(pt) FARJ Novo Libera #159 - CONSTRUIR PODER POPULAR!

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Quinta-Feira, 17 de Outubro de 2013 - 11:34:42 CEST


A voz dos oprimidos nos atos de junho até a atualidade ---- Junho e julho foram meses de 
grandes manifestações populares, onde trabalhadores, estudantes, desempregados e diversos 
setores da classe oprimida foram às ruas em várias cidades do país para lutar contra os 
abusos das corporações capitalistas e do governo. A força vinda da base da classe oprimida 
alcançou repercussão mundial, e como não poderia ser diferente encontrou adversários 
reacionários em seu caminho: a Rede Globo, as demais mídias capitalistas e os setores 
direitistas tentaram esvaziar o conteúdo social reivindicatório das pautas das 
manifestações, seja com generalizações do tipo "contra a corrupção", ou com apelações 
ufanistas do tipo "o gigante acordou". Apesar disso, a forte pressão popular abaixou as 
tarifas dos transportes em muitas cidades, representando uma vitória incontestável do povo 
contra as classes opressoras.

Nos meses de agosto e setembro vimos
surgir novas mobilizações e resistências
nas favelas. Locais que se organizaram e
também foram às ruas para denunciar a
violência que sofrem há decadas por parte
do Estado, lacaio do capital, e que não usa
balas de borracha. Essas iniciativas geraram
importantes acúmulos como: Movimento Fa-
vela Não se Cala e o Fórum Popular de Apoio
Mútuo (antigo Favela Nunca Dormiu). Isso
nos deixa como lição a necessidade de for-
talecermos os movimentos sociais desde a
base.

As revoltas e indignações populares diante
da precariedade do sistema de trens tam-
bém devem ser lembradas. Com a auto-
rização de Sérgio Cabral e do Secretário
de Transportes, Júlio Lopes, a população é
tratada de forma indecente pela concessio-
nária Odebretch, à base de chicote. A popu-
lação não aguenta mais a violência cotidia-
na imposta pelo péssimo serviço oferecido.
Está clara a incompatibilidade com a quali-
dade no fornecimento de serviços públicos
quando são entregues ao controle de em-
presários, e suas máfias, que visam o lucro e
a exploração do trabalhador.

Outubro chegou e com ele romperam no-
vas manifestações. Há dois meses em greve,
servidores dos sistemas municipal e estadu-
al de educação lutam por reajustes e pisos
salariais dignos e por um plano de cargos,
carreiras e remunerações que valorize a
todos. Lutam por uma política de educação
de qualidade contra as medidas impostas
pela Secretaria de Educação e governo, que
penalizam os servidores e aposentados. E
contra o avanço de um regime meritocrá-
tico, de lógica capitalista, que responsabiliza
e joga toda a culpa pelos problemas estru-
turais e pelo caos vivido na educação públi-
ca no colo dos trabalhadores. O medíocre
Governo PMDBista responde com amea-
ças e violência, com porradas de cassetete,
balas de borracha e bombas de gás!
No decorrer de uma conjuntura de mo-
mentos de ascensos e descensos das mani-
festações no Rio de Janeiro, o balanço geral
é positivo. Sobretudo quando estiveram
pautadas por demandas sociais espelhadas
na realidade dos oprimidos. Nota-se que
uma nova geração formada politicamente
no calor das lutas e reivindicações de rua
está surgindo e reage veementemente con-
tra as práticas burocratizadas que desmo-
bilizam a classe trabalhadora. Mas há ainda
muito a se fazer e construir nas bases de
diversos setores populares e categorias
dos trabalhadores, onde é preciso dar a luta
organizada e cotidianamente.

A violência é a verdadeira Lei do Estado

Como já dito, a democracia burguesa não
se intimidou e fez uso de aparatos e me-
canismos repressivos herdados da ditadura.
Criou a nefasta Comissão Especial de Inves-
tigação de Atos de Vandalismo em Manifesta-
ções (extinta diante das pressões popula-
res), criminalizou o uso de máscaras, plan-
tou provas, prendeu menores, perseguiu e
prendeu ativistas e forjou
"quadrilhas". Nas favelas
o Estado saciou seu dese-
jo pelo sangue de traba-
lhadores e oprimidos: 13
moradores assassinados
no Complexo da Maré, e
na Rocinha, o desapareci-
mento de Amarildo (caso
que ganhou repercussão
também nas ruas).
As formas de resistência e
autodefesa do povo contra
as opressões são legítimas e não devem ser
criminalizadas. Não são comparáveis com
as violências cometidas pelo Estado, organi-
zadas militar, político e juridicamente, e que
contam com apoio irrestrito da mídia bur-
guesa. Quando a luta se massifica, como foi
o caso da greve dos profissionais da educa-
ção, os trabalhadores precisam defender-se
dessa orquestrada repressão policial.

Reconhecemos a importância das iniciati-
vas de autodefesa do Black Bloc, que cum-
pre com as necessidades de resistência nas
manifestações e que carrega uma demanda
simbólica contra aquilo que representa o
capitalismo e a democracia burguesa. Esta-
mos atentos à tentativa da mídia burguesa
em polarizar os manifestantes entre "vân-
dalos" e "ordeiros", e rejeitamos opiniões
generalizadas e conservadoras que desqua-
lificam o papel e a necessidade de autode-
fesa nas manifestações. Buscamos realizar
uma análise generosa dos eventos, incluin-
do todos aqueles que vão às ruas, que se
organizam nas bases, que são militantes de
movimentos populares ou organizações
políticas que não se rendem ao governismo
e tem enfrentado a força dos patrões nas
ruas. Assim, defendemos que a organização
das formas de autodefesa deve ter o povo
e os setores da classe trabalhadora e opri-
mida como protagonistas.

