(pt) FARJ Novo Libera #159 - Declaração de Princípios da Coordenação Anarquista Brasileira (CAB)

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Segunda-Feira, 21 de Outubro de 2013 - 08:53:28 CEST


A Coordenação Anarquista Brasileira (CAB) é um espaço organizativo fundado em 2012 que 
articula nacionalmente organizações e grupos anarquistas que trabalham com base nos 
princípios e na estratégia do anarquismo especifista. A CAB surge como resultado dos dez 
anos do processo de organização, iniciado em 2002, com o Fórum do Anarquismo Organizado 
(FAO). Durante essa década, avança em termos político-ideológicos e em relação aos 
trabalhos nos movimentos populares. A fundação da CAB marca a passagem de um fórum para 
uma coordenação nacional, evidenciando um aumento de organicidade e fundamentando as bases 
para o avanço rumo a uma organização anarquista brasileira. ---- Nossa concepção 
organizativa do anarquismo ---- Todos os grupos e organizações da CAB, assim como aqueles 
interessados em ser seus membros, devem concordar, defender e aplicar esta concepção de 
anarquismo, que consideramos o mínimo necessário para o início dos trabalhos conjuntos.

O anarquismo defendido pela CAB é compreendido a partir dos princípios 
político-ideológicos e pela sua estratégia geral colocados a seguir.

Princípios políticos e ideológicos

A compreensão, a defesa e a aplicação dos seguintes pontos:
a) Do anarquismo como ideologia e, assim, como um sistema de idéias, motivações e
  aspirações que possuem necessariamente uma conexão com a ação no sentido de trans-
formação social, a prática política.
b) De um anarquismo em permanente contato com a luta de classes dos movimentos
populares de nosso tempo e funcionando como ferramenta de luta e não como pura filo-
sofia ou em pequenos grupos isolados e sectários.
c) De um conceito de classe que inclui todas as parcelas de explorados, dominadosoprimidos 
da nossa sociedade.
d) Da necessidade do anarquismo retomar seu protagonismo social e de buscar os mel-
hores espaços de trabalho.
e) Da revolução social e do socialismo libertário como objetivos finalistas de longo pra-
zo.
f) Da organização como algo imprescindível e contrária ao individualismo e ao espon-
taneísmo.
e
g) Da organização específica anarquista como fator imprescindível para a atuação nas mais
diversas manifestações da luta de classes. Ou seja, a separação entre os níveis político (da
organização específica anarquista) e social (dos movimentos sociais, sindicatos, etc.).
h) Da organização anarquista como uma organização de minoria ativa, diferindo-se esta da
vanguarda autoritária por não se considerar superior às organizações do nível social. O
nível político é complementar ao nível social e vice-versa.
i) De que a principal atividade da organização anarquista é o trabalho/inserção social em
meio às manifestações de luta do povo.
j) De que a ética é um pilar fundamental da organização anarquista e que ela norteia toda
a sua prática.
k) Da necessidade de propaganda e de ela ter de ser realizada nos terrenos férteis.
l) Da lógica dos círculos concêntricos de funcionamento, dando corpo a uma forma de
organização em que o compromisso está diretamente associado com o poder de delibera-
ção. Da mesma maneira, uma organização que proporcione uma interação eficiente com
os movimentos populares.
m) De que a organização deve possuir critérios claros de entrada e posições bem deter-
minadas para todos que queiram ajudar (níveis de apoio /colaborador).
n) Da autogestão e do federalismo para a tomada de decisões e articulações necessárias,
utilizando a democracia direta.
o) A busca permanente do consenso, mas, não sendo possível, a adoção da votação como
método decisório.
p) Do trabalho com unidade teórica, ideológica e programática (estratégica / de ação).
A organização constrói coletivamente uma linha teórica e ideológica e da mesma forma,
determina e segue com rigor os caminhos definidos, todos remando o barco no mesmo
sentido, rumo aos objetivos estabelecidos.
q) Do compromisso militante e da responsabilidade coletiva. Uma organização com mem-
bros responsáveis, que não é complacente com a falta de compromisso e a irresponsabili-
dade. Da mesma forma, a defesa de um modelo em que os militantes sejam responsáveis
pela organização, assim como a organização seja responsável pelos militantes.
r) Os militantes que compõem a organização têm, necessariamente, de estar inseridos em
um trabalho social, bem como se ocupar de atividades internas da organização (secretarias,
etc.)

Estratégia geral

A estratégia geral do anarquismo que defendemos baseia-se nos movimentos populares,
em sua organização, acúmulo de força, e na aplicação de formas de luta avançada, visando
chegar à revolução e ao socialismo libertário. Processo este que se dá conjuntamente com
a organização específica anarquista que, funcionando como fermento/motor, atua conjun-
tamente com os movimentos populares e proporciona as condições de transformação.
Estes dois níveis (dos movimentos populares e da organização anarquista) podem ainda
ser complementados por um terceiro, o da tendência, que agrega um setor afim dos mo-
vimentos populares.
Essa estratégia, portanto, tem por objetivo criar e participar de movimentos populares de-
fendendo determinadas concepções metodológicas e programáticas em seu seio, de forma
que possam apontar para um objetivo de tipo finalista, que se consolida na construção da
  nova sociedade.


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