(pt) Brazil, Aurora Obreira #27 - A Falsidade dos aumentos irreais dos salários (en)

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Quinta-Feira, 4 de Julho de 2013 - 13:47:19 CEST


A adoção de medidas econômicas que determinaram a criação da moeda chamada Real para o 
Brasil, vieram amparadas num forte arrocho salarial, para o qual indubitavelmente 
contribuíram e ainda operam nesse sentido as chamadas organizações sindicais atreladas ao 
Estado, por meio das leis fascistas em vigor desde os anos 1930, pois em regra 
contribuíram significativamente para o marasmo do Movimento Operário e sua total 
desmobilização com vistas a resistir a toda a sorte de manobras exploratórias, quer do 
Estado quer do patronal. Nesse ano de 2013 o nosso país ponteia entre as 10 maiores 
economias do mundo, mas tem no seio da sociedade milhões de pessoas desempregadas, 
sobrevivendo no limite com seus trabalhos informais, os quais não lhe garantem segurança 
social alguma.

Não bastasse essa 'mecatrefice' os salários formais ao longo de décadas, foram
sucessivamente minimizados por toda sorte de expedientes estatais – planos
econômicos, inflação, confisco da poupança, redutores, desvalorização da moeda,
carestia dos gêneros e bens de consumo mais essenciais, exportações, etc. – os
quais visavam única e exclusivamente manter o Brasil na ordem da submissão ao
capital internacional. Em consequência os baixos salários para os trabalhadores
formais – com Carteira Assinada – foi e é regra. Medidas complementares a isso
obviamente foram adicionadas pelo Estado, tais como: a dificuldade ao acesso no
ensino público formal e o existente de péssima qualidade; sobremodo o ensino
superior que majoritariamente ainda é pago; os poucos centros de qualificação da
mão-de-obra – Escolas Técnicas ou Profissionalizantes; transportes coletivos
caros e de baixa qualidade; Essas políticas rasteiras, patrocinadas pelo Estado e
escudadas pelo empresariado, esfacelam o proletariado no Brasil.

Um exemplo nesse particular que apontamos é que no mesmo chão de fábrica temos
trabalhadores com ensino superior completo e a seu lado trabalhando operários
analfabetos, o que covardemente justifica salários enormemente diferenciados
num mesmo setor ou ambiente de trabalho. Em regra os trabalhos penosos,
perigosos e insalubres se destinam aos que tem menos estudos, aos que não tem
qualificação profissional ou no topo cursos superiores. A justificativa para isso
tudo é mais rasteira ainda, ou seja, que é justo que o trabalhador qualificado
ganhe mais, já que estudou, se preparou, se esforçou, que o não qualificado,
quando na verdade o “menos qualificado” trabalha mais, produz mais e ganha
bem menos, somente que na maioria dos casos não teve é oportunidade ou
orientação da importância para com os estudos. No momento (2013) o governo
junto com os donos dos Meios de Comunicação de Massa (Rádios, Redes de TV,
Jornais, Revistas) alem de alardearem falsamente que o país atravessa período
insofismável de prosperidade econômica e consequente pleno emprego, vendem
idéias ilusórias que os ganhos salariais não encontram situação impar com
relação a outros momentos históricos da República.

Nós por outro lado entendemos que os salários continuam excessivamente
diferenciados, infra estimados, sendo totalmente insuficientes. O melhor exemplo
nesse caso é do salário minimo que atrelado ao crescimento do PIB e referenciado
em uma moeda morta chamado Dólar Estadunidense, teria sido amparado com
'aumentos' significativos, quando na verdade o “salário mínimo” em vigor é
manifestamente inconstitucional, pois não observa os ditames elencados na
Constituição Federal. Outro aspecto é que em momento algum os que se
encontram no poder cogitaram balizar o salário minimo pelos sequestros e
manipulação históricos dos índices oficiais de inflação, o que resgatado resultaria
em valor bem maior que o atual. Levianamente também comparam o salário
mínimo em vigor com os denominados países concorrentes, tais como China,
Índia, Bangladeche, onde a exploração dos trabalhadores é mais nefasta ainda,
portanto, um parâmetro torpe para justificar essa nossa suposta falta de
competitividade, quando o problema esta na questão tecnológica que o
trabalhador brasileiro deixa de ter acesso e os monstruosos impostos públicos
para manter um Estado totalmente desnecessário e tropego.

Para manter os salários arrochados o governo editou legislação que inibe a
luta por aumentos, argumentando institucional e publicamente que aumentos
permanentes fomentariam a inflação, por causa dessa visão legalista e torpe os
trabalhadores só podem reivindicar uma vez por ano o repasse anual da inflação
pretérita (algumas categorias profissionais ainda conseguem o repasse da
inflação, a cada 3, 4 ou 6 meses mas são poucas e nada formalizado, o que pode
não caracterizar-se como direito adquirido), o qual não esta garantido em lei, é
preciso portanto lutar pela reposição das perdas e não por ganhos salariais.
Embutido nessa falácia toda esta o propalado ganho real de salario – aumento
real - cujos índices são pífios não recompondo nem as perdas para a inflação e
muito menos assegurando algum poder de compra a maior, pois a inflação a tudo
atropela, visto também não haver controle algum dos preços. Teoricamente e
surpreendentemente os números sobre o chamado ganho real são em maioria
positivos, garantindo para o ano de 2012 uma média que apontou para 1,96%
(ganho médio real total) segundo cálculos do DIEESE. O setor da indústria que
teve o maior aumento médio real em 2012 foi o de Construção e Mobiliário – com
ganho médio de 3,17% acima do INPC.

Como podemos observar os índices de recomposição salarial – aumentos – são
pequenos, os quais não repõe as perdas históricas verificadas nos períodos de
inflação elevada. Os salários de modo geral no Brasil, são inferiores as demais
economias de ponta, o que dá testemunho de que estamos como referência
econômica graças a super exploração dos trabalhadores formais e informais e ao
empobrecimento forçado a que milhões de indivíduos estão submetidos,
sobremodo os que não tem renda fixa. O chamado ganho real como esta posto é
ilusório, constitui-se num acinte aos trabalhadores e tem que ser atacado por nós
libertários, sob pena de conivência com as instituições. Os trabalhadores tem
direito a lutar sempre e mais por salários compatíveis com as necessidades
básicas, incluso saúde e educação. Nós com isso não estamos compactuando com a
exploração capitalista e com seus índices e indicadores sociais, somente
entendemos que a luta tem que avançar de todo modo, com vista a solapar o
sistema de exploração vigente.

Pietro Anarchysta
Caxias do Sul, junho de 2013.


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