(pt) FARJ - Camponeses e Soberania Alimentar. Orgânicos para os ricos e transgênicos e agrotóxicos para os pobres (en)

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Terça-Feira, 22 de Outubro de 2013 - 20:12:45 CEST


Direção Nacional do MPA ---- O ordenamento da agricultura desde a lógica financeira 
constitui internacionalmente um verdadeiro programa de destruição em massa, conforme Jean 
Ziegler denuncia "a destruição anual de dezenas de milhões de homens, mulheres e crianças 
pela fome constitui o escândalo do nosso século" (Zingler, 2013).O mesmo autor descreve 
como o imperialismo americano e suas organizações mercenárias (OMC, FMI e BM) não 
reconhecem o direito à alimentação como um direito humano. ---- No Brasil esse projeto se 
materializa na aliança de classes entre o latifundiário atrasado, corporações nacionais e 
transnacionais, a mídia, o Estado e os bancos. Este pacto de classes é que caracteriza o 
que denominamos de agronegócio. ---- A ofensiva do agronegócio no Brasil tornou-nos o 
maior consumidor de agrotóxico do mundo; aumentou nossa dependência em fertilizantes 
minerais; aumentou a concentração de terras; liberalizou os transgênicos que se impõe a 
agricultura brasileira como uma tecnologia totalitária e se configura na maior ameaça a 
biodiversidade; e tem produzido as mais variadas mudanças na legislação brasileira visando 
hegemonização de uma agricultura centrada no lucro.

A terra, a água, a biodiversidade e os recursos minerais dos territórios camponeses e dos 
povos tradicionais são vistos como os últimos obstáculos a serem vencidos.

É diante desta quadra histórica que os camponeses fazem a luta de classes por um Plano 
Camponês e por Soberania Alimentar.

O Plano Camponês é compreendido pelo MPA como "um projeto político para o desenvolvimento 
do campo, que reúne as demandas imediatas concretas da classe camponesa aos seus 
interesses mais gerais, e a estratégia capaz de levar o campesinato a cumprir papel 
fundamental nas transformações estruturais da sociedade brasileira".

O aspecto central deste projeto é Soberania Alimentar, compreendida pela Via Campesina 
como "o direito dos povos em definir suas próprias políticas e estratégias sustentáveis de 
produção, distribuição e consumo de alimentos que garantam o direito à alimentação a toda 
a população, com base na pequena e média produção, respeitando suas próprias culturas e a 
diversidade dos modos camponeses de produção, de comercialização e de gestão, nos quais, a 
mulher desempenha um papel fundamental".

A luta por Soberania Alimentar se articula em dois eixos: um primeiro que trata 
diretamente das lutas por acesso a terra, aos recursos naturais, a produção de alimentos 
saudáveis, a agroecologia e a cultura camponesa; e uma segunda que diz respeito à 
construção de políticas de Estado que fortaleçam as formas camponesas de produção como 
reforma agrária, mercados institucionais, políticas de estoques, assistência técnica e 
extensão rural, educação, legislação entre outras.

Relevante papel na construção da Soberania Alimentar é a construção da Soberania Hídrica. 
O caso emblemático é o semiárido brasileiro no qual a água tem se tornado elemento de 
disputas entre camponeses, a sociedade em geral versus grandes projetos hidroelétricos e 
de irrigação.

Na região do Vale do São Francisco a situação é contrastante. Há uma única empresa que 
utiliza água para irrigação e produção de commodities equivalente ao consumo de 600 mil 
pessoas. Do outro lado a população paga taxas exorbitantes que subsidiam o superconsumo, 
para cada R$ 100,00 pago pelas famílias a empresa paga apenas R$ 1,12 pela mesma quantia 
de água consumida.

Nessa região uma lata de água de 20 litros custa R$ 2,50, paga-se R$ 1.000,00 por um carro 
pipa de água de 8 mil litros. Em Sento Sé famílias que por falta de perspectiva de água 
queimaram as roupas sujas.

As águas do Velho Chico atraiu a maior transnacional do mundo em transgênico, a Monsanto 
que se instalou em Petrolina-PE. Esta empresa é considerada internacionalmente a maior 
ameaça a biodiversidade e a Soberania Alimentar dos povos.

Outro aspecto na luta por Soberania Alimentar são a garantia dos direitos territoriais. No 
Vale do São Francisco em especial, camponeses e povos tradicionais vem sofrendo agressões 
incisivas por parte de empresas do agronegócio, mineradoras e hidroelétricas.

Tomando novamente Zingler, este propõe aos camponeses do mundo inteiro que causem 
"fissuras na ordem atual deste mundo que esmaga brutalmente os povos".

As jornadas de outubro por Soberania Alimentar se inscrevem neste contexto.

Fonte: 
http://www.mpabrasil.org.br/noticias/camponeses-e-soberania-alimentar-organicos-para-os-ricos-transgenicos-e-agrotoxicos-para-os
FARJ | 22/10/2013 às 13:41 | Categorias: agroecologia, frente de movimentos sociais rurais 
/ anarquismo e natureza, mpa | URL: http://wp.me/p1JXNu-Ax	


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