(pt) Anarkismo.net: A Aliança do Pacífico e o mito do livre-comércio by Bruno Lima Rocha

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Domingo, 2 de Junho de 2013 - 10:37:17 CEST


Os quatro presidentes da nova versão, agora minimalista, da moribunda ALCA, sub-projeto do 
Império para as Américas ---- Li por obrigação profissional a matéria da edição de Veja 
(29/05/13) cujo título “O Quarteto Fantástico” rasga elogios para a união comercial 
chamada de Aliança do Pacífico. Composta por Chile, Colômbia, Peru e México, formam um 
bloco comercial cujos países membros são todos assinantes de Tratado de Livre Comércio com 
os Estados Unidos. Colegas da área classificam a Aliança como uma extensão da extinta Área 
de Livre Comércio das Américas, a famigerada ALCA, estratégia do Império para uma 
integração forçada, subordinando os parceiros, tal como fizera com seus vizinhos no acordo 
do NAFTA. O Brasil entraria de parceiro privilegiado neste desenho, e graças à ação da 
agressiva política externa venezuelana, timidamente o governo de Lula ajudou a enterrar a 
ALCA na IV Cumbre das Américas, realizada em novembro de 2005, em Mar Del Plata, Argentina.

Passados oito anos e deparamo-nos com duas constatações. É certo que o MERCOSUL não 
consegue avançar em acordos múltiplos, brecando por tabela a projeção do Brasil para o 
Continente. E, para desgraça do desenvolvimento, setores inteiros da sociedade brasileira 
continuam pensando em termos de relações carnais com a economia do Império, ou 
contentando-se em transformar a América Latina em uma enorme plantação de algumas 
monoculturas legais. Ressalto este aspecto porque nas monoculturas ilegais, como folha de 
coca e pés de maconha, Colômbia e México estão bastante irrigados por extrema liquidez com 
fundos desta origem.

A Aliança do Pacífico passa a funcionar dia 30 de junho e 90% dos produtos circularão 
entre os países membros com isenção de tarifas. Portanto, as portas estão escancaradas 
para a burla. Empresas “maquiladoras”, usinas de montagem localizadas na fronteira entre 
os EUA e o México poderão circular “livremente” como produto mexicano. A entrada de 
manufaturas também se dá através dos TLCs bi-laterais. 82% dos produtos industriais 
estadunidenses entrarão na Colômbia com tarifa zero. O conflito na economia colombiana 
será o mesmo dos dramas na OMC. Os países industriais querem proteger seu setor primário e 
vender “livremente” produtos com valor agregado, sem transferir tecnologia. Quem julga 
isso progresso, está totalmente equivocado.

Voltando para a matéria, esta afirma que: “Não há maneira mais eficiente para reduzir a 
pobreza e distribuir a riqueza de um país do que o livre-comércio.” Tamanho absurdo 
histórico vai de encontro a qualquer estudo sério de economia do desenvolvimento dos 
países industrializados.

Bruno Lima Rocha

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