação dos pre-
sos políticos!". Entretanto, a dire-
ção do Sepe-RJ impediu a parti-
cipação dos familiares dos presos
políticos ou qualquer outro movi-
mento, assim como companhei-
ros que não eram sindicalizados.

Já a decisão de levar a represen-
  tação da base na audiência foi al-
  terada na reunião da diretoria do
  sindicato.

A intenção foi destruir um ato
  nacional numa conjuntura de
  mobilizações feitas em vários es-
  tados do Brasil em solidariedade
  ao movimento grevista do RJ. Ao
  fazer isto, a direção do sindica-
  to acaba colaborando com o go-
  verno. Daí a necessidade de se
  combater o governismo, o pele-
  guismo e o colaboracionismo que
  assolam o sindicato. A luta contra
  a burocracia sindical vem sendo
  feita pelos setores de oposição,
  especialmente aqueles organiza-
  dos pela Oposição de Resistência
  Classista (ORC).

No final de outubro, a maioria
da categoria votou pela suspen-
são das duas greves. Muitos to-
maram essa decisão em virtude
do esgotamento depois das ba-
talhas contra o autoritarismo de
Paes e Cabral e contra a burocra-
cia sindical. Todo esse processo
deixou importantes lições. Uma
delas é a necessidade urgente da
reorganização e de ruptura pela
base com a burocratização. O an-
tídoto contra a burocratização é
bem conhecido da classe traba-
lhadora: organização pela base,
luta contra o corporativismo e
estratégia da ação direta.

3. A jornada de lutas de junho e a greve de massas da educação

  As greves das redes públicas
  de ensino do Rio de Janeiro pos-
  suíam todas as possibilidades
  para a construção de uma greve
  de massas: categoria numerosa,
  envolvimento do movimento es-
  tudantil, incorporação das famí-
  lias dos estudantes, apoio da po-
  pulação em geral e, considerando
  o contexto da luta de classes de
  2013, a mudança da conjuntura
  política provocada pelas jornadas
  de lutas de junho.

  Entretanto, existem obstácu-
  los para o salto de qualidade das
  greves da educação: 1) a preca-
  rização e o sucateamento das re-
  des públicas; 2) a burocratização
  e o corporativismo da direção sin-
  dical; 3) os espaços temporários
  de organização, os "fóruns de
  lutas", criados a partir do levante
  popular de junho, ainda não se
  enraizaram nos locais de traba-
  lho, estudo ou moradia. Esses
  obstáculos impediram a supera-
  ção da condição de desorganiza-
  ção estrutural dos trabalhadores
  da educação.

  A história da greve da edu-
  cação pública do Rio de Janeiro
  pode ser utilizada como um gran-
  de exemplo, pois a atuação dos
  setores de oposição mostrou que
  é possível a construção de uma
  greve de massas. Num primeiro
  momento a direção do Sepe-RJ
  rechaçou a participação e apoio
  dos Black Blocs e dos setores
  combativos até o mês de se-
  tembro, além de se recusar em
  organizar a ação direta e o pro-
  tagonismo massivo das bases. A
  sabotagem da ação direta ficou
  evidente com a ocupação da Se-
  cretaria Estadual de Educação,
  no dia 04 de setembro, quando
  o Comando de Greve conseguiu
  organizar a ação, mas teve que
  travar uma luta ideológica e or-
  ganizativa contra a direção do
  sindicato.

  Num segundo momento, a
  partir dos atos de outubro, essa
  situação se modificou: os con-
  flitos da categoria com o Esta-
  do conseguiu levar o debate da
  autodefesa para as bases dos
  professores. Nesse sentido, a
  greve e as passeatas possibilita-
  ram uma convergência entre as
  formas organizativas produzidas
  pelo levante popular de junho
  e as lutas sindicais. Entretanto,
  essa convergência aconteceu de
  maneira tardia, por isso, foi insu-
  ficiente para garantir a vitória do
  movimento grevista.

  A categoria não conquistou as
  reivindicações desejadas, mas os
  atos de rua de outubro mostra-
  ram o potencial de uma greve de
  massas.


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