(pt) Brazil, Anarkio.net: A-Infos #18 - Os meios de controle social - A Religião - A ReligiãoOs meios de controle social - A Religião (en)
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Segunda-Feira, 18 de Março de 2013 - 18:29:42 CET
A religião, a escola e os meios de comunicação formam parte do aparato de controle do
pensamento do Estado. Apesar que em última instância o Estado democrático dispõe de meios
de coação física capaz de eliminar sublevações e revoltas de seus súditos, só o usa em
último caso, prefere doutrinar ou desmoralizar a dissidência antes de acua-la, de
persegui-la, multa-la, encarcera-la, executa-la ou mutila-la. --- Origem da religião ----
O fato religioso é universal. Todas as culturas e povos, dos bandos a Estados em geral,
praticam algum tipo de culto a espíritos ou antepassados. As crenças religiosas tem sua
origem no animismo ou culto aos espíritos praticados pelos povos caçadores-coletores. O
animismo deriva das experiências que ocasionam sonhos, o transe induzido por drogas, assim
como a experiência da morte alheia. Os humanos sonham quando dormem.
Podem falar, viajar a lugares distantes, comer, caças, conversar com parentes mortos...
Mas o corpo repousa sem se mover. Igualmente, o costume de ingerir todo o tipo de
substâncias capazes de alterar o estado de consciência por meio de fungos alucinógenos,
sementes de plantas, licores, folhas, etc, fizeram que nossos antepassados dispusessem de
um interesse farmacopeico destinado a dar emoção a suas vidas. Supor que a morte era o
momento de libertação da vida interior ou da alma foi algo muito sensível. Nada quer
morrer, e no sonho da morte a alma se liberta e se imortaliza.
A religião tem também sua origem na necessidade de dar explicação aos fenômenos naturais.
A medida que os conhecimentos cientificose tem avançado, os mitos vão se desmoronando. A
religião se adapta como pode a ciência.
Animismo
O animismo é o culto as pessoas mortas. Ele teve muitas variações curiosas, desde aqueles
que tentam por todos os meios para perseguir uma alma penada, até os que pedem favores e
proteção. Pessoas mais sonhadoras, iluminadas e românticas das sociedades igualitárias, ou
as mais cara de pau, podiam - ou assim acreditavam ou afirmavam que sim - em fazer contato
com os espíritos, atrair a caça, fazer chover, curar doenças, boa sorte e essas coisas.
Embora as práticas religiosas em sociedades igualitárias eram acessíveis por qualquer um,
os xamãs em seu tempo livre - e lembre-se que nos bandos e nas aldeias havia muito tempo
livre - faziam a função de contadores de histórias, curavam e eram intermédios dos
elementos. Falavam com os totens, geralmente espíritos de animais ... Iniciavam as
crianças idade na idade adulta com rituais duros de passagem. Quando chega tua vez, vai ao
local designado, se prepara, se purifica, canta, toma drogas para meditar e é até
fisicamente torturado, a espera de uma visão de seu totem. E, no final, tem uma visão. É
lógico que a tem!
Isto reafirma a verdade da crença e o pertencimento ao bando e ao povo.
As primeiras religiões
A medida que as sociedades caçadoras-coletoras evoluem em comunidades com chefes, e
finalmente em Estados, evoluem nas crenças religiosas. Xamãs se convertem em sacerdotes à
serviço dos chefes, reis e imperadores. Memorizavam suas genologias, ou as inventavam,
fazendo do chefe descendente do Sol ou do chacal, asseguravam sua imortalidade com a
mumificação e tumbas suntuosas e garantiam a tranquilidade do povo assegurando que
qualquer movimento fora do comum seria castigado com alguma praga. Ao lado do chefe sempre
ia o ministro da cultura: o bruxo-sacerdote, que monopolizou séculos o mundo da cultura, a
técnica, a arte e o prognóstico do tempo. Liberados do trabalho puderam investigar,
recopilar as observações de outros povos e chegar a conclusões. As predições acerca de
eclipses, enchentes dos rios, trocas de estações, tratamentos médicos e o apoio as classes
dirigentes, proporcionavam-lhes poder e riqueza. As primeiras religiões conhecidas e
melhor estudadas como a egípcia, não deixam dúvidas sobre o assunto.
O Egito permaneceu inalterado durante milhares de anos graças a aliança entre Estado e
religião e foi só com a chegada de outros Estados mais organizados militar e culturalmente
como o romano, é que trocaram seus costumes. Posteriormente durante mil anos a Terra
esteve no centro do Universo pela estupidez das seitas cristãs. Igualmente é lamentável
comprovar que a imensa maioria das manifestações artísticas que nos chegou até agora são
provenientes de cultos religiosos e políticos.