Entendemos que a violência do Estado não
é exceção, mas a regra, e seu principal ins-
trumento é a Polícia, seja ela Civil, Militar
ou a Guarda Municipal. Neste sentido, não
podemos enxergar o policial apenas pela
esfera econômica, como "trabalhador"
assalariado, sem perceber que há uma in-
dissociável esfera ideológica no papel de-
sempenhado pela Polícia no sistema de do-
minação capitalista: defesa da propriedade
privada, controle e assassinato dos pobres
e negros e a repressão a toda organização
popular que ameace a ordem vigente. Dian-
te de causas justas, não houve um recuo
dos lacaios do Estado nas manifestações.
Assim acreditamos que e defender o po-
licial como trabalhador assalariado é nutrir
ilusões ou ser oportunista.

Nossa posição diante da conjuntura
e propostas para avançar

Nós e as demais organizações da CAB,
diante da conjuntura presente nas manifes-
tações ocorridas de junho até o momento,
buscamos participar e ajustar nossas estra-
tégias aos distintos contextos que se co-
locam e mudam rapidamente, o que nem
sempre é fácil. Nunca abrimos mão de nos-
sos princípios e seguimos com nosso estilo
militante e concepção de prática política
enquanto minoria ativa. Errando e apren-
dendo com os erros, acertando e gerando
acúmulos.

Diferente das práticas de vanguarda, nossa
minoria é fundamentada na perspectiva de
uma "retaguarda" enraizada, ou seja, propo-
mos estar sempre junto às massas. Nosso
programa aponta à nossa militância o res-
peito à autonomia das bases populares em
relação à construção de suas pautas e to-
mada de decisões. Atuamos como fermen-
to nas lutas, propondo organizar o que não
está organizado, e ajudando a fortalecer e
empoderar os setores populares já organi-
zados, tendo a autogestão, a ação direta e
o federalismo como métodos. Não delega-
mos o poder popular, o construímos na luta
cotidiana e junto aos organismos de base,
que são o germe da sociedade futura que
queremos cultivar.

  Antes uma ação mais modesta, construída
coletivamente, do que propostas mirabolan-
tes realizadas com atropelo e desrespeito
ao protagonismo das bases na organização
e na tomada de decisão. Temos consciên-
cia de que não vamos operar sozinhos uma
transformação radical da sociedade, por
isso propomos a solidariedade na luta com
outras forças revolucionárias e contra toda
forma de repressão. Para nós, liberdade não
significa isolamento. Essa solidariedade e
aliança se dão para nós, prioritariamente
pelos movimentos sociais que ajudamos
a construir. Da mesma forma repudiamos
as ações que burocratizam as lutas, deslo-
cando a política da ação dos organismos de
base para a mão de técnicos juristas, eco-
nomicistas, burocratas ou políticos. Isso vai
minando o protagonismo dos trabalhado-
res.

Entendemos que é esse o nosso papel nas
manifestações e nos movimentos sociais
que contam com nossa militância, como o
Movimento de Organização de Base (antigo
MTD-Pela Base!), o Movimento Passe Livre
  - RJ, a Cooperativa Roça, a Associação dos
  Produtores Autônomos do Campo e da Cidade
  (APAC), o Movimento de Pequenos Agriculto-
  res (MPA), a Comissão Pastoral daTerra (CPT)
  e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem
  Terra (MST) no Rio. Fortalecemos as inicia-
  tivas que ajudam a construir a organização
  e o poder popular. Compreendemos o
  anarquismo e a organização política en-
  quanto ferramentas a serviço da luta pela
  transformação social, de forma conjunta
  com as organizações populares e classistas
  dos trabalhadores. Por isso, em modestos
  passos, mas agindo com qualidade e ética,
  caminhamos ombro a ombro com os tra-
  balhadores do campo e da cidade. Prioriza-
mos levantar as bandeiras dos movimentos
sociais e organizações de base quando par-
ticipantes de espaços de luta, como: Fórum
de Lutas, Favela Não Se Cala, Fórum Popular
de Apoio Mútuo e no apoio à luta dos profis-
sionais da educação.Atuamos alinhados aos
nossos companheiros das demais organiza-
ções integrantes da CAB nas lutas campo-
nesas, comunitárias, sindicais, estudantis e
contra todos os tipos de opressões. Acre-
ditamos que o anarquismo só faz sentido
quando posto em prática, criando raízes a
partir da mobilização popular. Chamamos a
todos que tenham acordo com nossas pro-
postas e que queiram tomar parte nesse
projeto, buscando mobilizar-se nos locais
de estudo, moradia e trabalho. Convidamos
a todos para construir um projeto socialis-
ta e libertário de sociedade! Convidamos
todos a organizar, com estratégia e firmeza
a luta pela construção desde já, do poder
  popular!
Lutar, criar, Poder Popular!!!
  Viva as manifestações
e as lutas do povo!!!


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