(pt) Anarko.net: Brazil, A eleição no Congresso e a sinceridade política by Bruno Lima Rocha (en)

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Sexta-Feira, 25 de Janeiro de 2013 - 19:45:14 CET


Impressiona a capacidade que as elites dirigentes políticas no Brasil têm de atingir a si 
mesmos. ---- Ao final do recesso de verão, nos deparamos com a provável eleição de dois 
peemedebistas do nordeste, ambos vinculados ao esquema de poder do ex-presidente da Arena, 
José Sarney. Renan Calheiros, senador alagoano e ex-ministro da Justiça de FHC, já é 
figura carimbada da mídia brasileira. ---- Dentre suas façanhas, temos o inesquecível 
momento de 2007, quando o país soube que parte de seus compromissos privados eram cobertos 
por relações pouco republicanas com empresas interessadas em compras de governo e 
licitações. Já o potiguar Henrique Alves, vem se lançando como presidente da câmara baixa 
a cerca de seis meses, e caminha a passos largos no rumo da alternância de poder. Marco 
Maia, correligionário da presidenta deve passar a vaga para o representante do partido do 
vice Michel Temer. Já não cabe mais espanto algum.

Ex-guerrilheiros, arenistas, quercistas e adjacências se aliaram para a tal da 
governabilidade, sendo que o outrora partido reformista não modificou a cultura política 
do Brasil e sim foi transformado – para pior – com este convívio.

Diante de um quadro destes, é necessária a reprodução dos conceitos-chave para esta 
análise. O fisiologismo puro e simples, retro-alimentado com o mecanismo autoritário da 
palavra final para líderes e vices de bancadas condiciona os parlamentares em busca de 
seus interesses imediatos. Estes são, em quase cem por cento dos casos, a liberação das 
emendas, aberração orçamentária onde quem representa e fiscaliza termina por ordenar 
despesas e garantir investimentos em municípios e bases eleitorais. De sua parte, o 
presidencialismo de coalizão opera no cabresto do baixo clero, liberando as emendas a 
conta gotas, fazendo com que prefeitos coloquem deputados federais contra a parede a cada 
ano. A União concentra as verbas, não há federalismo fiscal e por tanto, menor autonomia 
dos níveis estadual e municipal de governo. Como ensina a regra da política, concentrar 
recursos implica em garantir benefícios.

Se há algo de relevante nas escolhas anunciadas para presidir o Legislativo federal, este 
é o fator sinceridade. Uma aliança política mais habilidosa colocaria à frente figuras 
menos polêmicas, tendo tanto um perfil baixo como trajetórias mais tranqüilas. Seria uma 
forma de preservar a instituição e sua imagem. Pelo visto teremos o oposto. Os prováveis 
presidentes do Senado e da Câmara são a “cara da política brasileira”.
Bruno Lima Rocha

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