(pt) Revista anarquista Aurora Obreira #26 - Nem direita, nem esquerda, anarquia sempre! (en)

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Terça-Feira, 7 de Maio de 2013 - 13:24:05 CEST


O modelo tradicional político criou duas esferas que se enfrentam continuamente: a direita 
e a esquerda. Para quem não sabe, essa denominação veio do tempo da Revolução Francesa, 
quando os mais radicais se sentavam as esquerda nas tribunas, com o tempo isso se tornou 
uma definição usada em todo o mundo para identificar as polaridades politicas em luta. 
----  Mas essa definição é bem superficial e não abrange a proposta anarquista, que 
ficaria indefinida nesse espectro. ----  Simples de entender porque o anarquismo não tem 
lado: é contra o modelo politico institucional; contra a luta parlamentar e a estrutura 
partidária; não é liberal e não tem nada com o capitalismo, além de querer destruí-lo; o 
mesmo em relação ao marxismo, que nunca será libertário, por mais que alguns desses 
marxistóides tentem deformar o totalitarismo marxista e seu capitalismo de Estado e 
partido único como um socialismo “libertarizante”, um “comunismo real”, que sabemos não ser.

  A prática anarquista em muitas vezes leva a estar nos
  movimentos sociais, oprimidxs e exploradxs, E por essa
  participação já tendem a adjetivar como “esquerda”, mas
  não. Nos movimentos sociais, a maior preocupação anarquista é
  justamente romper com o modelo vanguardista, de
  lideranças, centralizadores e verticalizados, muito comum
  tanto para direita como para esquerda e se repararmo bem,
  vemos que essas definições não mais correspondem as práticas
  de ambos os grupos, principalmente porque uma
  parcela da esquerda no país está no poder e favorece acima de
  tudo, os mesmos clientes que a direita sustenta; há grupos de
  empresários que brigam entre si, mas isso já deixou de ser uma
  disputa ideológica, e sim uma disputa de influência; nessa
  situação dizer esquerda ou direita, é apenas um joguinho de
  aparências.

  A clareza da proposta anarquista assusta ambos os
  lados: abolição da propriedade, abolição dos partidos, abolição
  da riqueza, coletivização e administração direta dos meios
  de produção, a sociedade se organiza sem Estado e sem
  patrões. Tudo isso é uma nova estrutura que supera e destrói o
  modelo atual e isso é um perigo que tanto a esquerda como a
  direita não querem. O modelo atual para eles é muito
  confortável, conseguem trocar as cadeiras e continuar o jogo de
  poder, as custas da população, que fica excluída sempre dessa
  brincadeira. As eleições são uma enganação para legitimar essa
  estrutura excludente.

  Os anarquistas denunciam isso e são atacados por ambos os
  lados. Isso mostra que como anarquistas, não devemos
  procurar de nenhum desses lados ajuda ou apoio. De ambos
  os lados, sempre vieram traições que levaram milhões de pessoas
  para prisões e mortes. No Brasil, o minusculo partido comunista
para crescer, foi minando o trabalho do sindicalismo livre;
chegaram a estar do lado do governo totalitário de Vargas
para fecharem sindicatos livres e depois reabrirem no controle. O
mesmo governo de Vargas que casou e prendeu também esses
comunistas, vai entender! Na Espanha de 36, ocorreu algo
muito inusitado: os anarquistas eram uma força politica de fato,
com mais de milhão de associadxs nos sindicatos livres,
a ponto de poderem ter influência direta no governo
representativo da Republica Espanhola, mas de forma
coletiva não o fizeram, mantendo uma prática
descentralizada de gestão. Na medida que o governo
republicano não honrava suas palavras perante xs
trabalhdorxs, alguns companheirxs anarquistas foram
delegadxs como Ministrxs na Republica para que o governo
cumprisse suas promessas e que logo saem pela pressão dos
comunistas espanhóis apoiados pela URSS de Stálin, único
fornecedor de armas para a Espanha republicana e por conta
disso impunha suas condições e diminuir a revolução libertária
foi uma delas.

A esquerda e direita para o anarquismo são apenas as faces da
mesma moeda politica institucional e que a troca de poderes entre
essas figurinhas em nada favorecem a emancipação dxs oprimidxsexploradxs.

O modelo atual não nos representa e é necessário romper com
essa lógica através da administração direta feita por nós e para nós,
unidxs sempre!

Nossa lógica é outra, da libertação direta, da emancipação de
todxs sem intermediários ou governos seja de que lado for.
Construamos o anarquismo através de uma prática livre e direta!


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