(pt) Anarkismo.net: Eduardo Campos e a base “aliada” by Bruno Lima Rocha (en)

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Terça-Feira, 5 de Março de 2013 - 12:20:36 CET


Aliados de longa data, o governador de Pernambuco Eduardo Campos (PSB) e a presidenta 
Dilma Rousseff, ex-pedetista hoje na legenda de Luiz Inácio, podem tornar-se opositores em 
2014. ---- Circula pelos meios políticos e na cobertura especializada uma espécie de 
ante-sala das prévias eleitorais de 2014. Logo após o término do pleito municipal do ano 
passado, a direção nacional do PSB – aliado de longa data do PT – viu-se diante de uma 
nova circunstância. As vitórias municipais do partido histórico de Miguel Arraes e a 
apreciação do governador pernambucano Eduardo Campos poderiam criar condições para 
reproduzir a corrida eleitoral de 2002. Onze anos atrás quase que a eleição aponta um 
terceiro candidato como azarão. ---- À época, o ex-governador do Rio, Anthony Garotinho, 
correu pelo PSB assim como Ciro Gomes, ex-tucano convertido para posições de 
centro-esquerda, concorreu pelo PPS com o apoio do PDT e da Força Sindical.

O cenário só não ficou mais bagunçado no rumo do “centro” da política, porque com a 
presença de José Serra, ainda que secundado pela então deputada federal capixaba Rita 
Camata (PMDB), toda eleição tornou-se tensa e polarizada. Passada uma década e após a 
ampliação da base aliada através dos custos da tal da governabilidade (por dentro e com 
rubrica), o governo da ex-guerrilheira encontra-se perto de um início de ruptura interna. 
Não se trata apenas da naturalizada antecipação de alianças eleitorais e da legítima 
pretensão de liderança por partidos políticos. O tema de fundo é a ausência de 
diferenciação programática e, pior, de prática política.

Qualquer estudante de ciência política ou áreas afins deve conhecer uma das bases do jogo 
de alianças baseado na interação estratégia: “o amigo do meu amigo pode ser meu amigo, o 
inimigo do meu inimigo pode ser meu amigo e o amigo do meu inimigo pode ser meu inimigo”. 
O problema na atual “governabilidade” é que quase todos podem ser quase tudo, havendo 
pouca ou nenhuma diferenciação entre legendas, lideranças e formas de conduta. Neste país, 
quem ocupa a aliança de situação posiciona-se de forma transitória, tal e como os postos 
da oposição. Materializa esta análise as migrações partidárias e a criação do PSD, racha 
do DEM por executor das tradições udenistas e agora a legenda de ocasião da ex-ministra 
Marina Silva.

Quando todos podem ser “amigos” e quase ninguém quer ser “inimigo”, o cenário político é 
confuso e esvaziado. É nesta fauna de alianças ocasionais e legendas sem coesão interna 
que pode aparecer uma “nova” figura de proa, de dentro da base do governo, a exemplo de 
Eduardo Campos, levando de roldão uma parte considerável da base “aliada”, começando por 
peemedebistas.
Bruno Lima Rocha

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