(pt) Federação Anarquista Gaúcha - Chapa de Oposição da Intersindical vence as eleições em Minas Gerais (en)

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Domingo, 27 de Janeiro de 2013 - 18:13:45 CET


A CHAPA 2 organizada pela Intersindical derrotou os pelegos e a Usiminas nesse processo 
que envolveu o conjunto dos metalúrgicos. ---- Um momento histórico para região do Vale do 
Aço, pois foram décadas de parceria com os patrões onde direitos dos metalúrgicos foram 
reduzidos, salários foram arrochados enquanto os pelegos se beneficiavam dos conchavos com 
os patrões. ---- A vitória é dedicada aos metalúrgicos assassinados na década de 60 quando 
lutavam na Usiminas por melhores condições de trabalho. A vitória vem acompanhada do 
compromisso de retomar o Sindicato para os metalúrgicos e unidos ao conjunto da classe 
trabalhara lutar por nenhum direito a menos e avançar rumo a novas conquistas. ---- 
Durante o processo eleitoral tivemos a participação de um companheiro da frente sindical 
da FAG, organização que integra a Coordenação Anarquista Brasileira.

A seguir, um breve relato e avaliação de nossa militância sobre essa importante vitória:

É com muito orgulho que tivemos a oportunidade de participar e aportar o nosso grão de 
areia para a vitória da oposição metalúrgica. Essa é uma vitória que remonta a uma data 
simbólica e jamais será esquecida: há 50 anos, mais precisamente em outubro de 1963, os 
militares em acordo com a patronal e o governo do Estado promoveram um massacre que deixou 
um saldo de 30 mortos e milhares de feridos. Os trabalhadores foram duramente reprimidos 
após se revoltarem contra as revistas promovidas na saída do expediente, a sobrecarga de 
trabalho, as más condições de higiene e segurança, os salários não compatíveis com o alto 
custo de vida, etc.

O massacre de Ipatinga foi um termômetro para o golpe que viria meses depois. Em 1964 foi 
fundado o sindicato que passou a funcionar dentro da própria Usiminas sob o controle da 
patronal. Durante a ditadura, os peões mais antigos relatam que internamente havia o “SNI” 
da empresa onde operava na fábrica e fora dela um serviço de caguetagem que resultava em 
punições e demissões para quem ousasse a resistir ou ir contra o patrão.

Entretanto, com o tempo os trabalhadores foram identificando os dedos-duros e, por fora do 
controle desses, em 1985 conseguiram montar uma chapa de oposição denominada Ferramenta 
que chegou a ganhar no primeiro turno. Porém, com todo o aparato da empresa quem venceu a 
disputa e foi projetado a partir de então foi o pelego Luiz Carlos Miranda que ficou 
durante seis mandatos a frente do sindicato. Em 88 e 91 também houve oposição, no entanto, 
sem a mesma força da disputa anterior, pois entre as principais lideranças do movimento 
alguns trocaram a luta pelo parlamento.

Desde 85 o sindicato é controlado por Miranda, sendo apenas interrompida essa continuidade 
entre 95 e 2001, quando a chapa encabeçada por Altair Villar com o apoio da CUT esteve na 
gestão da entidade. No entanto, apesar da aparente alternância de poder no controle do 
SINDIPA, na prática os rumos do sindicato não representaram significativa diferença para 
os trabalhadores.
Na gestão de Villar, foi um período em que a Usiminas forçou os trabalhadores a se 
desfiliarem do sindicato com base em ameaças. Houve bloqueio das contas da entidade e a 
patronal jogou com base na cooptação.Tudo isso veio ao encontro de uma política sindical 
personalizada na figura do ex presidente Altair Vilar que durante o mandato em paralelo 
crio plano de saúde Cartão de Todos. Teminado o mandato, Vilar um enriqueceu, chegando a 
um patrimônio de 5 milhões de reais.

Quando retornou ao sindicato, Luiz Carlos Miranda deu continuidade ao esquema de corrupção 
sindical em colaboração com os patrões para a retirada de direitos dos trabalhadores. De 
acordo com diversas denúncias feitas pelos metalúrgicos, várias cláusulas consideradas 
prejudiciais pela categoria foram renovadas ano a ano sem votação, como é o caso do banco 
de horas. Os assuntos não eram tratados em assembleias, mas surgiam no documento final. Na 
campanha eleitoral para deputado em 2010, Miranda concorreu pelo PDT com doações da 
Usiminas e de outras empresas metalúrgicas.

Na recente disputa das eleições sindicais do SINDIPA, Miranda e diversos diretores foram 
impedidos de concorrer após ação do Ministério Público do Trabalho por improbidade 
administrativa, lesão ao patrimônio sindical, desvio de verba e enriquecimento ilícito, 
entre outras irregularidades.

Analisando esse histórico e avaliando a recente vitória da oposição, fica a certeza de que 
é possível mudar . E o lema da chapa 2, após os trabalhadores amargarem décadas de 
peleguismo, dizia exatamente “AGORA VAI”. E nossos companheiros da Intersindical – 
Instrumento de Luta e Organização da Classe Trabalhadora que irão compor majoritariamente 
a direção, estão de parabéns pela articulação dessa oposição sem sectarismos. Foram meses 
de trabalho reunindo companheiros valorosos com histórico de luta e resistência. Muitos 
sem experiência sindical, alguns com tradição de luta, mas todos aguerridos e corajosos 
para esse enfrentamento contra os pelegos e os patrões. Foi fundamental para essa vitória 
também a solidariedade de classe onde dezenas de companheiros de diversos lugares do 
Brasil organizaram as suas vidas para estarem voluntariamente em Ipatinga durante o mês de 
Janeiro.

Saímos fortalecidos desse processo e fica a lição de que com luta, organização, coragem e 
determinação, é possível derrotar a truculência da patronal e dos pelegos da Força 
Sindical. Para além de ganhar as eleições sindicais, seguiremos na nossa tarefa de 
reconstruir o movimento sindical desde a base, fortalecendo a organização dos 
trabalhadores pelo local de trabalho. Enquanto anarquistas, seguimos fortalecendo a 
Intersindical porque ela se propõe a ser um instrumento dos trabalhadores e isso vem ao 
encontro da estratégia de criação de um povo forte. Reconhecemos nesse espaço a existência 
de práticas políticas de ruptura com o sistema dominante e a aspiração pela transformação 
dessa sociedade. E é na ação desses sujeitos sociais que está o embrião do mundo novo que 
queremos construir.

Em memória aos 50 anos do massacre de Ipatinga! Não esqueceremos! Jamais perdoaremos!

Por um sindicalismo classista e combativo, com solidariedade e independência de classe!

Viva a Intersindical! Viva a Resistência Popular!

Não tá morto quem luta e quem peleia!


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