(pt) Anarkismo.net: Brazil, Marco Feliciano e a política do grotesco by Bruno Lima Rocha (en)

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Domingo, 17 de Março de 2013 - 11:03:34 CET


O pastor e deputado federal pelo PSC de São Paulo, Marco Feliciano, tem trajetória no 
mínimo polêmica e é alvo da revolta de grupos de defesa dos DDHH e movimentos 
reivindicatórios. ---- Parece piada, mas é tragédia. O pastor Marco Feliciano (PSC-SP) à 
frente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara é mais uma das faces grotescas, embora 
coerentes, da política profissional brasileira. Coerentemente, a maioria dos 
parlamentares, dirigentes partidários e ocupantes dos primeiros escalões dos três níveis 
de governo atua segundo os critérios da sobrevivência e da conveniência. Quando o alagoano 
Renan Calheiros foi eleito para a câmara alta e o potiguar Henrique Eduardo Alves para 
comandar a mesa dos deputados federais, o Brasil viu-se de joelhos perante uma legenda 
operando como federação de oligarquias e coligação de interesses.

Agora, o Legislativo expõe suas vísceras ao indicar um criacionista para uma Comissão que 
deveria defender o pensamento de vanguarda. Vale lembrar que Feliciano é pregador da 
Igreja Assembléia de Deus estando à frente do Ministério Tempo de Avivamento. Este ramo 
foi fundado por ele “através de uma visita do senhor de forma sobrenatural” segundo o 
domínio da internet que leva seu nome. Quando alguém afirma tamanho absurdo e é eleito 
deputado federal, pouco resta a comentar além da indignação.

Nada disso aconteceria, e este tipo de político jamais seria eleito, se o país tivesse uma 
severa Lei Anti-Seita e não houvesse tamanha permissividade na venda de horários nas 
grades de programação nos canais de TV privada. Vale a mesma crítica em escala maior, pois 
o Brasil convive com canais inteiros sob controle de entidades religiosas, dedicando boa 
parte ou a totalidade de sua programação para o proselitismo da fé. Em uma sociedade de 
iletrados, onde o analfabetismo funcional atravessa as opções pelo voto, pregar crendices 
como se fossem bênçãos é mais fácil do que explicar os mecanismos inflacionários ou os 
fatores estruturais da desigualdade. A ignorância transformada em poder político fortalece 
a bancada neopentecostal.

Feliciano é outro reflexo do abismo ideológico, pois a sensível melhoria da qualidade de 
vida dos brasileiros não veio acompanhada de um câmbio de mentalidades nas classes baixas. 
O resultado é esta combinação grotesca de representação política baseada no 
conservadorismo popular e teologia da prosperidade. No vale tudo pela tal da 
governabilidade, o loteamento de cargos e funções indicou o pregador da ignorância para um 
posto sensível. Ainda bem que houve reação popular. Agora é questão de tempo até que seja 
derrubado da referida presidência para salvar a imagem de aliados e correligionários.
Bruno Lima Rocha

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