(pt) União Popular Anarquista - UNIPA - GREVE GERAL: Estratégia de luta contra o Estado e o capitalismo
a-infos-pt ainfos.ca
a-infos-pt ainfos.ca
Terça-Feira, 26 de Novembro de 2013 - 17:07:41 CET
Passeata em São Paulo na greve geral de 1917. ---- Em 1917 no Brasil, os trabalhadores
paulistas organizados na Federação Operária de São Paulo (FOSP), no Comitê de Defesa
Proletária e, nacionalmente, na Confederação Operária Brasileira, a COB, convocaram uma
greve geral que entrou para a história do Brasil. ---- O movimento grevista começou com a
reivindicação de aumento salarial dos operários das indústrias de tecido no mês de junho
de 1917. No mês seguinte o Comitê de Defesa Proletária publicou uma pauta de
reivindicações mais ampla, que incluía a luta contra a chamada carestia de vida, a adoção
da jornada de trabalho de 8 horas por dia e a abolição do trabalho infantil. Unidos
entorno dessa pauta de reivindicações, os trabalhadores de todas as indústrias, do
comércio e dos transportes coletivos aderiram ao movimento. Durante três dias o Comitê de
Defesa Proletária assumiu o controle da cidade de São Paulo. O governo abandonou a cidade
e, no fim, é obrigado a negociar com os grevistas, atendendo suas reivindicações.
Depois da greve em São Paulo, trabalhadores de outras capitais também entraram em greve:
Rio de Janeiro, Recife, Salvador, Curitiba e Porto Alegre.
1. A atualidade da greve geral
Passados 96 anos da greve geral de 1917, em meio ao Levante Popular de junho de 2013,
quando milhões de trabalhadores e estudantes tomaram as ruas de praticamente todas as
capitais do país e de diversas cidades, reivindicando a redução do preço da tarifa do
transporte público, foi lançada pelas redes sociais, como um evento no facebook, um
chamado para a realização de uma greve geral no dia 1° julho. Que de fato não aconteceu.
Diante da grande adesão ao evento "greve geral" no facebook, as centrais sindicais
oficiais (CUT, Força Sindical, CTB, UGT, CGTB, NCST, CSP-Conlutas) iniciaram uma campanha
com o objetivo de deslegitimar a iniciativa, sob o argumento de que só elas, as centrais
sindicais oficiais, teriam a legitimidade de convocar uma greve geral.
Depois, essas mesmas centrais passaram a convocar um dia nacional de mobilizações e
paralisações, marcado para o dia 11 de julho. A baixíssima adesão ao dito dia nacional de
paralisações mostrou que de fato não era objetivo das centrais sindicais mobilizar os
trabalhadores, mas sim mostrar seu controle sob os mesmos e contribuir para o fim das
mobilizações de rua. Ao mesmo tempo foi uma tentativa de negar a própria estratégia da
greve geral, uma vez que não a convocaram, pois o dia 11 de julho foi um dia nacional de
paralisações, não uma greve geral.
Realmente, uma greve geral não pode ser o resultado de um evento marcado das redes
sociais, mas sim o resultado da luta e articulação organizativa complexa a partir dos
locais de trabalho. Quando diversas categoriais em luta, organizadas a partir da base,
percebem que suas lutas não são isoladas, que suas reivindicações são, na verdade,
reivindicações do conjunto da classe trabalhadora.
O evento do facebook "greve geral" mostrou que essa não é uma estratégia de luta esquecida
pelos trabalhadores. E o dia 11 de julho mostrou que as centrais sindicais oficiais
abandonaram a luta real da classe trabalhadora, e estão mais preocupados em manter suas
burocracias sindicais e em defender o Governo Dilma. Assim, ficamos entre o desejo da
juventude de realizar a greve geral e toda a estrutura organizativa que impede que ela
aconteça.
2. Construir a greve geral contra o Estado e o Capital.
"É barricada, greve geral! Ação direta que derruba o Capital!". Essa foi uma das várias
palavras de ordem cantadas durante o levante de junho e as demais manifestações que se
estenderam até outubro. Trata-se da certeza de que é necessário a construção de uma greve
geral contra o Capital, isto é, contra a exploração burguesa e contra a opressão do Estado.
O caminho da construção da greve geral é o trabalho de base nos locais de trabalho,
moradia e estudo. É a construção de pautas de reivindicações que atendam ao conjunto da
classe trabalhadora. É a realização de assembleias conjuntos de diversas categoriais. É a
convocação de atos conjuntos. Por fim, é a paralisação geral de todas as atividades de
trabalho. É o levante do povo trabalhador contra o Estado e o Capital.
Outra palavra de ordem lançada pelas ruas captura todas as contradições do momento
histórico: "Não Vai Ter Copa!" O melhor meio é começar seriamente a construção de uma
Greve Geral. Mas essa iniciativa só pode ocorrer a partir das bases e contra a burocracia
sindical. Uma greve geral que mostre o poder e vontade de luta dos trabalhadores.
Por isso conclamamos: Greve Geral contra a Copa em 2014!
Não vai ter Copa!
More information about the A-infos-pt
mailing list