(pt) Brazil, COLETIVOANARQUISTALUTADECLASSE - Nota de repúdio aos trotes racistas na FDUFMG (en)

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Sexta-Feira, 22 de Março de 2013 - 08:51:55 CET


Publicamos nesta data, nossa nota pública de repúdio ao trote ocorrido na FADFMG, na 
última sexta-feira, dia 15 de março, e seu conteúdo inaceitável. ---- A “NOVA ANTIGA” 
DIREITA: O CONSERVADORISMO E  O NAZI-FASCISMO TRADICIONAIS E SUAS MÁSCARAS DO SÉCULO XXI 
-- Com atitudes indiretas, brincadeiras “despretensiosas” e mascaradas, amparada em falsos 
discursos de “liberdade de expressão” e da máxima “tudo pelo humor”, a direita reproduz 
sua ideologia e estreita seus laços. É na brincadeira e no discurso contra o 
“politicamente correto” (termo forjado pela direita para desqualificar pessoas que optam 
por uma postura ética diante dos problemas sociais) que se dissemina grande parte do 
pensamento conservador e preconceituoso da atualidade. É sob o enorme guarda chuva do 
“humor” que se esconde o processo de naturalização do racismo, do machismo e da homofobia, 
tão presentes em nossa sociedade.

No dia 18 de março de 2013, foram divulgadas na internet duas fotos de trotes ocorridos 
dentro do prédio da Faculdade de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais. Na 
primeira foto, três veteranos brancos, com bigodes falsos fazendo alusão à Adolf Hitler, 
fazem uma saudação nazista ao lado de um calouro negro pintado de vermelho amarrado à um 
poste. Na segunda, há uma caloura pintada de preto, segurando uma placa com os dizeres 
“Caloura Chica da Silva”, acorrentada e segurada por um veterano branco que sorri.

Bastou uma busca um pouco mais detalhada no perfil do facebook de um dos estudantes que 
fez a saudação nazista, e pudemos constatar que ele assina páginas de orgulho branco, de 
figuras nazistas, de conteúdos de extrema-direita, de órgãos e figuras repressivas da 
atualidade, como a PMMG, a ROTA, o Coronel Telhada e que, em algumas de suas fotos, havia 
um emblema do Movimento Pátria Nossa Brasil (ligado ao grupo de extrema-direita 
integralista “Carecas do Brasil”). Temos uma constatação: um declarado nazi-fascista 
exerce o papel de vanguarda de suas intenções ideológicas em brincadeiras corriqueiras na 
universidade.

Mesmo que não houvesse um nazi-fascista infiltrado nesse quadro, a resposta a tais 
acontecimentos e atitudes deve ser dada de maneira categórica, por ser inaceitável que 
tais piadas e brincadeiras sejam tidas como normais e para que barremos a caminhada da 
extrema-direita. A figura de uma mulher negra, descrita com “Caloura Chica da Silva” e 
acorrentada por um branco é uma representação sem escrúpulos de toda uma trágica história 
de escravidão, opressão, racismo e sofrimento do povo negro brasileiro. A ironia e o 
sarcasmo são violências morais e, para nós, são como a violência física das chibatadas que 
nossos irmãos e irmãs negros e negras recebiam nas Fazendas de Engenho dos brancos durante 
as centenas de anos de escravidão no Brasil.

O povo tem memória! Em resposta às investidas da direita em destruí-la, justamente por ela 
ser o acúmulo de contestação, luta e conquista durante a consolidação do país e de sua 
história, nós afirmamos que o povo tem sim sua memória, e a reivindica sempre em suas 
ações. A abolição da escravatura não foi concedida por nenhuma princesa! Foi conquista de 
quilombolas guerreiros, de “Zumbis”, de “Dandaras”, do povo negro organizado em defesa de 
sua libertação e soberania cultural, social e política. Eis uma breve elucidação da 
memória, que jamais será destruída ou escondida como os fascistas desejam. E é em defesa 
dessa memória – e a partir dela – que dizemos NÃO à naturalização da violência 
reacionária, contra o negro, a mulher, o homossexual, o trabalhador, o desempregado, o 
marginalizado forçado pela sociedade segregatória e criminalizadora etc.

Nesse sentido, publicamos esta nossa nota de repúdio e algumas de nossas avaliações sobre 
o ocorrido, fazendo uma chamada aos estudantes, como à todo povo trabalhador, negro, 
mulato, pardo, às mulheres trabalhadoras, mulheres negras; que façamos combate permanente 
a tais manifestações que ferem nossa história, nossa memória e que seguem essa estratégia 
da direita de nos enfraquecer e ideologizar ocultamente os espaços sociais onde se 
inserem, disseminando o ódio, a intolerância e o preconceito.

A estes fascistas, repetimos em alto e bom som a palavra-de-ordem das companheiras e 
companheiros da Revolução Espanhola em 1936: NÃO PASSARÃO!

SOMOS TOD  S CHICAS DA SILVA!

Coletivo Mineiro Popular Anarquista
Belo Horizonte, 20 de março de 2013


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