(pt) Libera #158 - periódico da Federação Anarquista do Rio de Janeiro (en)

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Terça-Feira, 30 de Julho de 2013 - 15:50:22 CEST


Semana passada foi lançado o novo número do Libera, periódico da Federação Anarquista do 
Rio de Janeiro. http://www.farj.org/O Libera #158 tem como foco as manifestações que têm 
ocorrido pelo Brasil. ---- O texto principal traz uma análise geral sobre as manifestações 
e há, ainda, um outro sobre a Chacina da Maré. O terceiro texto do jornal são excertos de 
uma nota lançada pela Coordenação Anarquista Brasileira 
http://vermelhoenegro.graffitte.net/ , da qual a FARJ é integrante, e que pode ser lida na 
íntegra aqui http://anarkismo.net/article/25741 . Há, também, as notícias libertárias. -- 
O periódico pode ser baixado em pdf aqui 
http://bibliotecasocialfabioluz.files.wordpress.com/2013/07/libera_158_web.pdf e os 
jornais físicos estão na Biblioteca Social Fábio Luz, onde podem ser pegos para distribuição.


"As lutas socialis no Rio De Janeiro...." pág 1

"Da periferia aos centros e de volta à periferia: chacina na Maré"  pág 2

"A luta contra o aumento das passagens e o Anarquismo" [excertos] CAB pág 3

Notícias Libertárias pág 4

AS LUTAS SOCIAIS NO RIO DE JANEIRO E A CONSTRUçÃO DO PODER POPULAR

Breve contexto

As manifestações que sacudiram o país,
inicialmente contra o aumento das
passagens, trouxeram novamente a ação
direta das ruas como um paradigma de
luta. Evidenciaram também os limites
do governismo, das práticas burocráticas
e das políticas neo-desenvolvimentistas
do governo federal em atender
os anseios da juventude, de setores
precarizados da classe trabalhadora e
de outros grupos sociais explorados.
Os protestos generalizados animaram
novamente entidades, organizações
políticas, movimentos sociais e
trabalhadores/as que conseguiram uma vitória
significativa, ao baixar o preço da
passagem em várias cidades. Ainda que a
vitória seja parcial e alguns de seus
frutos tenham sido manipulados pelos
governos (na maioria das cidades, as
prefeituras subsidiarão os empresários), os
protestos de rua, as ocupações de
avenidas e paralisações de estradas
figuraram novamente como instrumentos de
luta massivos e as pautas de luta não
se esgotaram nos "20 centavos". Nesse
contexto, um instrumento importante
no Rio de Janeiro foi o Fórum de Lutas
contra o Aumento, que reuniu diversos
setores de luta, inclusive o libertário,
como também movimentos sociais,
ativistas independentes, organizações
políticas e outros grupos.

Ao mesmo tempo em que as manifestações
traziam fórmulas de luta históricas
e combativas da classe trabalhadora,
presenciou-se também a tentativa
da direita de infiltrar-se nos atos. E um
dos fatores que ajudou bastante na
tentativa de apropriação das manifestações
por parte de setores ultra conservadores
e de direita foi o deplorável trabalho
da mídia burguesa no esvaziamento
das pautas de luta e das reivindicações.
Primeiro, esforçaram-se em silenciar
as demandas populares (de décadas
de opressão sofrida acumulada) a
generalizações como "contra a corrupção"
  e "o gigante acordou". Segundo,
buscaram caricaturar os manifestantes
("vândalos", "baderneiros") e apontar
"bodes expiatórios" no interior dos
protestos para dividir a esquerda, já
bastante fragmentada. Assim, setores
de ultra-direita (minoritários) tentaram
surfar na onda ufanista defendida pela
mídia monopolista (Rede Globo, etc.),
causando confusão nos atos. Mas foram
neutralizados na organização dos
atos seguintes e na maior participação
popular com movimentos sociais nas
manifestações. Por sua vez, os partidos
políticos tem também responsabilidade
neste processo por conta de suas práticas
políticas burocratizadas, eleitoreiras
e descoladas do povo, gerando uma
descrença generalizada na via partidária
enquanto meio de mudança. E os setores
reacionários da direita aproveitamse
disso. Mas diante do oportunismo
de partidos de esquerda defendendo o
governismo, contra um possível "golpe
de direita", nós fincamos pé na via do
poder popular. Pois sabemos que muitas
das pautas da direita estão contempladas
pelo governo PT e seus aliados
(PC do B, PMDB, PSB, etc.).

  A resistência popular e o oportunismo de setores da esquerda

  Com o avanço da luta as práticas
burocráticas de setores da esquerda foram
questionadas por muitos manifestantes.
Práticas que tem graves limites como a
prioridade da esquerda institucional em
disputar aparatos sindicais e estudantis
em detrimento do fortalecimento das
bases. Uma relação de aparelhamento
e instrumentalização de movimentos
sociais (tratados pelos partidos como
  "correia de transmissão" de suas posições,
já elaboradas de cima para baixo).
Toda vez que sindicatos burocratizados
  ou partidos tentaram monopolizar os
atos nos "palanques eleitorais" (carros
de som), sofreram a oposição da voz
coletiva e a resistência popular
generalizada. A tática "manjada" de colocar
dezenas de bandeiras de partidos na
frente dos atos foi contraposta com a
tática de se dar destaque às demandas
populares dos protestos. O movimento
expôs também a falta de inserção
social de grande parte da esquerda com
os desempregados/as, na favela, na
juventude pobre e precarizada (que são
fundamentais no processo de aprofundamento
das pautas populares). Expôs
políticas equivocadas que centram
esforços na conquista do aparato estatal,
nas eleições burguesas ou no fortalecimento
de mandatos parlamentares
ditos "combativos" por alguns setores,
mas marcados pelo personalismo e o
legalismo burguês no rito do voto. Expôs
os limites da defesa de uma polícia
"cidadã" (quando até a ONU recomendou
a extinção da Polícia Militar no
Brasil) e do apoio de certas legendas
de esquerda, num passado recente, às
greves dessa corporação. Enquanto
isso, a PM mostrava sua "consciência de
classe" massacrando manifestantes nas
ruas e chacinando 13 moradores do
Complexo da Maré.


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