(pt) Portugal, Acção Directa #7 - A Fechar: Brasil: viva o protesto popular

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Domingo, 21 de Julho de 2013 - 11:59:39 CEST


(...) Vivemos no Rio um contexto difícil, vivemos e lutamos numa cidade controlada pelas 
forças mais vorazes do capital nacional e internacional, da especulação imobiliária, máfia 
dos transportes e uma política pública que reprime e volta as costas aos pobres. Apesar 
disso, diversos segmentos da esquerda (organizações políticas, coletivos, sindicatos, 
CA’s, etc.), dos movimentos sociais e estudantis saíram às ruas corajosamente para 
enfrentar o criminoso reajuste da passagem. ---- Inspirados por tentativas bem sucedidas 
de mobilização popular em outras cidades, os manifestantes protagonizaram fortes 
iniciativas de resistência contra os desmandos da máfia do transportes. Esse foi o exemplo 
do último ato contra o reajuste, reprimido com excesso de violência pelo choque.

  Consideramos que a unidade na luta e a organização pela base sejam os principais 
caminhos para derrotarmos a máfia dos transportes, construído com a unidade de diversos 
setores da esquerda numa bandeira em comum: a derrota da máfia dos transportes e a luta
contra o reajuste pela força das ruas!

O TRABALHO DE BASE

Junto com isso surge a necessidade de organizar-nos cada vez mais,
sabendo que mesmo se perdermos a batalha, teremos uma longa guerra
pela frente. Sabemos que os políticos trabalham para o beneficio dos
empresários, e enquanto for assim todo ano haverá aumento das passa-
gens. Por isso devemos pautar e construir essa luta permanentemente
nos espaços de moradia, estudo e trabalho! Esse trabalho é o que acu-
mula força social e vai criando, com dificuldades, desafios e avanços, o
que chamamos de poder popular! Se a luta da classe trabalhadora passa
por um momento difícil e recua um pouco, a importância do trabalho de
base é ainda maior. Ir para as ruas é sempre resultado de uma mobiliza-
ção prévia, de uma luta que começa no bairro, na favela, no colégio, na
ocupação, em espaços de organização de base. A ação direta é resultado
da mobilização cotidiana nas bases!

INDEPENDÊNCIA DO CAMPO POPULAR: SEM SECTARISMO, DIVISIONISMO E APARELHAMENTO

Outra questão importante é garantir que a unidade seja feita com a inde-
pendência do campo popular. Como socialistas libertários e classistas
sabemos que a luta não será protagonizada por nós, ainda que atuemos
nela enquanto fermento. Isto quer dizer que a luta é do povo que
se organiza e vai para as ruas levando sua indignação.
A luta não pode ser capturada por um partido, domesti-
cada por uma legenda, por que a luta é uma tarefa da classe. A luta tam-
bém não é “apolítica” e desorganizada. Porque nela nos formamos,
aprendemos com os erros, crescemos e acumulamos força para o dia
seguinte. Defendemos uma unidade construída sem sectarismos e com
respeito às diferentes forças da esquerda. Fazer uma luta apartidária é
diferente de fazer luta anti-partido. Isso significa respeitar as diferentes
legendas que atuam no interior da mobilização popular, unindo as dife-
rentes forças políticas por pautas em comum.

Também não temos a pretensão de como organização política anarquista
e classista “representar” a totalidade do que se convencionou chamar de
movimento anarquista, assim como não exigimos a determinados parti-
dos marxistas que respondam pela totalidade dos marxistas. Somos
parte de uma organização política anarquista classista que trabalha com
princípios em comum, critérios de ingresso, estratégia militante e unida-
de teórica/ideológica. Neste sentido, rejeitamos a associação preconcei-
tuosa dos que vinculam mal-refletidamente o anarquismo a desorganiza-
ção. Respeitamos, ainda que com diferenças, as distintas formas de as-
sociação, sejam elas partidárias, independentes ou de outras bandeiras
políticas que venham se somar a luta. Mas rejeitamos quaisquer tentati-
vas de dividir o movimento internamente. O sectarismo venha de onde
vier é danoso e divide a classe.

O esforço de diversas organizações políticas, coletivos, militantes e
ativistas é o que garante a força do protesto social. A ação popular orga-
nizada sem servir de escada para políticos de ocasião e carreiristas deve
marcar a força do nosso coração revolucionário.

Federação Anarquista do Rio de Janeiro


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