(pt) Brasil: Nova invasão policial do local da FAG by Evandro Couto (en)

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Sexta-Feira, 4 de Outubro de 2013 - 08:59:54 CEST


O governo do PT no Rio Grande do Sul (Brasil) faz uma caça as bruxas e invade domicílios e 
locais públicos de organizações de esquerda e mov. sociais. ---- Na tarde desta última 
terça-feira, 1 de outubro de 2013, o Ateneu Libertário A Batalha da Várzea que faz local 
político-social para a Federação Anarquista Gaúcha foi invadido pelas forças repressivas 
do governo Tarso do PT pela segunda vez. ---- A porta da sede foi arrombada e teve suas 
dependências e equipamentos revirados. Por cima de uma mesa foi deixado um bilhete que 
dizia: "passei por aqui e a porta estava aberta. Gostaria de participar da FAG." ---- A 
terça-feira amanheceu com uma forte operação repressiva desatada pelo governo estadual e a 
justiça sobre militantes do Bloco de Lutas e organizações de esquerda.

Invasão de residências particulares, locais públicos de esquerda e campanas sobre 
companheiros/as foram levados a cabo durante todo o dia. Falam-se de mais de 70 mandatos 
judiciais de busca e apreensão ainda por serem executados. Na última quinta-feira, quando 
da dispersão do ato público do Bloco de Lutas cinco companheiros foram detidos e 
incriminados. O governo Tarso quer calar o protesto social que foge do seu controle, que 
não se engana com seus malabarismos retóricos e nem se amansa com expedientes repressivos.
[English]

NÃO SE INTIMIDAR, NÃO DESMOBILIZAR. RODEAR DE SOLIDARIEDADE OS QUE LUTAM!
Nota pública da FAG sobre a caça as bruxas do dia 01 de outubro em Porto Alegre - RS

A grande operação que a polícia civil desatou ontem, atingindo diversos companheiros e 
organizações de esquerda que militam em torno do Bloco de Lutas aponta a necessidade da 
solidariedade como uma tarefa de urgência.

Nesse momento urge encararmos a questão no seu devido conjunto. Não se tratou de uma 
repressão dirigida especificamente a uma organização, mas sim um golpe contra toda 
militância de esquerda. O momento é de tomarmos a solidariedade para com todos os 
companheiros e organizações perseguidas como um dever que esteja acima de vinculações 
ideológicas e organizativas, não caindo na mesquinharia de titubear a solidariedade em 
função de preferências políticas.

Após todo esse sórdido operativo, Tarso teve a frieza e a cara de pau para divulgar um 
depoimento onde faz questão de defender o mega operativo, frisando que o mesmo se deu 
respeitando todos os marcos do "Estado democrático de direito". Omite todo um roteiro de 
invasões em residências e locais como o Moinho Negro, Utopia e Luta, Ateneu Libertário, 
invadido pela segunda vez em menos de 4 meses. Tarso cita os casos dos companheiros do 
PSOL e PSTU e convida os dirigentes dos partidos para uma audiência com o objetivo de 
relatarem o ocorrido.

O convite de Tarso entra como a proposta de um jogo cretino, pois o que busca em realidade 
é arbitrar, a revelia de um movimento popular, quem são seus interlocutores, além de 
pressionar para a colaboração. Isso fica claro quando, ao negligenciar o restante do 
operativo afirma não acreditar que "atos criminosos" sejam praticados por "militantes 
políticos", logo já apresenta a fatura aos demais companheiros e organizações atingidas. 
Nada disso é novidade, no mês de junho, quando tivemos nossa sede invadida, através de um 
artifício ilegal (até hoje não temos conhecimento do mandato judicial), o mesmo Tarso foi 
a imprensa para chamar-nos de fascistas e reivindicar que estes partidos revissem sua 
política de alianças nos movimentos sociais.

Por fim, chamamos atenção para o grave caso dos 03 companheiros professores 
arbitrariamente presos no último ato do Bloco de Lutas que foram indiciados no dia de 
hoje. Estes 03 companheiros foram abordados por um ônibus da Brigada e presos logo em 
seguida enquanto se dirigiam a uma lancheria na Cidade Baixo após o término do ato. A isca 
para abordá-los foi que um destes companheiros carregava uma bandeira do CPERS-Sindicato.
A prisão destes companheiros logo revelou uma meticulosa operação policial que tinha como 
intuito caçar aleatoriamente manifestantes ao final do ato, de forma a efetuar prisões e 
plantar "flagrantes" de forma a apresentá-los como bodes expiatórios por casos de 
depredações. Sem provas, resumindo tudo ao depoimento de brigadianos não identificados, os 
companheiros foram acusados de depredação de patrimônio público, crime ambiental por 
pichação em patrimônio tombado e agressão a brigadianos. O grande objetivo da operação era 
encaminhar os companheiros ao presídio central dada o valor exorbitante da multa/chantagem 
que se aplicou: R$4 mil para cada em espécie.

Enquanto a polícia civil respeitando o "Estado democrático de direito" invadia residências 
de companheiros e locais de organizações, o delegado Paulo César Jardim, responsável pela 
"investigação" das prisões do último ato, concluía sua nobre tarefa.

Curioso é o fato que o mesmo Jardim é também o delegado responsável pela investigação dos 
grupos neo-nazistas que atuam impunemente no Estado, mais especificamente em Porto Alegre 
e na Serra Gaúcha, realizando inúmeros ataques, especialmente de ordem homofóbica e 
racista. Nunca vimos tamanha agilidade deste "grande investigador", para autuar esses 
verdadeiros criminosos e tampouco medidas efetivas por parte do governo Tarso/PT nesse 
sentido.

É hora de levar o abraço solidário a todos e todas que lutam para que o protesto social 
não se envergue ao poder e resista a fuzilaria reacionária dos monopólios da mídia. 
Mobilizar uma frente comum de todo o campo da independencia de classe para romper o cerco 
repressivo e impedir a criminalização dos movimentos sociais.

Contra o medo e a repressão. Luta e Organização!
Não tá morto quem peleia. Porque só a ação direta faz um Povo Forte.

Federação Anarquista Gaúcha

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