Monoteísmo e antropocentrismo
As extravagâncias religiosas têm o seu expoente mais horrível e abominável nas seitas
ocidentais monoteístas que persistem até hoje: o judaísmo e suas derivações, que são o
Cristianismo e o Islamismo. Essas religiões dão origem ao princípio antropocêntrico, tão
difundido na civilização de hoje. A espécie humana, de acordo com este princípio, pode
fazer o que lhe der na telha. O mundo está aos seus pés. É lícito usar todos os recursos
do planeta até sua exaustão. Isso traduzido na prática significa que as elites dominantes
podem dispor à sua vontade, os mares, animais, plantas, minerais, e é claro, os seres
humanos inferiores que devem ser tratados como rebanhos. O judeu-cristianismo lança grito
de domina a terra e tudo está permitido. Esta política tem levado ao esgotamento de
recursos, o desmatamento de grandes áreas do planeta, e tudo o mais que ocorre.
Suas normas morais são pura bobagens a serviço dos poderosos: amar seu inimigo ... por
quê? Se é ruim, se a dominação se recompensa com o amor, se não distinguimos o amigo do
inimigo, se da mesma forma você ama quem te ama e que te atormenta, a quem te ajuda e quem
te pisa, a quem mata o teu vizinho ... para que serve a ética? Por outro lado, relatar os
crimes e desastres causados por apenas estas três civilizadas (e amorosas) religiões,
excede este trabalho. Para os espanhóis e latinos que estão curiosos, recomendo a leitura
atenta da Bíblia. As burocracias dessas igrejas formam parte do Estado, para serem
mantidas e apoiadas por ele.
Religiões Modernas
Muitas delas são chamadas de seitas. Note-se que não há diferença objetiva entre a Igreja
Católica e o Hare Krishna. Ambos são seitas ou igrejas, segundo sejam membros ou não.
Ambos reivindicam o monopólio da recompensa e punição espiritual e sobrenatural. A única
diferença é o grau de controle exercido pela burocracia religiosa sobre os crentes.
Muitas religiões vieram do Oriente, como o budismo, o zen, e outros aparentemente mais
tolerantes. Suas pregações sobrenaturais não são melhores do que os das seitas cristãs. Em
todo lugar verás os seus sacerdotes e papas vivendo da história. São religiões que
asseguram que não são religiões, que não têm uma ideologia por trás delas, que são
práticas, experiências interiores, que não nos fazem proselitismo, que buscam o
aniquilamento do "eu" ou qualquer coisa estúpida do tipo que ocorre enquanto se está
cagando, como se isso não fosse o suficiente pela aniquilação que se sofre ao morrer, ...
Essas religiões têm mestres escrevendo a pleno vapor, organizando reuniões, dando
palestras ... E cobram muito bem por isso.
Na atualidade têm emitido inúmeras crenças religiosas que promovem a religião à la carte.
Você pode acreditar no que quiser. Não importa o que penses - mais ou menos - desde que
pague o guru, ou a sacerdotisa por suas bênçãos e oficinas, que compre os seus livros e
que passe suas férias nos lugares de refúgio e retiro.
Todas estas crenças apoiam a ideia de salvação individual, dentro do sistema capitalista.
Possuem um discurso de fraternidade, amor, etc. Realizam exercícios de auto-sugestão,
relaxamento, visualização positiva, vôo astral ... Através do que poderá adquirir saúde,
riqueza, promoção no trabalho, predizer o futuro, emagrecer e levantar o moral, encontrar
uma relação amorosa.
É lógico que se deixas de fumar e de beber álcool, teu estado físico e mental melhorará,
mas isso não tem relação com as crenças do além, nem em acreditar nas ilusões de um
charlatão. Não confundas os benefícios de relaxamento, de comer muita verdura e do cultivo
de autoestima, com a existência do Karma e da reencarnação.
Lembre-se qual é a base de toda religião: que fazes algo mal, que tu tens culpas de algo;
que essa culpa é que tem faz infeliz; e que se faz um ritual qualquer, te sentirás
melhor na vida e depois de morto, também. mas eu, quando vejo tanto exercício retorcido,
tanta cara de êxtase, tanta meditação, tanta oração e tanto yoga, tanta estima sanguinária
e tanta ostia benta, só vejo um contorcionista de circo. E não muito bom.
A religião te faz melhorar
É algo que te dizem em alguma circunstância: concentra-te em teu eu; observa tua
respiração; olha o teu hoje com é, reza ou medita muito... Podes superar-te interiormente,
ser melhor cada dia, assumir o controle de teus atos, a consciência do que faz, recitando
salmos, exercícios respiratórios, jejuns, mantras, alongamentos, visualizações... Santo
Céu! Quanta merda consumida! Isso também podes conseguir jogando xadrez com os olhos
vendados, correndo descalço, aprendendo cantar flamenco ou pescando sem anzol. Qualquer
exercício ou atividade que te obrigue a concentrar, te fará uma pessoa mais concentrada,
revelamos o segredo. Mas há um aspecto realmente sinistro disso: que também podes ser uma
pessoa melhor a cada dia relacionando-se com os outros, expressando seus pensamentos,
resistindo e enfrentado ao policiamento que te persegue, ao chefe que te explora, ao
sacerdote que ilude, ao mestre que doutrina, ao pai que te submete a qualquer comparação
que te humilhe, anule, importune ou maltrate. Essa vertente de resistência a injustiça, de
rechaço a tirania, de amor a liberdade, é que te fará uma pessoa melhor. E nenhuma
religião te apresentará isso. O que a religião te diz, é que depois de morto se acabarão
tuas penas e terás um prêmio. Corre que isso não vai acabar bem.
