(pt) Portugal, Colectivo Libertário Évora - “Uma cidade sem muros nem ameias” - Comemorar o 25 de Abril em nome da Utopia

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Sexta-Feira, 3 de Maio de 2013 - 08:53:16 CEST


Para a geração que viveu o 25 de Abril, o golpe militar que pôr fim a 48 anos de fascismo 
foi, independentemente das ideologias individuais, um abrir de portas e janelas, um entrar 
de ar e liberdade na sociedade portuguesa que, hoje, os mais novos têm dificuldade em 
imaginar. ---- O 25 de Abril de 1974 não resolveu muitos problemas, tais como a posse dos 
meios de produção por parte de uma minoria que continua a explorar a grande maioria; o 
militarismo e o autoritarismo muito presentes na sociedade portuguesa; o papel do Estado 
ou a necessidade de uma profunda revolução na estrutura administrativa do país, nem isso 
fazia parte do seu programa. ---- No entanto, trouxe algumas transformações bastante 
relevantes, que, em muitos aspectos, mudaram profundamente o país e as mentalidades.

O fim da guerra colonial; a liberdade de associação e ex-
pressão (com os limites conhecidos, é verdade);
uma maior regulação, controlo e denúncia das arbi-
trariedades e violência policial; a garantia de direi-
tos sociais, sindicais e políticos, etc., foram algo de
adquirido com o 25 de Abril e com as movimenta-
ções que se lhe seguiram e que não podem ser esquecidos.
Hoje, num momento em que o capital e o Estado
juntam forças para cortarem direitos e regalias à
generalidade dos trabalhadores e da sociedade, a
força criativa que irrompeu no pós-25 de Abril
deve ser tomada como exemplo e, nalguns casos,
como bandeira para erguer de novo. É o caso, por
exemplo, da autogestão que esteve sempre presente
a seguir ao 25 de Abril de 1974, seja por fuga dos
proprietários das fábricas, seja por ocupação dos
trabalhadores. Importante foi também a ocupação
de casas e de bairros inteiros por pessoas que vivi-
am em barracas ou que, simplesmente, não tinham
um tecto para se abrigarem.
Comemorar o 25 de Abril é trazer para os dias de
hoje o sonho colectivo da transformação da socie-
dade, que nos foi roubado muito cedo, e a utopia de
um mundo sem senhores nem escravos, sem ricos
nem pobres, sem explorados nem exploradores.
Um sonho difícil de concretizar, mas como dizia o
anarquista Gustave Landauer (1870-1919) “os ho-
mens crêem que chegará um dia em que serão li-
vres e iguais, quando tiverem destruído os obstácu-
los que os impedem de o ser, sem se darem conta
de que só o são enquanto lutam para o conseguir”.

e.m.


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