(pt) Portugal, Acção Directa #5 P3 - Sindicalismo & luta de classes - 7a avaliação da troika - Vem aí mais austeridade

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Terça-Feira, 26 de Março de 2013 - 15:03:30 CET


Tal como se esperava o governo anunciou mais um conjunto de previsões que mostram o estado 
de profundo retrocesso económico – com sectores produtivos completamente paralisados ou 
destruídos – verificado nos últimos anos em nome da austeridade. ---- As previsões para o 
desemprego foram revistas e Vitor Gaspar – que continua a não acertar uma previsão – já 
anunciou que para o fim do ano o numero de desempregados pode rondar os 19 por cento – uma 
taxa de desemprego nunca vista em Portugal pós 25 de Abril. ---- As projecções revistas 
pelo ministro, e reveladas a meio do mês de Março, apontam agora para uma recessão de 2,3% 
este ano, contra os 1% esperados na quinta avaliação do programa realizada em setembro 
(quando foi feita a última alteração no cenário macroeconómico) e ainda metade do 
crescimento em 2014, ou seja, 0,6% do PIB.

A conjuntura internacional terá tido uma
grande influência na revisão destes valores.
As exportações, mais afetadas pelos efeitos
do ciclo económico, são revistas em baixa em
um ponto percentual em 2012 e 2014, mas a
queda mais significativa é mesmo para este
ano, com o Governo a esperar um crescimen-
to de apenas 0,8%, contra os 3,6% estimados
anteriormente, enquanto a procura interna
desce abruptamente na ordem dos 4,1pontos
percentuais negativos.

A tudo isto é preciso acrescentar o estado
de profunda debilidade económica e social já
de muitas famílias. O subsídio de desempre-
go nem sequer atinge metade dos desempre-
gados e há milhares de jovens, com as licen-
ciaturas e os mestrados concluídos e sem
encontrarem saídas no mercado de trabalho.

A violência das ultimas medidas impostas
pelo Governo – e que se começam a sentir de
forma mais dramática – como o aumento das
rendas e a subida em flecha do IMI vão levar
ainda mais famílias à falência, à fome à exclusão.
Perante tudo isto só há um caminho: o da
luta organizada, da ocupação dos locais de
trabalho sempre que esteja em vista o encer-
ramento das empresas, de um não solidário a
qualquer despejo de casa por não pagamento
das prestações aos Bancos.

A organização dos trabalhadores tem que
ser feita a partir dos bairros, assumindo for-
mas assemblearias e cooperativas, horizontais
e com a menor delegação possível de poderes.
Ao contrário do que a propaganda partidá-
ria quer fazer crer as eleições nada vão mudar
neste cenário. Antes já vimos que a política
do PS era a mesma que depois o PSD conti-
nuou e se o PS voltar ao governo irá conti-
nuar a política do PSD. E a estes dois não há
alternativa: o sistema político foi desenhado
para que se revezem no poder.

O caminho alternativo é outro: o das lutas
concretas, com objectivos determinados que
imponham transformações profundas na soci-
edade e não apenas os pequenos remendos
(ou nem isso) que é o máximo que a luta
político- partidária pode alcançar.

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Debate sobre anarco-sindicalismo em Évora: nos tempos de crise o apoio
mútuo e a solidariedade são instrumentos importantes para os trabalhadores

Cerca de duas dezenas de pes-
  soas assistiram em Évora, à apre-
  sentação da revista “Apoio Mú-
  tuo” e da AIT/SP e participaram
  numa animada conversa que du-
  rou mais de duas horas. Da AIT/
  SP estiveram presentes os compa-
  nheiros Raúl e Zé que fizeram
  uma breve apresentação da AIT,
  fundada há 90 anos, no espírito
  de que “a emancipação dos tra-
  balhadores deve ser obra dos
  próprios trabalhadores”, e da
  Secção Portuguesa (a antiga CGT
  era membro da AIT) reconstituí-
  da a partir dos anos 90 do século
  passado por iniciativa de um
  grupo de trabalhadores libertá-
  rios, maioritariamente sediados
  na grande Lisboa e no grande
  Porto. O debate foi animado com
  muitas intervenções. Em causa
  estiveram questões tão práticas
  como as de: que utilidade tem
  para os trabalhadores uma organi-
  zação como, hoje, a AIT, sem
recursos e sem capacidade para
agir em defesa dos trabalhadores
(seja por falta de recurso materi-
ais ou mesmo legais) ; na estrutu-
ra actual da sociedade há novas
situações e realidades, diferentes
das que o anarcosindicalismo
encontrou há 100 anos, como
novas categorias profissionais e
mesmo uma precarização das
pequenas empresas: porque é a
luta dos pequenos empresários (a
braços com todo o nível de restri-
ções e imposições por parte do
Estado) não é valorizada pelos
sindicatos como qualquer outra
luta dos trabalhadores; qual a
necessidade hoje de sindicatos, já
que os actuais estão tão descredi-
bilizados – não seria melhor
avançar para outras formas orga-
nizativas, em que o objectivo das
relações laborais estivesse pre-
sente, mas não fosse o único?

Foram muitas questões e muitas
interrogações, mas ficou a afir-
mação expressa de que é preciso
reforçar o espaço assembleario,
de base, horizontal, de resistência
e de confronto com o capital e o
Estado, numa altura de grande
precarização da vida de todos os
trabalhadores. Aliás, entre os
presentes, no debate, eram maio-
ritários os trabalhadores com
vínculo precário e os que estão
sob ameaça de despedimento e
quebra de contratos do que aque-
les que mantêm uma situação
profissional “segura”, o que dá
uma ideia também da necessidade
de considerar a luta pelo trabalho
e contra o desemprego como um
dos objectivos essenciais das movi-
mentações de base.

O debate terminou também
com a ideia de que, na situação
que se vive de crise e de corte de
quaisquer regalias e direitos soci-
ais dos trabalhadores, é necessá-
rio reforçar a discussão e a orga-
nização entre os explorados e
  oprimidos (estejam ou não no
  mercado de trabalho) e que cons-
  tituem 99 por cento da popula-
  ção - na expressão do movimento
  Occupy – e adoptar os métodos
  de luta que sempre foram a marca
  característica do anarquismo e do
  anarcosindicalismo – a acção
  directa, a democracia directa, o
  apoio mútuo, a solidariedade, a
  auto-organização e a recusa de
  qualquer hierarquização das es-
  truturas de decisão.

  Ficou no ar também a possibili-
  dade de, a curto ou médio prazo,
  ser constituído em Évora um
  núcleo da AIT/SP, virado para as
  questões de natureza laboral e
  sindical.

  Foi um debate rico e interessan-
  te e, por isso também, o nosso
  agradecimento aos companheiros
  da AIT/SP que se deslocaram a
  Évora e a todos os presentes, inde-
  pendentemente do seu posicionamen-
  to político.


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