(pt) Há noventa anos: o congresso de fundação da AIT é interrompido duas vezes pela polícia alemã

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Segunda-Feira, 11 de Março de 2013 - 09:14:53 CET


Ocongresso de fundação da inter­ nacional sindicalista revolucio­nária AIT, na viragem dos 
anos 1922­1923, realizou­se num contexto de grandes convulsões. A Primeira Guerra Mundial 
tinha terminado poucos anos antes, sendo imediatamente seguida por amplos movimentos 
revolucionários em vários países, que estabeleceram ten­dências duradouras na história 
mundial. ---- Durante a guerra, a internacional social­democrata entrou em colapso e os 
partidos a ela filiados atiraram o seu internacionalismo pela borda fora. Sob a liderança 
do seu secretário­geral belga Emilie Vandervelde, deram apoio activo à guerra em nome dos 
seus países. A internacional sindical reformista também entrou em colapso mais ou menos na
mesma altura. ---- Após o fim da Guerra, iniciaram­-se tentativas para reconstruir as 
organizações internacionais.

A Internacional Co­-
munista organizou um congresso em
Moscovo em 1919, como continuação da
chamada Internacional de Zimmerwald,
que tinha sido estabelecida já durante a
guerra. A internacional sindical refor­-
mista foi restabelecida no mesmo ano
num congresso em Amesterdão. A in­-
ternacional social democrata foi forma­-
da em 1921 num congresso realizado em
Viena, tendo o austríaco Fridrich Adler
como o seu principal promotor. Esta or­-
ganização fundiu­se com a outra inter­-
nacional social democrata em 1923.

Por iniciativa dos comunistas, um
congresso realizado em Moscovo em
1921 criou a chamada Internacional
Sindical Vermelha. Esta organização
desenvolveu grandes esforços para que
os sindicalistas aderissem à mesma,
mas as organizações sindicalistas revo­-
lucionárias recusaram, por não estarem
dispostas a envolver­se numa internaci­-
onal sindical liderada por um movimen­-
to político, neste caso os comunistas.

Entre os dias 25 de Dezembro de
1922 e 2 de Janeiro de 1923, delegados
de 10 países, representando cerca de
dois milhões de trabalhadores organiza­
dos, realizaram um Congresso em Ber­-
lim. Foi neste congresso que a interna­-
cional sindicalista revolucionária AIT
foi fundada.

O congresso não conseguiu trabalhar
sem ser vítima de perturbações. Era ne­-
cessário ter cuidado, uma vez que al­-
guns delegados haviam chegado ali de
forma ilegal, sem o conhecimento da
polícia. O primeiro dia do congresso te­-
ve lugar num edifício nos arrabaldes de
Berlim. O plano era continuar o con­-
gresso no dia seguinte num outro lugar
mas, devido à vigilância policial, foi da­-
da uma mensagem secreta aos delega­-
dos para que se encontrassem num ter­-
ceiro lugar, em Nieder­Schönweide, ou­-
tra área de Berlim. Durante a tarde, os
trabalhos prosseguiram normalmente
até que uma patrulha da polícia irrom­-
peu subitamente pelo edifício exigindo
os documentos de identificação dos de­-
legados. Os companheiros alemães pro­-
testaram vigorosamente e exigiram que
a polícia mostrasse provas de que tinha
mandato para aquela acção. A patrulha
policial não possuía tais documentos,
pelo que se retirou, deixando dois polí­-
cias no local a vigiar. Os delegados ao
congresso afluíram então para a porta,
saíram para a rua, afastaram os polícias
e desapareceram.

O congresso reuniu­se de novo no
dia seguinte, desta vez perto de Alexan­-
derplatz no centro de Berlim, não muito
longe da sede da polícia.

Neste edifício, o congresso prosse­-
guiu sem interrupções durante alguns
dias. Mas num dia, antes do meio­dia
teve lugar um novo ataque policial. To­-
do o edifício foi cercado por polícias
com espingardas e com revólveres e
granadas nos cintos. Forçaram a sua
passagem para a sala da reunião, onde
os delegados levantaram grande alvoro­-
ço e protestaram fortemente. Um dele­-
gado que carecia dos documentos ne­-
cessários saltou pela janela, mas foi
apanhado pela polícia no exterior. Um
delegado polaco que também não tinha
papéis resistiu à polícia, mas foi posto
fora de combate. Uma delegada france­-
sa avançou então e desferiu um soco na
cara de um polícia com o punho cerra­-
do. Foi detida e transportada com ou­-
tros companheiros para a prisão em
Moabit. Todos os delegados foram re­-
vistados minuciosamente. Entre eles
estava Emil Manus, que representava a
Dinamarca e a Noruega, e Edvind
Lindstam e Frans Severin, que repre­-
sentavam a SAC da Suécia. Também es­-
tiveram presentes outros dois membros
da SAC, não como delegados, mas a tí­-
tulo individual, passando por Berlim a
caminho de Paris. Eram os autores,
mais tarde famosos, Eyvind Johnsson e
Viktor Vinde, o último dos quais se tor­
naria editor do jornal Stockholmstid­-
ningen.

Após tudo isto, a polícia abandonou
a reunião e o congresso prosseguiu. Cri­-
ou a Associação Internacional dos Tra­-
balhadores. A Internacional sindicalista
revolucionária continuou a funcionar
durante a Segunda Guerra Mundial, en­-
quanto as outras internacionais colap­-
saram, e prossegue a sua actividade nos
dias de hoje.

John Andersson
(“Solidaritet”, Ago.­Set. 1959)

Texto traduzido a partir da versão inglesa
publicada em: http://www.iwa-ait.org/


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