(pt) Brasil, União Popular Anarquista (UNIPA) - Anarquismo e Violência: as tarefas e limites da tática "Black Bloc"

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Quarta-Feira, 20 de Novembro de 2013 - 08:20:17 CET


Os militantes identificados como Black Bloc tem sido alvo de perseguições. A polícia, o 
Governo Dilma e Cabral tentam colocá-los na prisão como criminosos. Por outro lado, 
partidos como o PT, PSOL e o PSTU e as direções sindicais pelegas fazem o mesmo. Tentam 
fazer a crítica de que os Black Bloc "atrapalham" as ações de massa. Eles criam uma falsa 
polêmica. ---- O que é o Black Bloc? Quais seus limites e qual seu potencial 
transformador? É preciso em primeiro lugar observar a história. O Black Bloc é uma forma 
de luta que surgiu na Europa dos anos 1970 e 1980. Essa tática visava defender as 
"ocupações" (prédios abandonados que trabalhadores tinham transformados em centros 
comunitários). A polícia usava de extrema violência. Então os ativistas passaram a usar 
capacetes de moto e improvisar escudos para tentar impedir os despejos.

Ou seja, o Blac Bloc era um meio. O fim era a defesa de uma organização social contra à 
violência policial e estatal. Mas foi nos movimentos contra à globalização nos anos 1990 
que o Black Bloc se tornou conhecido no mundo. Agora, depois da crise de 2008, a tática 
Black Bloc tem sido difundida em vários países da periferia da Europa (Grécia, Espanha, 
Itália), África (Egito) e no Brasil.

Mas na realidade, essa não é a primeira forma de autodefesa dos trabalhadores e povos 
oprimidos. Na realidade, no Brasil e no mundo já existiram várias formas e táticas de 
autodefesa e violência de massas. As principais formas eram a do sindicalismo 
revolucionário, que considerava a sabotagem, a resistência à polícia e a insurreição como 
o centro do seu repertório. Estes resistiam tanto nas manifestações de rua, quanto com 
formas clandestinas de organização. Muitos realizaram ações de guerrilha e ficaram 
conhecidos como expropriadores, porque expropriavam bancos para financiar a luta 
revolucionária.


Foto: Guerra Civil Espanhola, 1936.

Mas essas táticas não são exclusivas do levante popular de junho. Em várias situações, 
camponeses e trabalhadores rurais incendeiam canaviais e sedes de fazenda. Os operários 
destruíram o alojamento da empresa como protesto contra as péssimas condições de trabalho 
e destruíram a burocracia sindical. Logo, táticas de autodefesa e violência de massas não 
são nem novas, nem exclusivas do Black Bloc.

Então como podemos entender a crítica aos Black Bloc? Existe uma crítica burguesa. Essa 
acha que todos que lutam são criminosos. Mas existe também a crítica da esquerda 
oportunista que diz que os Black Block, por usarem da violência, afastam as massas da 
luta. Seu argumento se torna mentiroso por dois motivos: o surgimento da tática Black Bloc 
no Brasil acompanha a massificação do movimento. Massificação que os burocratas 
partidários e sindicais nunca tinha conseguido.

Por que a esquerda oportunista ataca o Black Bloc e toda a forma de violência de massa? 
Porque ela precisa mostrar que respeita os limites da ordem burguesa, que jamais irão 
criar formas de organização que ameacem de forma real esse poder. Ou seja, a esquerda 
oportunista e os ricos e poderosos temem o povo, que o povo tente tomar o poder. Essa é a 
raiz do problema.

Nesse sentido, a tática Black Bloc é apenas uma dentro da história da luta dos 
trabalhadores. 1º: o Black Block é uma tática, sem essa tática, sem incorporar e defender 
essa tática não existe movimento revolucionário. A tática do Black Bloc e sua dimensão 
defensiva e ofensiva, devem ser integrados por uma estratégia revolucionária. A massa de 
trabalhadores marginalizados está nos ensinando e criando condições para mudanças sociais 
efetivas no Brasil. Sem o uso dessa tática, da violência de massas, não existe revolução 
nem ninguém pode se proclamar revolucionário.

Quais os limites da tática Black Bloc? Apesar do uso em países como Alemanha, EUA, Europa, 
em todo o Movimento Antiglobalização, não se conseguiu criar um movimento de derrubada do 
capitalismo. Somente a violência de massas, sem uma organização e um programa não é 
suficiente. Corre-se o risco de transformar o "meio em fim". Ou ainda, como aconteceu com 
certos setores do Black Bloc nos EUA, considerar as ações de violência de massas como uma 
encenação, para satisfazer o desejo individual de expressão.

Mas também as organizações sindicais que não colocam o problema da violência de massas não 
conseguem ser um fator revolucionário sério. Grandes levantes populares como o do Equador 
em 1998, Argentina em 2001, Bolívia em 2005-2006 não assumiram essa estratégia e tática, 
foram integradas no capitalismo e não conseguiram realizar mudanças sociais.

Por isso é preciso e devemos evitar dois erros: o pacifismo contrarevolucionário, que 
condena a violência de massas; e o mito da violência como um fim em si. Por isso a tarefa 
é de uma organização de massas de tipo sindicalista revolucionário, que eduque, politize. 
Ao mesmo tempo que apoia as formas de autodefesa e luta nas ruas. E também que lute contra 
a burocracia sindical e dos partidos políticos. A tática Black Bloc precisa se integrar na 
Estratégia do Sindicalismo Revolucionário. Fora dele ela tende ao isolamento e 
enfraquecimento. Dentro dele ela se potencializa e potencializa a organização classista e 
combativa.


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