(pt) FARJ Federação Anarquista do Rio de Janeiro – Lutar contra o aumento pela força das ruas!

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Segunda-Feira, 17 de Junho de 2013 - 18:39:51 CEST


Cerca de 10000 manifestantes ocuparam as ruas do centro do Rio de Janeiro na quinta-feira 
para lutar contra o aumento da passagem! Como sempre a polícia agiu com truculência contra 
os manifestantes. A ação direta pautou a manifestação. Houve manifestações em todo o país. 
---- Segue o panfleto feito pela FARJ e distribuído na manifestação. Lutar contra o 
aumento pela força das ruas!!! ---- Links: 
http://anarquismorj.wordpress.com/2013/06/14/lutar-contra-o-aumento-pela-forca-das-ruas/ 
---- LUTAR CONTRA O AUMENTO DA TARIFA PELA FORÇA E VONTADE DAS RUAS! ---- Federação 
Anarquista do Rio de Janeiro - Integrante da CAB ---- farj  riseup.net - www.farj.org ---- 
Quem ganha com o aumento da tarifa de ônibus? Certamente são os donos das empresas que, 
além de oferecem um péssimo serviço de transporte público, foram isentos totalmente de 
impostos (PIS/PASEP e COFINS) por parte do governo federal.

Ou seja, as empresas de ônibus recebem
privilégios do governo e podem aumentar as tarifas para lu-
crarem mais... Mas trabalhadores, desempregados e estu-
dantes tem que sofrer diariamente nas péssimas condições
do transporte público do Rio de Janeiro e ainda por cima tem
que pagar mais caro!

Ônibus, barcas, trens, metrô... somos diariamente violenta-
dos por um péssimo sistema de transporte público. Espera-
mos em intermináveis filas, viajamos horas em transportes
superlotados e sem manutenção, correndo risco de vida.
Sofremos com o a violência da ganância, do descaso, da
roubalheira, das máfias das empresas de transporte público,
ajudadas pelos governantes a lucrarem cada vez mais.

Na região metropolitana e interior, faltam ônibus para aten-
der os moradores de determinadas regiões distantes, que
esperam horas e muitas vezes pegam dois ou três transpor-
tes diferentes. Trens que quebram frequentemente entre as
estações, apertados, quentes e inseguros, o povo é humilha-
do e agredido todos os dias.

Mas quando o povo vai para as ruas reclamar contra esta in-
justiça o que acontece? É violentado! Tropas de choque, gás
lacrimogêneo, spray de pimenta, bombas, balas de borracha
à queima roupa que podem cegar ou até matar. Todo um
aparato de guerra é usado contra o povo, e dezenas de ma-
nifestantes são presos e feridos pela polícia. Será que não
podemos ir às ruas para manifestarmos nossa indignação e
lutarmos por justiça? Será que voltamos à ditadura militar?

Diante dos problema sociais do Rio, a resposta do poder
público vem através de uma sinistra política de terror sobre
os pobres. Diariamente somos violentados pelos governan-
tes e empresários. Camelôs querem trabalhar, mas sofrem
a violência do choque de ordem. Na Al-
deia Maracanã, indígenas lutam por seus
direitos e territórios, mas são violentados
pela Prefeitura e empresários da Copa.
Centenas de moradores de comunida-
des são despejados de suas casas, sem
diálogo e sem receber uma justa indeniza-
ção, sofrendo a violência da especulação.
Empreiteiros e empresários vão lucrar com
obras de urbanismo e com os BRT’s. Pessoas
doentes sofrem a violência do descaso em filas de hospitais,
e estudantes em escolas publicas com péssimas condições
e sem recursos do estado. Muitos motoristas acumulam as
funções de cobrador, e ambos sofrem com a pressão por
metas e horários que os patrões impõem, obrigando-os a
não aceitarem mais de 40 gratuidades por dia.

Tanto a truculência da polícia e o descaso do poder públi-
co para o social, quanto o desrespeito que os empresários
do transporte público nos fazem passar diariamente, todas
estas são formas de violência contra o povo. E todas as
formas que o povo usa para se defender contra esta vio-
lência são legítimas. O povo, organizado nos movimentos
sociais, manifestando-se por justiça, não pode ser criminali-
zado, agredido ou preso.

Devemos ter cuidado com a estratégia dos poderes domi-
nantes de criminalizarem “individualmente” militantes e ati-
vistas que lutam contra o aumento da passagem. Muitos já
estão com processos nas costas por lutarem. Lutar não é
crime! Não podemos deixar que nossos companheiros/as
sejam criminalizados/as! Essa criminalização deve ser de-
nunciada! Essa é a verdadeira face da democracia burgue-
sa, escondida de dois em dois anos nas urnas e propagan-
das eleitorais mas que mostra suas garras quando surgem
as flores da resistência!

Até quando vamos aguentar isso? O transporte público deve
atender as necessidades dos povo, não as dos empresários!

