(pt) Solidariedade, México: Estudante preso em greve de fome há 43 dias

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Quinta-Feira, 21 de Novembro de 2013 - 09:23:46 CET


Mário Gonzalez é um estudante da Faculdade de Ciências e Humanidades da Universidade 
Autónoma do México. Está em greve de fome há 43 dias, desde o dia 8 de Outubro. Preso 
quando seguia num autocarro, com outros jovens, no dia da manifestação (que terminou com 
confrontos com a polícia, a 2 de Outubro, na Cidade do México), foi torturado e, muito 
debilitado, corre risco de vida. Há um grande movimento de solidariedade em marcha em todo 
o mundo  para com este jovem estudante anarquista mexicano. ---- Enquanto Mario González, 
estudante do Colégio de Ciências e Humanidades da UNAM (Universidade Nacional Autónoma do 
México) convalesce no interior do Reclusorio Oriente, a poucos dias da sua possível morte 
devido à greve de fome que mantém há mais de um mês, a sociedade mexicana dirige-se 
massivamente às lojas para ser roubada pelo crédito, passando assim a ressaca que lhes 
deixou a celebração do triunfo da sua patética selecção nacional.

A possível morte de Mario não lhes magoa as consciências porque estão convencidos, devido 
ao pontificado das televisões, de que se trata de um vândalo, um ladrão, um terrorista: 
merece morrer na prisão.

Mário foi preso a 2 de Outubro passado, quando o fizeram descer de um autocarro, 
juntamente com outros estudantes, antes de que a manifestação e os enfrentamentos desse 
dia tivessem lugar e antes disso já ele estava algemado, já o estavam a torturar, já lhe 
davam choques eléctricos, já lhe tinham deslocado um braço. Há um mês já que quem entrou 
com ele no Reclusorio saiu em liberdade, sob fiança, enquanto que a ele o voltaram a 
prender e levaram-no outra vez para a prisão.

Não é o único que continua preso: no Reclusorio Norte permanecem outros oito presos que 
foram detidos durante a manifestação. Como mostram os vídeos, as detenções foram 
arbitrárias, não foi apresentada uma só prova contundente contra nenhum, a sua 
participação nos confrontos não foi corroborada a não ser pelos polícias que os 
apresentaram no MP e que não foram os mesmos que os prenderam. Sabemos que para o GDF 
(Governo do Distrito Federal), o correcto é estarem na prisão, que sejam castigados por 
terem acorrido a um protesto, por não serem potenciais vítimas do "bom fim" e por 
denunciarem a miséria, a injustiça e a corrupção do governo e do sistema.

A greve de fome de Mario está a poucos dias de acabar com a sua vida. A maior parte dos 
meios de comunicação guarda silêncio, a morte de um estudante arbitrariamente detido não 
lhes parece mais importante que a vida privada de um estúpido treinador de futebol. O 
próprio Estado ainda não se pronunciou publicamente, o Estado que é quem deve explicações 
à família de Mario e à sociedade que o verá morrer na prisão. O Estado é Miguel Ángel 
Mancera (chefe do governo federal, NdT) que deve explicar publicamente porque é que deteve 
Mario antes de começar a manifestação, porque é que ordenou que ele fosse torturado física 
e psicologicamente durante a detenção e já no interior do Reclusorio. O Estado é a CDHDF 
(Comissão de Direitos Humanos do Distrito Federal, NdT) que também não disse uma palavra 
nem cumpriu com a sua obrigação de salvaguardar a todo o custo os direitos de Mario. Mas o 
Estado são também as autoridades universitárias, às quais tão pouco parece preocupar que 
um dos seus estudantes venha a morrer na prisão por delitos que não cometeu.

Miguel Ángel Mancera quer que Mario morra na prisão.

José Narro Robles ( reitor da Universidade Autónoma, NdT) quer que Mario morra na prisão.

Lucía Laura Muñoz Corona (directora do Colégio de Ciências e Humanidades da UNAM) quer que 
Mario morra na prisão.

A sua possível morte excita-os, esperam-na com ansiedade. Quando acontecer, terão mandado 
a mensagem apropriada a todos os estudantes e a todos os que protestam contra as medidas 
que a classe dominante nos impõe todos os dias e em todos os âmbitos: o castigo por 
protestar é a pena de morte, questionar as decisões da Santa Reitoria e dos seus esbirros 
castiga-se com a tortura e com o assassinato; vale morrer de fome, humilhado e torturado 
dentro de uma cadeia sobrelotada. No fundo são apenas uns cobardes, autoridades patéticas 
que se escudam em discursos legalóides e pseudodemocráticos para imporem a sua lei, que 
não é sua mas dos seus patrões: Mario está preso porque o reitor e os seus escravos crêem 
que participou na ocupação da reitoria, na sequência de um conflito estudantil no CCH 
(Colégio de Ciências e Humanidades, NdT) Naucalpan em que tinha estado presente. Nem 
sequer são capazes de aceitar publicamente que o têm preso por razões políticas, não 
legais, e que é por essas razões que estão dispostos a deixá-lo morrer na prisão. As 
violações sistemáticas ao respectivo processo são tão evidentes que é perfeitamente 
possível intervir para que saia por via jurídica, e se não o fizeram é porque o consideram 
um inimigo político que deve perecer.

Se o Mario morrer, os responsáveis directos, os assassinos, serão o GDF (Governo do 
Distrito Federal, NdT) e as autoridades universitárias. Ter-se-á registado um precedente 
importante para o que virá a seguir nesta conjuntura álgida da luta de classes e da 
organização contra as reformas estruturais, particularmente no que diz respeito ao papel e 
ao compromisso assumidos peloes estudantes: o castigo por contradizer o poder é a tortura 
e a pena de morte e a garantia de que isso é assim é da responsabilidade das autoridades 
universitárias.

Mancera, Narro, Muñoz: Assassinos e torturadores!!

Liberdade imediata, absoluta e incondicional para Mario e reparação de todos os danos!

Liberdade para todos os presos do 2 de Outubro e para todos os presos políticos do estado 
capitalista!

Izquierda Revolucionaria Internacionalista Buenaventura Durruti
"Levamos um mundo novo nos nossos corações"
16 de novembro de 2013

Aqui: 
http://www.proyectoambulante.org/index.php/noticias/internacionales/item/3090-si-mario-gonzalez-muere-los-responsables-directos-los-asesinos-seran-el-gdf-y-las-autoridades-universitarias



Mario toma a palavra

Saudações desde o Reclusorio Preventivo Varonil Norte, sexta-feira-feira, 15 de Novembro, 
os magistrados da quinta sala negaram-me a liberdade sob caução alegando que sou um perigo 
para a sociedade, ainda que não haja qualquer prova contra mim mantêm-me preso, isto 
reafirma a cumplicidade repressora das diferentes instâncias do Estado.
Aos 41 dias de greve de fome mantêm-me privado da liberdade e apenas exijo o meu direito à 
liberdade provisória, de forma a conduzir o meu processo fora da prisão, o que não é 
nenhum favor, mas é o que as suas próprias leis permitem e que eles passam por alto, e por 
isso estou disposto a levar esta greve até às últimas consequências para alcançar a minha 
liberdade.

Mario González García, 18 de Novembro de 2013

http://solidaridadmariogonzalez.wordpress.com/

http://colectivolibertarioevora.wordpress.com/2013/11/20/solidariedade-mexico-estudante-preso-em-greve-de-fome-ha-46-dias/


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