(pt) Resistir até a tarifa sumir! by Coletivo Anarquista Bandeira Negra

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Quinta-Feira, 20 de Junho de 2013 - 10:59:12 CEST


O país está sendo tomado por mobilizações na luta pelo transporte público. No início dessa 
semana, manifestações gigantescas tomaram Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e 
dezenas de outras cidades. O Congresso em Brasília foi ocupado por manifestantes, assim 
como a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Até agora, Porto Alegre, Goiânia, Natal, 
Recife e outras cidades já conquistaram a redução da tarifa, mas a perspectiva de vitória 
é grande em várias outras cidades. ---- Um dos fatores que deu grande força às 
mobilizações foi a criminalização do protesto e a resposta brutal da polícia. Centenas de 
companheiras(os) foram detidos e liberados após pagarem fianças exorbitantes, uma 
tentativa de silenciar e intimidar as reivindicações populares. A violenta repressão 
policial foi a fagulha para um povo em estado de barril de pólvora, e as manifestações vem 
se fortalecendo.

Os setores reacionários e a grande mídia, que criticaram e criminalizaram duramente as 
manifestações, agora retrocedem pela força do povo nas ruas. Sua estratégia tem sido muito 
clara: buscam “domesticar” as manifestações pregando um pacifismo inerte e pautas 
genéricas que não possibilitam conquistas concretas .

O povo não esteve dormindo até a semana passada. Nenhum dos nossos direitos foram dados de 
presente, foram conquistados. Os capitalistas lucram com a mercantilização dos direitos 
sociais (saúde, educação, transporte, etc.), e o Estado e governos impulsionam este estado 
das coisas. Discursos por “um país melhor”, “melhor uso dos impostos” ou “contra a 
corrupção” erram o alvo, porque ignoram a natureza do Estado capitalista. A corrupção é 
parte integrante deste sistema, que criou as leis para manter o domínio das classes 
dominantes. Quem reclama do descumprimento das regras do jogo, no fundo, está legitimando 
o funcionamento do jogo: injusta não é apenas a corrupção, mas todo o sistema capitalista, 
baseado na exploração da classe trabalhadora e na opressão.

Precisamos pensar nossas pautas e lutar objetivamente contra os problemas mais sentidos 
pelo povo. Nossa solidariedade é entre os de baixo. Por isso entendemos que não estamos 
aqui para cantar hinos ou levantar a bandeira do país: o nacionalismo é um instrumento de 
conciliação entre as classes, o que nos reúne com nossos inimigos sob a mesma bandeira (os 
empresários do transporte e o prefeito também são brasileiros e “contra a corrupção”).

Florianópolis possui um grande histórico de luta pelo transporte, como as Revoltas da 
Catraca de 2004 e 2005, quando a luta popular também conquistou a derrubada de aumentos na 
tarifa através da ação direta, com o povo nas ruas. A cidade criou uma cultura de 
reivindicação sobre essa pauta, que culminou na defesa da Tarifa Zero - modelo em que o 
transporte público é gratuito, financiado pelos setores mais ricos da sociedade e com 
controle popular. A força das manifestações em todo o país e o acúmulo da discussão sobre 
transporte na cidade colocam a Tarifa Zero como nosso objetivo estratégico, uma 
possibilidade concreta de conquista.

Estamos na rua não apenas na luta pela Tarifa Zero, mas também contra a criminalização da 
reivindicação popular, em solidariedade às lutas nas outras cidades! Dia a dia estaremos 
construindo nossas ferramentas organizativas, e acumulando força social, pois violento é o 
sistema que excluiu a maioria da população das riquezas produzidas; violento é um sistema 
que mesmo abundante ainda reserva a miséria, a fome e a escassez à população pobre; 
violentos são os depejos e a repressão policial decorrentes das obras de megaeventos como 
a Copa e Olimpíadas. Violenta é a realidade a que o povo está submetido!

É o momento de fortalecer a organização dos oprimidos, através de nossos movimentos 
sociais, entidades de trabalhadores e de estudantes, espaços comunitários e culturais. 
Somente nossa articulação, pautada na independência de classe, é que poderá criar força 
para influir nos rumos da sociedade. Isso é um requisito para termos capacidade de 
resistir aos ataques que recebemos das classes dominantes e acumular forças para virar a 
balança pro nosso lado, avançar nas conquistas rumo à sociedade sem classes, de liberdade 
e justiça. As possibilidades e limites das manifestações no país estão em disputa: é hora 
de irmos às ruas!

Lutar, Criar, Poder Popular!

Related Link: http://www.cabn.libertar.org/

Coletivo Anarquista Bandeira Negra - Integrante da Coordenação Anarquista Brasileira (CAB)


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