O AUMENTO DA PASSAGEM É A “PONTA DO ICEBERG”

O recente aumento da passagem mostra o futuro planejado
pelas elites para a cidade “maravilhosa”: precarização dos
transportes/serviços públicos, maquiagem em ritmo acelera-
do e transformação do Rio de Janeiro numa cidade turística
com altos custos de vida para os trabalhadores. Para garantir
que não haja resistência o governo federal, estadual e muni-
cipal atuam de maneira coordenada. Aniquilam a resistência
indígena, controlam os espaços populares com as UPP’s ou
simplesmente reprimem qualquer um que ouse levantar a
voz contra o domínio do capital! Ou seja, para os ricos e
empresários tudo, para o povo repressão e abandono.

CONSTRUIR A UNIDADE DA LUTA

Vivemos no Rio um contexto difícil, vivemos e lutamos numa
cidade controlada pelas forças mais vorazes do capital na-
cional e internacional, da especulação imobiliária, máfia dos
transportes e uma política pública que reprime e volta as
costas aos pobres. Apesar disso, diversos segmentos da es-
querda (organizações políticas, coletivos, sindicatos, CA’s,
etc.), dos movimentos sociais e estudantis saíram às ruas
corajosamente para enfrentar o criminoso reajuste da pas-
sagem.

Inspirados por tentativas bem sucedidas de mobilização
popular em outras cidades, os manifestantes protagoniza-
ram fortes iniciativas de resistência contra os desmandos da
máfia do transportes.
Esse foi o exemplo do último ato contra o re-
ajuste, reprimido com excesso de violência
pelo choque. Consideramos que a unidade
na luta e a organização pela base sejam
os principais caminhos para derrotarmos a
máfia dos transportes, construído com a uni-
dade de diversos setores da esquerda numa bandeira em
comum: a derrota da máfia dos transportes e a luta contra o
reajuste pela força das ruas!

O TRABALHO DE BASE

Junto com isso surge a necessidade de organizar-nos cada
vez mais, sabendo que mesmo se perdermos a batalha, te-
remos uma longa guerra pela frente. Sabemos que os políti-
cos trabalham para o beneficio dos empresários, e enquanto
for assim todo ano haverá aumento das passagens. Por isso
devemos pautar e construir essa luta permanentemente nos
espaços de moradia, estudo e trabalho! Esse trabalho é o que
acumula força social e vai criando, com dificuldades, desa-
fios e avanços, o que chamamos de poder popular! Se a luta
da classe trabalhadora passa por um momento difícil e recua
um pouco, a importância do trabalho de base é ainda maior. Ir
para as ruas é sempre resultado de uma mobilização prévia,
de uma luta que começa no bairro, na favela, no colégio, na
ocupação, em espaços de organização de base. A ação direta
é resultado da mobilização cotidiana nas bases!

INDEPENDÊNCIA DO CAMPO POPULAR: SEM SECTARISMO, DIVISIONISMO E APARELHAMENTO

Outra questão importante é garantir que a unidade seja feita
com a independência do campo popular. Como socialistas
libertários e classistas sabemos que a luta não será protago-
nizada por nós, ainda que atuemos nela enquanto fermento.
Isto quer dizer que a luta é do povo que se organiza e vai
para as ruas levando sua indignação. A luta não pode ser
capturada por um partido, domesticada por uma legenda,
por que a luta é uma tarefa da classe. A luta também não
é “apolítica” e desorganizada. Porque nela nos formamos,
aprendemos com os erros, crescemos e acumulamos força
para o dia seguinte. Defendemos uma unidade construída
sem sectarismos e com respeito às diferentes forças da es-
querda. Fazer uma luta apartidária é diferente de fazer luta
anti-partido. Isso significa respeitar as diferentes legendas
que atuam no interior da mobilização popular, unindo as di-
ferentes forças políticas por pautas em comum.

Também não temos a pretensão de como
organização política anarquista e classista
“representar” a totalidade do que se con-
vencionou chamar de movimento anarquista,
assim como não exigimos a determinados
partidos marxistas que respondam pela tota-
lidade dos marxistas.

Somos parte de uma organização política anarquista clas-
sista que trabalha com princípios em comum, critérios de
ingresso, estratégia militante e unidade teórica/ideológica.
Neste sentido, rejeitamos a associação preconceituosa dos
que vinculam mal-refletidamente o anarquismo a desorgani-
zação. Respeitamos, ainda que com diferenças, as distintas
formas de associação, sejam elas partidárias, independen-
tes ou de outras bandeiras políticas que venham se somar
a luta. Mas rejeitamos quaisquer tentativas de dividir o mo-
vimento internamente. O sectarismo venha de onde vier é
danoso e divide a classe.

O esforço de diversas organizações políticas, coletivos, mili-
tantes e ativistas é o que garante a força do protesto social.
A ação popular organizada sem servir de escada para polí-
ticos de ocasião e carreiristas deve marcar a força do nosso
coração revolucionário.

Protesto não é crime!
Contra a criminalização dos movimentos sociais!
Criar um povo forte! Lutar, criar, poder popular!

FARJ Federação Anarquista do Rio de Janeiro – Organização Integrante da Coordenação 
Anarquista Brasileira


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