O fundamentalismo religioso
Fazem uns mil anos, alguém tomou demasiado sol, comeu e bebeu pouco e entrou em transe.
Depois de um tempo, outro mais alimentado e hidratado, que sabia ler e escrever, passou
para o papel esses delírios causados pela desidratação. Esse texto sagrados, foram
traduzidos em tudo que era necessário saber. Rabinos, monges, clérigos, budas, porque não,
guardaram os livros em conventos e os memorizaram. Hoje, passado séculos, há quem neles
acreditam. Cristãos, muçulmanos, judeus, hindus... Querem que sejam o livro de
alfabetização, o código de justiça, a base da moral e a base de engajamento para o
exército morrer estripado. Como se não tivéssemos o suficiente com o Estado, propõem sua
fusão com a Igreja mais correspondente. Consideram a ciência como o próprio demônio, já
que seus descobrimentos tem exposto ao ridículo os textos ditados e revelados por Deus.
Despreciam a mulher, origem do pecado. Odeiam a liberdade de pensamento e expressão, pois
não suportam contradições. Estabelecem sistemas de castas e reduzem a escravidão os
impuros. Expulsão de infiéis, crenças irracionais, intolerância, fanatismo, censura,
repressão, guerra e castigos atrozes para os dissidentes, nada é o bastante para seu Deus
de feições sangrentas. Exigem obediência cega aos dogmas e receitas arcaicas, encarnados
em personagens carismáticos ou em juízes tradicionalistas. Predicam a insignificância da
vida comparado com os prazeres da após morte. Como os fascistas, referem-se há um passado
que nunca existiu. Querem a anulação completa do indivíduo e seu submetimento as
autoridades politico/religiosas, em troca de dar-lhes a verdade verdadeira e a resposta a
toda pergunta, em qual não tem que perguntar. Longe da Razão, caminham pelo mundo sem nada
que desvie de seu caminho, esperando o Apocalipse e a chegada do Reino. São uma verdadeira
peste, fanáticos intransigentes, fonte de sofrimentos por séculos.
A religião e o anarquismo
O anarquismo respeita as opiniões filosóficas particulares. Não há inconveniente em que as
pessoas busquem explicações religiosas para dar sentido a suas vidas. Toda pessoa já
sofreu um calafrio em pensar na morte. Existem aqueles que precisam da crença e outra
existência para suportar melhor a pena de perder o que tem. É normal que a imaginação crie
mitos e rituais. A religião é o fruto da ignorância da dor, do medo e da esperança,
contudo há que elevar a autoconfiança das pessoas e desdramatizar a morte, para acabar com
as superstições. A ciência apesar de seus avanços é incapaz de dar respostas a muitas
perguntas... Todavia a religião não tem dado resposta à nada! Tanta viajem astral, tanta
revelação, e nenhum mistico viu que a Terra era uma esfera! Nenhum sacerdote católico ou
budista foi capaz de descrever o buraco negro, ou uma estrela de nêutrons, ou um simples
micróbio! Somente descreveram disparates, paraísos em que um coro celestial canta todas as
horas, que surpresa!
A ciência com método, com suas limitações, com a critica que pode se fazer, é o caminho do
conhecimento, amigos e amigas anarquistas. Cada vez que se adianta algo nesse caminho,
surge um novo por quê. Ignoramos muito, temos que reconhecer. Responder com um mito não
resolve nada, mas não tem porque ser danoso, por fim, se está despojado de coação e se
restringe a uma crença individual que não tenha a pretensão de se impor a outras pessoas
(sejam crianças ou adultos). Se queres acreditar em algo que externo a você ou algo que
esteja em você, de maneira voluntária, é teu direito. O que me diz? Que queres fazer uma
viajem de introspecção para descobrir teu “eu” comendo fungos ou drogas alucinógenas ou
escutando músicas tibetanas? Ou seja, se manter ferrado como um visionário ordinário até o
fim de sua vida? Sem problema, a vida é sua, é sua decisão, mas escuta:
Frente a religião, qualquer que seja, ainda que alcance uma divindade a Razão. a
Liberdade, ao Estado, a Pátria, a Ciência, para Mercado..., ou a Anarquia ou qualquer
abstração imposta, sempre estará meu ceticismo carente de esperança. A única verdade da
que temos absoluta certeza no momento, é que morreremos. E depois, o mais razoável é o
nada. Que essa visão da vida é sem esperança, desgarrada, fria, sem sentido? Sim, é claro.
E isso é assim? Melhor que sim. Perder a esperança, desesperar e saber que tens uma vida
que viver, pode ser o primeiro passo para que impeça que outros vivam sua vida.
Parte do do Anarquismo Básico (em espanhol) da Fundação Anselmo Lourenço, em tradução para
o português pelo Fenikso Nigra.
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