(pt) Brazil, Porto Alegre, RS, Nota pública da FAG: PROTESTO NÃO É CRIME! CONTRA A CRIMINALIZAÇÃO DOS QUE LUTAM! (en)

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Sábado, 4 de Maio de 2013 - 15:53:30 CEST


NÃO SE INTIMIDAR. ---- NÃO DESMOBILIZAR. ---- RODEAR DE SOLIDARIEDADE OS QUE LUTAM! ---- 
PARAR A CRIMINALIZAÇÃO DO PROTESTO! ---- A redução da tarifa do transporte coletivo 
peleada pela força das ruas foi uma vitória moral do movimento popular liderado pela 
juventude combativa. Continuar esse movimento é uma causa fora de renúncia. Só a luta 
social decide de baixo pra cima um modelo de transporte público, que arranque dos patrões 
o poder sobre o direito de ir e vir dos estudantes, da classe dos trabalhadores e da 
periferia urbana. ---- Nossos últimos dias de luta indicam que chegamos a uma nova fase da 
peleia. O bloco da reação volta ao ataque pela criminalização do protesto. Se conta cerca 
de 20 companheiros que já foram intimados e 5 indiciados pela polícia. Classe patronal, 
autoridades dirigentes do município e Estado, a imprensa monopolista estão coordenados no 
mesmo plano.

Criminalizar os lutadores sociais, criar espantalhos, desencorajar a participação popular 
na luta pelo direito a cidade.

As audiências na delegacia de polícia que estão sucedendo com os companheiros intimados a 
depor confirmam essa linha da reação. A suposição de uma “organização secreta” que dirige 
as ações do movimento para fins ocultos é um espantalho pra assustar os desavisados e 
convocar a fuzilaria conservadora. Para esse discurso das instituições a luta social que 
vem de baixo sempre anda a reboque de interesses que não conhece. Velho artifício da 
batalha de ideias usado para confundir, desqualificar e liquidar com a oposição das ruas 
pelo controle do juízo público.

Na região metropolitana, os protestos que tomam as ruas em distintos municípios pela pauta 
da redução da tarifa tem enfrentado o discurso conservador da máfia do transporte que 
falsifica a planilha de custos. No expediente da polícia está a orientação de intimidar e 
identificar aqueles que protestam, inclusive querendo saber o endereço dos mesmos.

Não podemos aceitar a perseguição político-judicial dos companheiros de luta. Nossa 
mobilização tem que ser firme e decidida para não marchar pra trás e defender nessa hora 
nossos direitos de reunião, de associação e manifestação. A solidariedade com os 
processados deve ser uma palavra com a força de uma tonelada para a toda a esquerda combativa.

Na manifestação do Bloco da última terça-feira, a  tática da polícia formou um corredor 
polônes com duas linhas da cavalaria. Querem provocar o medo e desmobilizar a adesão aos 
protestos. Por sua vez, a investigação que deveria estourar a caixa preta da ATP (e seus 
sócios colaboradores da política e da grande mídia) rastreia e chafurda a vida dos 
manifestantes. Na semana passada, a polícia do Governo Tarso ensejou uma reunião para 
negociar e anunciou medidas de controle mais agressivas.

Diante disso nós reforçamos nossa atitude, a pauta do transporte público não é  um caso de 
polícia, a questão social urgente e necessária que se acusa só pode ser resolvida por 
decisão política. E para fazer cumprir suas demandas o povo não pode confiar seus 
interesses ao poder burocrático dos conchavos de gabinete e às decisões tomadas a portas 
fechadas entre elites políticas e grupos econômicos dominantes. A democracia de base é um 
mecanismo social que se representa na política pelas assembleias, pelas marchas, distintas 
formas de luta e organização de base dos setores populares.

Estamos unidos com o Bloco de Lutas na defesa de um modelo de trasporte coletivo 100% 
público, que liquide com o lucro dos patrões na exploração de nossos direitos, das 
liberdades públicas de acesso e mobilidade do conjunto do povo sobre a cidade. Um modelo 
público de transporte coletivo, junto com o fortalecimento da oposição sindical dos 
rodoviários contra os pelegos e o controle e a vigilância dos setores populares formam um 
projeto social que exige longas peleias pelo caminho. Para os anarquistas da FAG, o modelo 
público é um marco para acumular forças de mudança, avançar direitos e conquistar melhores 
serviços à revelia do controle dos capitais privados. Luta para empoderar o povo e não se 
acomodar nas estruturas burocráticas do poder, que usurpa a força coletiva em direito 
público, mas em causa particular.

Federação Anarquista Gaúcha - FAG
Porto Alegre, 01 de maio de 2013.


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