(pt) Portugal, Acção Directa #6 - A Fechar Em tempo de crise

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Quinta-Feira, 2 de Maio de 2013 - 11:30:23 CEST


Hortas urbanas são alternativa para muitas famílias A ideia da criação das hortas urbanas 
não é nova. Em muitas cidades da Europa é uma prática que já se mantém há longos anos e, 
mesmo no Alentejo, o hábito das pequenas hortas no tecido urbano nunca se perdeu, ou 
mantendo hortas antigas em funcionamento ou aproveitando terrenos sem ocupação, no espaço 
urbano, como aconteceu logo a seguir ao 25 de Abril junto ao Hospital de Beja. Já nesses 
tempos recuados, o arquitecto Gonçalo Ribeiro Teles, na sua vertente ecológica e 
paisagística, defendia a criação de hortas urbanas nas grandes e médias cidades. ---- 
Vários anos passados, este movimento tem crescido muito por todo o país e também em Évora. 
Umas vezes por iniciativa popular, outras por pressão dos munícipes junto das Câmaras e 
Juntas de Freguesia.

Em Évora depois de terem sido cria-
dos os primeiros 69 talhões, há um
ano, junto do Aqueduto, foram agora
entregues mais 138 numa nova zona
de hortas, junto ao Forte de Santo
António, na periferia da cidade.

Está prevista a criação de novos
espaços dedicados às hortas urbanas,
um pouco por toda a cidade, embora o
acesso a água sem custos para os utili-
zadores esteja a condicionar alguns
dos projectos.

Novos e menos novos hortelãos
consideram que esta é uma actividade
que traz grandes vantagens, desde o
ponto de vista ambiental, até ao eco-
nómico.

“Vamos menos vezes ao supermer-
cado comprar verduras e sabemos o
que estamos a comer”, acentua um
entusiasta do processo.

Apesar do ano ter estado chuvoso e
de só agora começar verdadeiramente
o trabalho nas hortas, há também
quem destaque a “actividade física
que ele proporciona e o contacto com
a natureza”.

“Isto é fantástico. Às vezes vêm aí
os miúdos das escolas e ficam encan-
tados com isto”, diz o mesmo interlo-
cutor, frisando, no entanto, alguns
aspectos negativos.

“Há pessoas que vão para ali e de-
fendem o seu bocado de terra como
fosse algo de muito valioso. Têm um

sentido de posse e de individualismo
muito grande, o que é mau. Outros
não: partilham o que sabem e o que
têm, por todos, e cria-se uma grande
camaradagem, sendo mais fácil apren-
dermos uns com os outros”.
Este sentido comunitário pode e
deve ser desenvolvido, bem como o
uso de técnicas não agressivas do
meio ambiente, como seja, a redução
no uso de fertilizantes e pesticidas
químicos e a procura de sementes
diversificadas, enriquecendo e desen-
volvendo outras variedades que não
apenas aquelas que, mais rentáveis, a
economia de mercado, ávida de lucro,
promove.
Numa altura de crise económica,
com muito desemprego, a possibilida-
de de se produzirem bens alimentares
para autoconsumo não é também in-
significante para muitos agregados
familiares a quem, tantas vezes, falta o
pão.
Para além destas hortas, postas à
disposição dos interessados pelos po-
deres públicos, seria útil também a
ocupação produtiva dos inúmeros
espaços vazios das cidades, nomeada-
mente baldios, de forma cooperativa e,
aí sim, comunitária.
Este é um processo que, no entanto,
está em desenvolvimento e cada vez
com mais capacidade de atracção para
jovens e menos jovens, tal como o
sistema de trocas, os espaços de entre-
ajuda ou os muitos grupos, de todo o
género, que caminham para um funci-
onamento em rede.
Muitas vezes estas iniciativas desti-
nam-se a “humanizar” os aspectos
mais negativos do capitalismo, mas
noutros casos podem ser o gérmen de
novas formas de relacionamento e de
produção e passos importantes na
construção de uma sociedade menos
egoísta e mais solidária.

a.


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